82ª Sessão Ordinária - 25/10/2005
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, conterrâneos que nos acompanham pela TVAL e pela Rádio Alesc e senhores que nos honram com sua presença aqui, tenho alguns assuntos para abordar nesta tarde.
Primeiro, eu me propus a anunciar um evento que meu partido vai realizar em Joinville, no dia 6 de novembro, que será o 5º Encontro Estadual das Companheiras Tucanas, cujo lema é "Avança PSDB com a força da mulher tucana".
Então, correligionários que nos acompanham, estamos dando a ênfase que o evento merece, e muito mais do que isso, estamos proferindo e dizendo da importância do comparecimento das aguerridas companheiras tucanas neste evento, que terá efeito no dia 6 de novembro de 2005, na Expoville, rua XV de novembro, nº 4.312, bairro Glória, às margens da BR-101, cidade de Joinville.
Companheiras tucanas, com a aquiescência da nossa comandante-chefe, a Celinha, considerem-se, portanto, convidadas uma vez mais!
Ato contínuo, sr. presidente, eu não marquei presença na posse do dr. César Filomeno Fontes, na condição de Conselheiro do Tribunal de Contas, evento este que aconteceu no dia 20 de outubro. E valendo-me deste espaço, gostaria de cumprimentá-lo, convicto dos relevantes serviços que haverá de prestar àquela Corte de Contas.
Ele, oriundo da Procuradoria, do Ministério Público, com experiência comprovada, haverá de desempenhar um grande trabalho na Corte de Contas de nosso estado.
Então, os nossos cumprimentos, já que não tivemos a oportunidade de lá comparecer!
Um outro assunto, sr. presidente: quero confessar, professor e deputado Celestino Secco, um estudioso, que fiquei encantado com o que vi em Caçador. O sr. deputado médico, nosso colega Antônio Aguiar, já discorreu sobre o assunto, mas permita-me também fazê-lo, ilustre conterrâneo daquelas plagas do Contestado e que representa aquela região que viveu, no passado, um evento histórico e o primeiro no país com conotações políticas, ideológicas e de um profundo conteúdo social e econômico também.
Nós assistimos lá em Caçador, deputado presidente Herneus de Nadal, ao evento extraordinário: Contestado - A Fúria Cabocla. Quem tiver a oportunidade, não deixe de assisti-lo. Esse foi o primeiro evento em que houve a participação da viação brasileira - e um avião terminou sucumbindo lá na região do Contestado.
Sr. presidente, foi um evento espetacular, realizado através de uma parceria que está dando certo: governo do estado/secretaria de Desenvolvimento Regional/prefeitura. E lá estava o titular da pasta, dr. Valdir Cobalchini, recepcionando as pessoas que lá chegavam. De igual forma, estava também a prefeitura de Caçador, capitaneada pelo jovem prefeito Saulo Sperotto.
E não poderia deixar de dizer que, no dia em que estive lá, o deputado Reno Caramori estava recepcionando as pessoas porque acredito que a sua empresa é uma das que patrocinam este evento.
Foi um evento extraordinário que apresentou uma peça espetacular. No meu caso, eu já li dois livros, só que de autores diferentes e com textos, redações e relatos históricos também diferentes, mas não fechou o caixa. Assim, quero ler um terceiro, que me parece que a universidade da região está produzindo - ou já produziu -, deputado Celestino Secco, porque daí terei uma noção mais completa deste grande evento que não só ajudou a consolidar a nossa fronteira, como fez valer a garra, a fúria do nosso caboclo, que se insurgiu contra o mandonismo do imperialismo americano, que já naqueles tempos foi chegando e adonando-se do que não era seu.
O Sr. Deputado Celestino Secco - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Pois não!
O Sr. Deputado Celestino Secco - Deputado Francisco Küster, também quero cumprimentá-lo por trazer aqui o tema Contestado - A Fúria Cabocla e dizer que não serão apenas dois ou três livros. O próprio professor e historiador Nilson Tomé, que é da região e um grande aficionado pelo tema, num dos livros diz que se duas vidas tivesse, duas vidas pesquisaria sobre o Contestado e duas vidas não contariam todos os feitos que aconteceram.
Portanto, é realmente uma história rica em eventos e muito há ainda que se estudar e se pesquisar a respeito disso.
Parabéns, novamente, porque eu considero este tema importantíssimo.
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Eu me reportei a v.exa. que, além de deputado atuante, competente, é também um professor, um pesquisador e conhece muito mais do que nós a história do Contestado. E não conhece tudo! É um feito bonito, que engrandece sobremaneira a todos nós, catarinenses.
Outro assunto, sr. presidente: são decorridos 30 anos da morte de Vladimir Herzog. Naquela época, eu era um deputado novo, até uma longa cabeleira, deputado Antônio Aguiar, eu ostentava naqueles bons tempos, nos idos de 1975. O Brasil foi tomado e no exterior sua imagem ficou muito arranhada naquele episódio da prisão e morte de Vladimir Herzog.
Lá se vão 30 anos. Vale o registro nesta Casa em que o povo tem assento por intermédio de seus representantes, porque o Poder é representativo. "O poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes" - é o que diz a Constituição, que eu tive o prazer de ajudar a elaborar.
Então, quero me reportar ao calvário que culminou com a morte de Vladimir Herzog. Já fazia 11 anos de ditadura e ela recrudescia porque estava ainda ressentida pela acachapante derrota sofrida nas urnas de 1974, em que a Oposição brasileira, à época o MDB, elegia maioria esmagadora dos senadores da República - o único pleito majoritário do qual podíamos participar votando como eleitor. Aqui em Santa Catarina elegemos Lazinho. E foi assim em 16 estados deste país. Eles estavam meio perdidos.
Esse jornalista, um profissional competente, homem de formação sólida, de caráter - segundo a sua própria história e relatos que acompanhamos por meio de leituras -, um profissional por excelência, não gostava de provocar, mas era firme em suas posições. Foi intimado para depor no DOI-COD e de lá não saiu mais; apenas seu corpo.
E lá são decorridos 30 anos, deputado Dionei Walter da Silva, v.exa. que é jovem e naquele tempo mais jovem, evidentemente; eu já era deputado. Quero dizer aos jovens que nos escutam que valeu a pena, sim, a luta, o sacrifício da vida de Vladimir Herzog. A ditadura que se pretendia perpetuar no poder ainda durou mais dez anos, mas sucumbiu pela pressão popular, pela força do povo, da nossa gente, que queria liberdade para se expressar, para agir, ir e vir, opinar, eleger, derrotar, cassar, punir. O povo queria o poder; o povo não aceitava a tutela dos militares à época! E esse jornalista, profissional das letras, sacrificou-se.
No final de semana houve um grande evento em São Paulo, acho que capitaneado pelo cardeal dom Evaristo Arns, e lá estavam figuras da política, intelectuais, religiosos enfim, para prestar homenagem a esse brasileiro que tombou no combate. Combateu no combate, mas valeu a pena.
Nós temos a grave responsabilidade de não achincalhar a memória desse brasileiro ilustre que tombou no combate; de continuar combatendo, de forma implacável, a corrupção; de perseguir, obstinadamente, a democracia no campo econômico e financeiro, porque nesse particular, srs. deputados, ainda não aconteceu. Continua ainda a selvageria da centralização da riqueza deste país nas mãos de poucos, mais especificamente do setor financeiro que nos explora da forma mais selvagem. Nós continuamos ainda perseguindo, obstinadamente, a consolidação, a construção desta obra inacabável que é a democracia. Agora perseguindo, sim, a democratização da riqueza.
Eram esses os registros que eu gostaria de fazer nesta oportunidade, sr. presidente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)