Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

8ª Sessão Ordinária - 06/03/2002

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. Presidente e Srs. Deputados, há pouco me referi da tribuna a uma reunião que teríamos na segunda-feira na Associação Comercial e Industrial de Joinville, com os cinco Deputados joinvilenses. Na ocasião acabei dando a data equivocadamente. É numa segunda-feira, mas na verdade do dia 25 de março, e não esta próxima que eu imaginei.

De qualquer maneira, o assunto em pauta da reunião dos industriais e comerciantes de Joinville com os Deputados, representantes legítimos da população, é ainda e sempre a questão da segurança pública do Município de Joinville e região.

Em princípio, comentando-se desta forma, a impressão que se tem é que o Governo do Estado, na verdade, está alheio à questão da segurança pública no nosso Município, o que não condiz com a verdade. A realidade é que temos de dar mão à palmatória, temos que reconhecer que há uma preocupação do Governo do Estado em relação à segurança pública do Município.

Evidentemente que os esforços têm sido envidados no sentido de acabar com o problema, mas não vai acabar com o problema e não amenizou não por má vontade, porque isso não existiu. O que está existindo é falta de sincronia no trabalho da nossa Polícia no Município de Joinville. E digo por quê. Já foi instituído concurso público para a admissão de mais 100 policiais, houve a preocupação de se ter um helicóptero para ajudar na caça aos bandidos.

Hoje, pela manhã, enquanto fazia o meu programa de rádio conversando ao vivo com uma testemunha de um assalto num bairro, eu escutava o barulho do helicóptero sobrevoando o local onde tinha acontecido o assalto.

Agora há pouco, recebia a notícia de que houve um assalto no bairro Iririú, em Joinville, onde um dos bandidos foi baleado. Estava um tumulto. Também com a precisão e o trabalho imediato da Polícia, os senhores perguntarão: bom, se estão fazendo isso tudo, qual é o problema? Bandido vamos ter sempre em todos os lugares. O problema é a incidência, é o número de acontecimentos policiais que envolve a nossa cidade. O crime corre solto dentro do Município.

Olhem só as manchetes do meu programa de rádio hoje: “Maníaco da bike volta a atacar, agora desta vez no bairro Bucarein. Dupla armada de facas assalta uma residência no bairro de Pirabeiraba. Nesta manhã choperia é assaltada no centro de Joinville. Senhor de 86 anos morre atropelado na SC-480 ontem. Menor é agredido e roubado por cinco elementos no centro da cidade. Mais uma drogaria catarinense é assaltada, desta vez no bairro Iririú. Dupla fortemente armada assalta comercial Pafer no bairro Costa e Silva. Mulher Espanca Marido no Bairro Fátima. Menores são detidos furtando residência no bairro Aventureiro. Mulher é Estuprada perto da Empresa da Cipla, também no bairro de Joinville.

Fora isso, há dez minutos mais um estabelecimento comercial foi assaltado e parece-me que desta vez a polícia teve vantagem, conseguiu balear o marginal que tinha acabado de cometer o assalto.

Diante desse quadro, chegamos à conclusão de que existe em Joinville uma vontade muito grande de acertar, tanto pelo lado da Polícia Civil, quanto pelo lado da Polícia Militar, pelo lado das autoridades constituídas e tudo mais. O que acontece é que temos banda podre tanto dentro do lado da Polícia Civil, como dentro da Polícia Militar.

Nós temos as chamadas bandas podres, as chamadas laranjas podres nesse meio policia, lamentavelmente, com conhecimento de autoridades que sabem quem é quem nesse meio, mas as providências não são tomadas.

Setores são totalmente corrompidos no meio policial, sabendo-se exatamente quem são os elementos que fazem parte desse bando, mas não é tomada nenhuma providência. Daí é que mora o problema.

Existe uma determinação governamental, em nível de Governo Federal, para que as Polícias Militar e Civil trabalhem juntamente com uma só voz. Mas de que adianta a Polícia Militar, com todo o seu aparato, trabalhar através do seu P2, que é a polícia secreta dentro da Polícia Militar, no trabalho de investigação, procurando investigar e saber quem é quem? E depois de trabalhos incansáveis, exaustivos, prende-se o elemento, leva-se para uma delegacia de polícia e ele não passa mais de duas ou três horas numa delegacia e acaba na rua novamente, retornando ao meio para assaltar, para praticar os crimes que bem entender.

Não são nem um, nem dois, nem três casos. São inúmeros casos e alguns elementos da própria Polícia Militar, com quem tenho grande amizade, dizem-me: “Olha, Deputado, é desanimador. Se nós não tivéssemos, pelo menos, a vontade explícita de trabalhar, já teríamos desistido, porque é extremamente desanimador o trabalho incansável que fazemos e muitas vezes cai nas mãos de determinadas autoridades da área civil que imediatamente comunicam o advogado de “a” ou de “b” ou o elemento é solto lá na frente”.

Não se pratica o flagrante quando é necessário, dependendo do setor para onde o marginal é encaminhado.

É uma coisa extremamente triste, e não vejo como poderíamos ter a solução para isso se não forem extirpados do meio as ervas daninhas, os elementos que causam tanto mal à sociedade, não só de Joinville, como de toda a região. É lamentável.

Se querem alguma solução para isso, se pretendem alguma solução, há necessidade de as autoridades governamentais, municipais e aqueles que têm o poder para a solução desses casos tomarem uma providência objetiva, clara, cristalina e imediata. Do contrário, não vai adiantar colocar mais policiais, viaturas, fazer reunião em Acije, em outros setores se não houver a vontade explícita de tomarem essas providências.

Acredito que aquilo que se espera do Governo está-se fazendo. Viatura, armamentos da melhor qualidade estão sendo enviados para lá. Há um esforço quase que geral no sentido de melhorar. Mas se não foram tiradas as laranjas podres no meio não vai se resolver nunca, de forma alguma, o problema da segurança pública no Município de Joinville.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)