Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Manoel Mota

76ª Sessão Ordinária - 11/08/1999

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, o Deputado Nelson Goetten vem aqui com um discurso todo inflamado, eufórico, como se nós não conhecêssemos a história do Estado de Santa Catarina nem daqueles que o administraram.

É preciso, Deputado Nelson Goetten, com todo o respeito que nós temos por V.Exa., primeiro esperar os trabalhos da CPI aprovada nesta Casa, para depois V.Exa. se encher de razão e vir a esta tribuna.

Em 1986, quando quebraram o Besc, houve intervenção do Governo Federal, e não era o Governo do PMDB, era o Governo de V.Exa. que estava no poder! Foi o Governo de V.Exa. que arrebentou o Besc, que quebrou o Besc, que deu cheque a descoberto! Não foi o Governo do PMDB, foi o seu Governo, que está no poder novamente! Essa CPI vai ter a responsabilidade de levantar esses dados para desmascarar muitas pessoas que discursam sem conhecimento. E através desses dados essas pessoas vão saber realmente a história vivida pelo Besc em nosso Estado.

O ex-Governador Henrique Córdova declarou para a imprensa nacional que se não ganhasse o Governo para Esperidião Amin iria para a cadeia, porque havia investido todo o dinheiro do Besc na campanha! E o resultado V.Exas. já sabem qual foi: a intervenção do Governo Federal no Banco do Estado de Santa Catarina, que o saudoso Pedro Ivo Campos, quando assumiu o Governo, porque não queria que acabasse o Besc - e quando se quer, faz-se -, deu um jeitinho e salvou o Banco.

No ano passado ou há dois anos, não me recordo bem, quando foram publicados os balanços, a imprensa nacional divulgou que o Besc era modelo entre os bancos estatais do País. De repente muda o Governo... E está muito claro nesta nota que foi publicada:

(Passa a ler)

"Sinal vermelho

A sangria que vem ocorrendo está comprometendo a saúde do Besc. As revelações feitas pelo Secretário da Fazenda, Antônio Carlos Vieira, e pelo Presidente, Victor Fontana, confirmam que se continuar nesse ritmo não vai ser o Banco Central que vai liquidar o banco dos catarinenses, ele estará liquidado ainda este mês. Com um caixa de R$800 milhões em janeiro para R$80 milhões em julho(...)"

Pela irresponsabilidade, este Governo e esta atual diretoria terão de prestar contas desse dinheiro que deixaram sair dos cofres públicos, do nosso Besc! Aqueles que vêm aqui dar discurso pensam que ninguém neste País conhece a história de Santa Catarina! Mas nós vamos clarear, mostrar onde estão os R$800 milhões, porque entraram num projeto de liquidar o Banco, de desmoralizar o Banco. Foi isso que fizeram em Santa Catarina! E agora acertaram lá em cima, nesse jogo de xadrez, para que através do Presidente do Banco Central viesse a determinação de ou federaliza ou liquida.

Evidentemente que esse jogo de cena não pega mais e que os 5.500 servidores desse banco, que prestaram e prestam relevantes serviços a Santa Catarina, não podem ficar à mercê da irresponsabilidade. Essa é uma história que nós estamos vendo a cada minuto!

Aproveito esta oportunidade para cumprimentar o Deputado Heitor Sché, um homem corajoso, arrojado, que levantou a constituição de uma CPI para apurar os dados reais. E dizem que há muitos Deputados envolvidos, pois vamos saber quem são esses Deputados! Vamos colocar às claras a questão do Besc! Aqueles que não tiveram responsabilidade, têm que pagar, sem olhar a qual Partido pertencem e quem são as pessoas.

Agora, o que eu não posso aceitar são os discursos demagógicos, como se aqui ninguém entendesse nada! Eu não tive, infelizmente, condições de buscar um título de economista, mas não precisa ser um Rui Barbosa para saber o que está acontecendo em Santa Catarina, para saber o que está acontecendo no País!

O Sr. Deputado Rogério Mendonça - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Nobre Deputado, com muita honra eu ouço V.Exa., porque, com certeza, o seu aparte trará mais dados para que possamos clarear aquilo que acontece e rebater aquilo que não é verdadeiro e que é colocado em discursos arrojados, em discursos eufóricos nesta Casa.

O Sr. Deputado Rogério Mendonça - Deputado Manoel Mota, V.Exa. fez referências que realmente condizem com a realidade. E uma delas é a maneira como o Besc está sendo conduzido neste ano de 1999, que de R$800 milhões de liquidez passou para R$80 milhões. Uma irresponsabilidade muito grande!

Eu nunca vi, Srs. Deputados, alguém que quer vender uma mercadoria depreciá-la tanto, como este Governo está fazendo. É verdade, Deputado Manoel Mota, eles têm uma experiência muito grande em liquidação, em intervenção. E a liquidação só não ocorreu anteriormente, no Governo Amin, porque logo depois o já Governador Pedro Ivo Campos conseguiu, sim, sanear o Banco.

Pelos dados que são apresentados, como aqueles que o Deputado Neodi Saretta colocou anteriormente, quando utilizou o tempo destinado ao seu Partido, o Senado só autorizou o saneamento em dezembro e o Governador Paulo Afonso tomou as medidas legais.

Deputado Manoel Mota, também gostaria de fazer referência ao comportamento irresponsável de determinados setores da imprensa e de determinados Deputados, quando dizem que um figurão do PMDB ficou devendo mais de R$1 milhão. Mas nós assinamos o requerimento pedindo a constituição da CPI, porque queremos que tudo seja esclarecido frente à opinião pública, queremos que digam os nomes, sejam de figurões do PMDB ou não, porque não temos medo e não queremos proteger ninguém! Quem deve, quem prejudicou o Besc, o banco dos catarinenses, tem que pagar, seja do nosso Partido, seja de que Partido for!

Por isso, Deputado Manoel Mota, fomos favoráveis à constituição da CPI e queremos que ela vá até o fim. Agora, não permitiremos que com irresponsabilidade lancem dúvidas sobre determinadas pessoas do PMDB, que chamam de "figurões". Que mostrem quem são, que digam os nomes, que provem o que esse figurão fez, que provem quem deu o empréstimo e de que maneira foi feito! Nós, do PMDB, repito, não temos absolutamente medo da verdade!

Deputado Manoel Mota, V.Exa. não é um economista, mas é um Deputado do povo, um homem que sente as necessidades e as preocupações dos catarinenses em relação ao Besc, um homem que conhece, sem dúvida nenhuma, a realidade dos catarinenses.

Parabéns, Deputado Manoel Mota, pelo pronunciamento que faz!

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Deputado Rogério Mendonça, na manhã de hoje estive na administração do Besc e quando de lá saía estavam chegando a Deputada Ideli Salvatti e membros do sindicato para entregar uma carta pedindo a renúncia coletiva da diretoria do Banco. Isso é o que eles deveriam fazer! Eles teriam que explicar o recebimento de polpudos salários nesses oito meses e o que fizeram para o Banco do Estado de Santa Catarina!

Agora é a hora de começar a clarear as coisas. É dinheiro que tiraram da população! O que foi feito nesses oito meses? Não tem uma linha sequer de crédito no Besc! Não tem financiamento para o microempresário, o pequeno empresário, o agricultor ou ao crédito pessoal! Um banco vive de financiamentos, de empréstimos, essa é a sua carteira, mas que, infelizmente, não tem nada.

Então, faltou responsabilidade e por isso o sindicato e a Deputada Ideli Salvatti estavam lá para encaminhar...

O Sr. Deputado Joares Ponticelli - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. PRESIDENTE (Deputado Heitor Sché) (Faz soar a campainha) - Nobre Deputado, concederemos mais um minuto para que V.Exa. possa concluir o seu pronunciamento.

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Obrigado, Sr. Presidente.

Peço desculpas a V.Exa., Deputado Joares Ponticelli, pois não tenho mais tempo para lhe conceder um aparte. Mas teremos ainda muitas discussões neste Plenário, porque tenho a convicção de que a CPI, com transparência, com um trabalho sério, digno e honesto vai trazer a verdade à sociedade de Santa Catarina que está esperando por respostas, porque o que existe hoje são dúvidas, melancolia, já que não conseguimos somar os números da verdade.

Peço também desculpas ao Deputado Gelson Sorgato, que sei gostaria de me apartear, mas, infelizmente, acabei usando todo o tempo.

Para concluir, gostaria de dizer que o nosso trabalho é de responsabilidade para com esse Parlamento...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)