78ª Sessão Ordinária - 03/10/2006
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente e srs. deputados, como eu dizia na manifestação que fiz no horário destinado ao meu partido, todo o nosso esforço, a partir de agora, está concentrado, deputados Reno Caramori, Vieirão e Lício Silveira, na nova campanha que se inicia a partir da próxima segunda-feira, no horário gratuito de rádio e televisão, quando vamos, então, ter o mano a mano dos candidatos ao governo de Santa Catarina. Mas antes é preciso fazer um balanço, uma reflexão.
Eu dizia e estou convencido de que na história de Santa Catarina, deputado Reno Caramori, não se tem registro de uma coligação tão ampla, por mim muitas vezes chamada de ajuntamento, que tinha dois objetivos iniciais: o primeiro grande objetivo era o de evitar que em Santa Catarina houvesse eleições; era o de promover a nomeação do atual governador. Certamente houve essa tentativa, uma vez que imaginava o atual governador de Santa Catarina que o candidato Esperidião Amin não teria coragem de se lançar candidato ao governo contra toda aquela força, contra toda aquela estrutura que foi montada para impedir a disputa democrática em nosso estado.
Quando Esperidião Amin e Hugo Biehl resolveram aceitar o desafio, percebeu-se um movimento ainda mais forte e a utilização da máquina pública de Santa Catarina como nunca se viu para tentar liquidar a eleição no primeiro turno. E aí vieram os instrumentos da famigerada pesquisa eleitoral.
Eu me comprometi, passado o segundo turno, deputado Lício Silveira, com muitos eleitores - e vou convidar todos os deputados que quiserem abraçar essa causa - e vou iniciar, pelo menos aqui em Santa Catarina, um movimento para desmascarar os institutos de pesquisa serviçais, os institutos de pesquisa que estiveram a serviço da candidatura de Luiz Henrique da Silveira, que foram desmascarados na eleição do último domingo. Houve até uma pesquisa que procurou, na última hora, aproximar aquilo que se sabia que seria o resultado das urnas. Só que enquanto isso, deputado Reno Caramori, aquela divulgação ampla feita antes desmobilizou, causou prejuízo. Nós sentimos o impacto!
Tivemos que passar mais de uma semana motivando a nossa gente novamente, deputado Antônio Carlos Vieira, quando o governo fez aquele estardalhaço dando conta de que a eleição estava decidida antes do eleitor votar! E eles próprios sabiam que aquilo não era verdadeiro. O resultado das urnas de domingo já serviu para mostrar quanto este governo engana. Até institutos de pesquisa foram utilizados para tentar tirar de você, eleitor catarinense, o poder de escolha.
Só que agora as coisas mudaram. Primeiro, a máscara de alguns institutos caiu. Segundo, o atual governador, que tenta a reeleição, não vai ter como fugir do debate. Eu espero que aja esse debate. Parece-me que já está marcado pelo menos um debate para o próximo dia 26 de outubro. E aí vai ser um debate mano a mano, com o mesmo tempo. O tempo de televisão agora é o mesmo, dez minutos para cada candidato. Cada um vai poder dizer o que vai fazer e como vai fazer, o que é mais importante. Porque ficar tirando aquele livrinho milagroso do bolso e dizer que está tudo ali não resolve mais, pois o povo já foi enganado uma vez. O tal do Plano 15-I ninguém acha mais. Nem com gincana se acha um exemplar dele. E esse Plano 15-II é somente a casca também, é a renovação das promessas.
E nesse paralelo, nesse meio tempo, nós vamos querer debater, por exemplo, outras questões. Qual vai ser o papel do vice de cada um nesta eleição? É preciso confrontar as idéias dos vices. Nós temos um vice de mãos limpas, chamado Hugo Biehl, com uma folha de serviços prestados à sociedade catarinense, desconhecido da Polícia Federal. Se formos à Polícia Federal perguntar por Hugo Biehl, ela não saberá quem é ele. Se perguntarmos por outros vices, eu não sei. Não sei se todos os vices são desconhecidos da Polícia Federal como Hugo Biehl.
E é preciso que os vices possam debater também; saber o que cada um vai fazer para auxiliar o seu governador. O vice é o substituto imediato, é o auxiliar direto. É preciso ouvi-los, é preciso que esta campanha do segundo turno dê oportunidades para os dois debaterem idéias, dizerem o que vão fazer. E eu tenho muita convicção de que o nosso candidato a vice-governador Hugo Biehl, tendo a oportunidade de conversar com o cidadão catarinense, vai poder mostrar o quanto está preparado, o quanto está com as mãos limpas para poder servir à sociedade catarinense na condição de vice-governador.
Também é preciso debater nesta eleição - porque este foi o assunto mais recorrente - a corrupção. Mas o interessante, deputado Reno Caramori, é que eu vi algumas pessoas e uma determinada liderança de Santa Catarina com o dedo em riste, em várias oportunidades, querendo saber a origem e o destino daquele R$ 1,700 milhão do dossiê de Brasília. Mas essa mesma liderança esquece que aqui em Santa Catarina foram encontrados mais de R$ 2 milhões no apartamento do assessor do compadre de Luiz Henrique da Silveira, do ex-secretário da Fazenda Max Bornholdt. Aquele ilustre cidadão de Santa Catarina, que coloca o dedo em riste e quer explicações sobre o R$ l,700 milhão de Brasília, não sabe ainda dos R$ 2 milhões daqui!
Eu não consigo entender como algumas pessoas se contradizem de forma tão escancarada! O valor de R$ l,700 milhão de Brasília tem de ser esclarecido, sim, mas os R$ 2 milhões de Santa Catarina também têm de ser esclarecidos! Até por que os R$ 2 milhões de Santa Catarina estavam numa praia aqui próxima, perto de todas as praias de Santa Catarina. É impossível que quem saiba do valor de R$ 1,700 milhão lá não saiba dos R$ 2 milhões aqui. E eu não vejo debate sobre de quem era esse dinheiro em notas de R$ 5,00, R$ 10,00, R$ 20,00 e R$ 50,00 encontrado dentro do apartamento do assessor do secretário da Fazenda, do compadre do governador Luiz Henrique da Silveira, do amigo do vice-prefeito de Joinville. E ninguém fala nada! Isso não vai ser debatido? Sobre R$ 1,700 milhão de Brasília pode ser debatido e sobre os R$ 2 milhões de Santa Catarina não pode? Por quê? Qual é o mistério?
De onde veio e para onde ia esse dinheiro de Santa Catarina encontrado aqui no apartamento do assessor do compadre do Luiz Henrique da Silveira e no apartamento de Curitiba? Qual era o destino desse dinheiro? Por que tudo em notinha de R$ 5,00, R$ 10,00, R$ 20,00 e R$ 50,00? De onde veio e para onde ia esse dinheiro? Mas ficou por isso mesmo e a sindicância não apurou nada ainda.
Deputado Lício Silveira, v.exa. que está no exercício da Presidência, quero que a Presidência desta Casa esclareça ao Parlamento quais as providências acerca da CPI do dinheiro da fiscalização de Santa Catarina. Nós já entramos com o pedido, já protocolamos, há mais de 14 assinaturas e esta CPI tem que entrar em funcionamento.
A origem e o destino desses R$ 2 milhões encontrados no apartamento do assessor do compadre do governador Luiz Henrique da Silveira, do sr. Max Bornholdt, pai do vice-prefeito de Joinville, precisam ser esclarecidos. Não é possível mais esse silêncio continuar. Eu não vou calar-me nesta Casa sem que esta CPI comece a funcionar.
Nós queremos saber de onde veio e para onde ia esse dinheiro; se os envolvidos não estão na cadeia ainda; quem mais está envolvido; onde está a investigação; por que o governo está calado. Nós estamos falando de mais de R$ 2 milhões sem uma providência!
Demitiu o Aldo Hey Neto e ficou por isso! Esconderam o ex-secretário Max Bornholdt e ficou por isso! O Max Bornholdt não era, como diz o deputado Antônio Carlos Vieira, um simples secretário! É compadre do governador. Compadre é muito mais que irmão, porque irmão você não escolhe e compadre você pode escolher. A relação é muito estreita e isso tem que ser explicado, presidente Lício Silveira.
Eu vou cobrar, de hoje em diante, diariamente, que a CPI das malas do dinheiro do assessor do compadre de Luiz Henrique da Silveira entre em funcionamento. O governo tem maioria esmagadora aqui, mas não pode calar, não pode retirar o direito constitucional das minorias estabelecidas através da Constituição, que é o instrumento da CPI. Nós queremos investigar. Santa Catarina precisa saber qual a origem e qual o destino dessa dinheirama toda, porque o governo na operação abafa não deixa ninguém falar sobre isso.
Esta Casa não vai calar, porque eu estarei aqui, diariamente, para fazer essa cobrança.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)