Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

27ª Sessão Ordinária - 14/04/2009

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, companheiros trabalhadores municipais de Florianópolis, público que nos acompanha nesta sessão, telespectadores da TVAL e ouvintes da Rádio Alesc Digital, quero parabenizar o Sintrasem e todos os trabalhadores e trabalhadoras do município de Florianópolis pelo bonito movimento que estão fazendo.

Estive acompanhando, ontem, parte da mobilização e sempre me emociono com a capacidade, a generosidade, a criatividade, a forma descontraída, alegre e forte com que os trabalhadores fazem seu movimento de reivindicar os seus direitos. As reivindicações não são absurdas. Eles estão pedindo tão-somente a reposição das perdas salariais.

Agora, é um absurdo que ainda, em nossa sociedade, trabalhadores tenham que fazer uma greve para reivindicar a reposição das perdas salariais, pois a própria Justiça, o próprio Supremo Tribunal Federal já determinou que os governos fizessem isso anualmente. Os servidores estão pedindo a revogação da contra-reforma previdenciária, assim como de outras leis aprovadas na calada das férias; estão pedindo o cancelamento do aumento da tarifa do transporte público municipal de Florianópolis, aprovado na calada das férias, quando ninguém estava esperando, quando o conjunto da sociedade florianopolitana estava com outras prioridades.

As questões que foram aqui denunciadas pelo Charles, em nome do Sintrasem, devem ser investigadas por quem de direito, e nós temo-nos manifestado sobre isso. Talvez alguém possa achar estranho que um deputado, que é policial militar, venha dizer isso aqui. Venho dizer isso, sim, porque nunca concordei com o fato de a Polícia Militar ser usada para reprimir uma manifestação pacífica e legítima dos trabalhadores, dos estudantes ou de qualquer outro setor da sociedade.

Srs. deputados, aqui em Florianópolis temos uma visão bastante clara do que está acontecendo: nós já ouvimos uma gravação, há algumas semanas, na qual o comandante do 4º Batalhão dizia, dentre outras coisas, que era Dário Berger doente! Foram essas suas palavras!

Eu não tenho nada contra quem o comandante do 4º Batalhão vai votar, votou ou deixou de votar, assim como qualquer outro policial, bombeiro militar ou cidadão catarinense. Mas quando um comandante de uma instituição, no caso a Polícia Militar, diz "eu sou prefeito doente, eu sou doente por ele", parece que está comprometida a imparcialidade necessária de uma instituição pública como a Polícia Militar, da qual faço parte.

E depois, para justificar o fato de termos trazido para cá aquele documento que está sendo investigado pessoalmente pelo promotor da Justiça Militar - e aqui quero parabenizar o promotor da Justiça Militar, dr. Sidnei Dalabrida, por essa sua atitude. Aliás, alguns policiais militares que estão sendo ouvidos estão sendo perseguidos no 4º Batalhão. Um deles, curiosamente, foi demitido ou está em vias de ser, e a decisão do comandante do 4º Batalhão é pela demissão. O comandante disse no dia seguinte que este parlamentar o odeia pelo fato de combater os movimentos sociais. E as palavras literais do comandante do 4º Batalhão foram as seguintes: "O deputado Sargento Amauri Soares me odeia porque eu combato os movimentos sociais."

Ora, se isso é declaração de um servidor público, de um policial militar, de um comandante de uma unidade que coordena o policiamento na capital, ou seja, de que ele combate os movimentos sociais! Isso é um absurdo!

É preciso que as autoridades do governo e do comando da Polícia Militar tomem providências, porque essa violência que tem acontecido não é por acaso, é porque o comandante do 4º Batalhão combate os movimentos sociais, quando deveria combater a criminalidade.

Parabéns a vocês pela greve e pela luta!

Muito obrigado!

(Palmas das galerias)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)