61ª Sessão Ordinária - 04/08/2009
O SR. DEPUTADO GIANCARLO TOMELIN - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, senhoras e senhores que nos assistem pela TVAL e que nos ouvem pela Rádio Alesc Digital, público presente nas nossas galerias, minhas senhoras e meus senhores, venho à tribuna, hoje, para trazer um assunto que considero importante para a mudança, para a nova forma de fazer política.
Cada vez que leio no noticiário nacional o desgaste por que passa a classe política, tenho a certeza e a convicção, presidente Gelson Merísio, de que é preciso mudar para melhorar! E dentro desse espírito e imbuído desse conteúdo é que apresentei, na semana passada, um projeto de resolução que altera o nome do Palácio Barriga-Verde.
Quando vim para esta Casa, no dia 5 de janeiro deste ano, deputado Renato Hinnig, li o nome Palácio Barriga-Verde. Cada vez que entrego um cartãozinho como deputado estadual, vejo que lá está escrito Palácio Barriga-Verde. Daí eu me pergunto: será que nós estamos realmente dentro de um palácio? No tempo em que reis e súditos existiam, certamente esse seria o nome correto, mas chamar o Parlamento catarinense de palácio é resquício de um tempo que acabou. Hoje há a pluralidade de ideias, hoje há o debate democrático, hoje esta Casa debate com todos os segmentos da sociedade. Cada um dos senhores que detêm mandatos sabe que esses mandatos vieram dos anseios e aspirações sociais de trabalhadores da sociedade como um todo.
Por isso estamos propondo à Mesa - que já tem feito atos para modernizar o Parlamento catarinense - que a nossa Casa, o Parlamento catarinense, seja doravante chamado de Casa do Povo Barriga-Verde e não mais Palácio Barriga-Verde.
O Sr. Deputado Professor Grando - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO GIANCARLO TOMELIN - Ouço v.exa.!
O Sr. Deputado Professor Grando - Quero parabenizar v.exa. pela iniciativa por dois pontos. Em primeiro lugar, v.exa. fala em projeto de resolução, e é importante entendermos isso, até porque no meu primeiro mandato fiz um projeto de resolução através da Mesa desta Casa, que foi aprovado e que tratava de denominar este plenário. Atualmente ele leva o nome de um grande catarinense, que foi o deputado Osni Régis, um grande político catarinense. Isso foi feito através de um projeto de resolução.
E eu até ouso propor uma emenda a esse seu projeto para completá-lo melhor, para que o povo catarinense entenda que são vícios de linguagem de uma era, de uma época, ultrapassada.
Por exemplo, todos falam no Palácio do Governo, mas o próprio governador não gosta que o chamem assim, prefere que o chamem de Centro Administrativo. Isso dá idéia da forma de trabalhar e do seu compromisso com o povo catarinense. Da mesma forma, ele não gosta que chamem a casa do governador de palácio, Luiz Henrique prefere que chamem simplesmente de Casa d'Agronômica. E aqui nós temos o Palácio Barriga-Verde, que simplesmente poderia ser chamado de Casa do Povo Barriga-Verde.
Portanto, quem sabe possamos fazer uma emenda para solucionar esses problemas do linguajar de uma época, de séculos passados, no intuito de agradar uma elite dominante e não aqueles que são eleitos para cumprir as tarefas designadas pelos mais sofridos, que lhes deram um mandato para trabalhar em prol da maioria.
Então, concordo com o seu projeto, que é simples, mas de muito significado em termos educativos.
O SR. DEPUTADO GIANCARLO TOMELIN - Agradeço o aparte de v.exa., nobre deputado, e incorporo-o ao meu pronunciamento. Aceito todas as suas palavras e propostas, deputado Professor Grando, porque tenho debatido desde a semana passada essa questão e isso vem martelando na minha cabeça desde que entrei no Parlamento.
Escutei manifestações de que isso seria uma hipocrisia, porque aqui não é a casa do povo. Mas eu tenho convicção de que cada um dos senhores sabe que aqui é a casa do povo. É aqui que o povo vem para mudar a Constituição de Santa Catarina, para mudar as leis catarinenses, para melhorar sua qualidade de vida, para reivindicar por educação, por saúde e por infraestrutura.
Claro que existem vários projetos tramitando e eu ouvi outros dizerem que isso não é prioritário. Eu sei, existem outras coisas, como, por exemplo, o projeto de lei do cigarro que proíbe o fumo em ambientes fechados; como o projeto de lei dos condomínios, que coloca o inadimplente para a condição de adimplência; como o projeto de lei do telemarketing; como o projeto de lei que aumenta o teste do pezinho. Agora, também é importante mudar o conceito, a forma de fazer política, o jeito de fazê-la. E isso não é hipocrisia!
Ouvi ainda manifestações dizendo tipo que se trata de semântica. Não é semântica, é conceito, é essência! O Parlamento catarinense é a Casa do Povo Barriga-Verde e não um palácio onde existem reis e súditos.
O Sr. Deputado Ismael dos Santos - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO GIANCARLO TOMELIN - Pois não!
O Sr. Deputado Ismael dos Santos - Deputado Giancarlo Tomelin, quero apenas fazer um aditivo ao discurso de v.exa., pois sei da sua preocupação democrática.
Eu gostaria de acrescentar a ideia de não ser apenas Casa do Povo Barriga-Verde, porque esse termo é controverso, ligado, inclusive, ao regime militar da época e não tem muito apelo popular, não! Que tal Casa do Povo Catarinense?
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO GIANCARLO TOMELIN - Deputado Ismael dos Santos vamos analisar, sim, todas as propostas e todas as ideias são bem-vindas. Nós não somos donos da verdade, queremos um Parlamento cada vez mais próximo do cidadão, cada vez mais ao lado dos catarinenses, trabalhando com os catarinenses, para os catarinenses e pelos catarinenses.
Quando você, catarinense, acorda e vê as manchetes referentes ao Senado da República, manchetes que envergonham o Brasil, talvez possa dizer que lá virou um palácio. Talvez o palácio do presidente que resiste à idéia de deixar a Presidência do Senado, a fim de que ocorra a verdadeira higiene política pela qual precisa passar o Senado da República. Aqueles que criticam e que dizem que esta Casa tem continuar chamando-se Palácio Barriga-Verde que venham, defendam e que digam por que, deputado Jailson Lima, querem a manutenção da palavra palácio no nome do Parlamento catarinense.
Certamente haveremos de debater essa questão. É um projeto de resolução que encaminhamos para debate e tenho certeza de que a nossa Mesa Diretora, que já tem feito profundas mudanças para melhorar a classe política, a forma de fazer política, deverá acolhê-lo. Deputado Gelson Merísio, v.exa. que preside a sessão neste momento, por favor, leve à Mesa Diretora esse projeto de resolução, porque hoje os verdadeiros nobres não são os que moram em palácios, mas o povo que luta por mudanças, que luta por uma sociedade plural e livre, que luta por uma nova forma de fazer política e por uma nova classe política.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)