Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afrânio Boppré

61ª Sessão Ordinária - 27/08/2003

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, assomo à tribuna no horário do Partido dos Trabalhadores para fazer aqui um comentário a respeito das manifestações do Deputado Nelson Goetten, que já virou costume inclusive, pois aconteceu assim no dia de ontem.

S.Exa. ocupa a tribuna, fala pelos cotovelos, sai da tribuna, vai até a sua poltrona, pega a sua pastinha e se retira, não fica em Plenário para fazer o debate.

No dia de ontem o eminente Deputado Nelson Goetten se esforçou em associar o Governo Federal, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como se o Lula hoje fosse o chefe da representação de todo o simbolismo das oligarquias políticas ultrapassadas, derrotadas nesta eleição, dizendo que o Lula está em conversações com Antônio Carlos Magalhães, com Delfim Neto, com José Sarney, etc.

A primeira questão que tem que ser considerada, Deputado Herneus de Nadal, é que o Lula não teve a oportunidade de escolher os quinhentos e tantos Deputados Federais que lá estão democraticamente representando a sociedade brasileira.

Não foi de livre escolha, até no passado chegaram a criticar o que considero sábia expressão do Lula, ou seja, de que lá tinha mais de 300 picaretas. Mas o Lula não teve a oportunidade histórica de escolher, quem escolheu foi a população. O Presidente Lula também não teve o poder de escolher os oitenta e poucos Senadores.

Um Chefe de Estado, um Presidente da República que faz política tem que trabalhar com a correlação de forças real estabelecida, objetiva e concreta pelo resultado das urnas. Agora, o Deputado Nelson Goetten se esquece ou não faz esforço para lembrar, propositadamente, que na semana passada, não muito longe, ele era membro de um Partido que tinha nos seus quadros os expoentes que ele nega hoje. A exemplo do Deputado Delfim Neto!

Bem, Deputado Eduardo Cherem, na semana passada ele fez uma escolha de livre arbítrio, ele desejou - foi opinião pessoal, interesse eleitoral e político dele - escolher um novo Partido. Um Partido que tem em suas fileiras o Senador Antônio Carlos Magalhães, e ele critica que o Presidente da República converse com o Senador, mas é o Senador do seu Partido. O Senador Jorge Bornhausen é do seu Partido. O Deputado fez a escolha do Partido.

Ora, se são pessoas nefastas que o Presidente da República deve se negar a conversar, como pode desejar assinar a ficha nesse Partido como fez o Deputado Nelson Goetten? Onde nós estamos? Ele perdeu a coerência, porque se esquece de fazer a crítica e até a autocrítica; ele não olhou no espelho antes de falar; ele, ontem, ocupou esta tribuna para falar e falou hoje novamente. E se retira!

Faço este registro porque há que se cobrar um comportamento de coerência.

O Sr. Deputado Herneus de Nadal - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Pois não!

O Sr. Deputado Herneus de Nadal - Deputado Afrânio Boppré, acho extremamente inadequado para quem exerce mandato de cargo público ficar rotulando (como fez o Deputado Nelson Goetten) Deputados Federais, Senadores, ex-Presidente da República e inúmeros mandatários do nosso País.

Nós vivemos num regime democrático e a população, de forma soberana, elege, escolhe os seus representantes e, com certeza, não vai receber nenhuma reprimenda do Deputado Nelson Goetten, até porque cada um é senhor, é dono da decisão maior em eleger os seus representantes, quer como Chefe do Poder Executivo, quer como Parlamentar.

Parece-me que o Deputado Nelson Goetten não tem muito o que falar, por isso descredência o debate da tribuna. Baixa o nível, trata de assuntos de uma forma que não contribui para o crescimento e a relação positiva deste Parlamento para que aqui se possa fazer discussões de alto nível, discutir projetos, programas, soluções para o nosso Estado e para as nossas regiões. Não contribui, de forma positiva, o Deputado para o engrandecimento do processo legislativo.

É lamentável, mas isso não é de agora. O Deputado ocupa a tribuna e se acha, conceitua-se como senhor da verdade, senhor da razão, bate em todo mundo, desce e foge do Plenário.

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Eu agradeço, Deputado Herneus de Nadal.

O Sr. Deputado Antônio Ceron - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Pois não!

O Sr. Deputado Antônio Ceron - Deputado Afrânio Boppré, não quero entrar no mérito das acusações do Deputado Nelson Goetten, nem das afirmações que aqui são feitas. Só acho que, nesse aspecto, não cabe, em função de uma outra denúncia, desconsiderar aquela levantada pelo Deputado Nelson Goetten.

Mas o motivo do aparte, Deputado Afrânio Boppré, é que V.Exa. fez uma insinuação a respeito do PFL e eu me sinto na obrigação de dizer-lhe que, assim como respeito o PT, em função da sua história, da sua tradição, o meu Partido também merece respeito, porque é uma agremiação que tem uma história dentro da vida política do País.

Gostaria, ainda, que V.Exa. (se é que eu entendi corretamente) suprimisse a expressão "nefasta", quando se referisse ao Senador Jorge Bornhausen.

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Perfeitamente, Deputado Antônio Ceron, o que eu quis dizer é que a intervenção, o discurso de ontem do Deputado Nelson Goetten foi no sentido de condenar o Presidente da República por conversar com lideranças eleitas democraticamente para o Congresso Nacional. Como se essas pessoas fossem leprosas e o Presidente Lula não pudesse conversar com elas!

Não quero aqui defender. Sei dos compromissos políticos, ideológicos atrasados, conservados e retrógrados que aqueles Parlamentares representam. Mas é um dado objetivo da luta política no Parlamento e o Deputado Nelson Goetten não pode achar que o Presidente da República não deve conversar com expoentes desses Partidos.

Então, Deputado Antônio Ceron, estou-me referindo ao discurso de ontem e queria responder em Plenário. Acontece que ontem a nossa sessão, em função da visita do Presidente da Caixa Econômica Federal, foi interrompida às 17h e às 16h30min o Deputado Nelson Goetten já havia se retirado do Plenário. E lamento que hoje não esteja aqui novamente!

Eram estas as minhas considerações, no sentido de deixar claro que o debate político tem que ser feito com estatura. Não dá para vir aqui, soltar foguete e sair correndo atrás da varinha. É preciso fazer o debate político de forma qualificada, respeitando o Plenário e o posicionamento político.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)