103ª Sessão Ordinária - 10/11/2009
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, creio que devemos fazer um requerimento formal. E já fazemos, deputado Joares Ponticelli, um requerimento verbal, para que os trabalhadores possam fazer uso da palavra por até dez minutos ainda na tarde de hoje, após ouvidos, é claro, todos os líderes.
Essa era a questão de ordem que eu iria fazer no microfone de apartes, mas estou fazendo aqui, da tribuna, com a generosidade do presidente ao me conceder um minuto a mais, porque creio que ninguém melhor do que eles para falar da situação que estão vivendo.
Já fomos acusados de muitas coisas pessoalmente por ser marido da Edileuza, presidente do SindiSaúde. Mas estou aqui justamente para dizer que queremos que eles falem e não que falemos, embora tenhamos muito para falar a esse respeito.
A Edileuza está afastada da greve e das atividades normais como presidente do sindicato por problemas de saúde, continua convalescente e, portanto, não tem nenhum sentido dizer que a greve foi construída politicamente. Até porque vocês todos estão aqui sem a necessidade de a Edileuza puxá-los pela mão, sem a necessidade de este deputado convidar, até porque estava desde a madrugada na cidade de Laguna, o que prova que o sindicato, com o vice-presidente Pedro e com toda a diretoria, com o amplo comando de greve e a categoria, sabe muito bem se representar e defender os seus interesses, mobilizar-se, organizar-se de forma autônoma.
O nosso dever como cidadão, como representante de parcela da sociedade catarinense, é apoiar a greve e o movimento dos trabalhadores da Saúde - movimento que é de vocês. A nossa atribuição aqui é apoiar, e apoiamos de forma integral, incondicional, como já colocamos em outra oportunidade.
(Palmas das galerias)
Quero transmitir o abraço da Edileuza, que agradece muito e comove-se com a força da categoria da qual ela faz parte, com a força de vocês, que têm conduzido esse movimento apesar de todas as ameaças, apesar de todas as afrontas, apesar de toda violência com que o governo vem criminalizando um movimento legítimo.
Que alguém do governo, da comunicação, venha dar uma olhada aqui, na Assembleia, para ver se ainda é preciso provar que esse movimento é legítimo. A categoria está aqui para provar isso.
Há 13 anos não há greve na Saúde. Será que é a greve que estraga a saúde pública de Santa Catarina ou são os maus governos que estragam a saúde pública de Santa Catarina?
(Palmas das galerias)
Faz 13 anos que não há nenhuma greve! A última foi em 1996! O que melhorou de lá para cá? O que melhorou foi pelo empenho e pela força dessas pessoas, dessa categoria que está aqui, porque os recursos são cada vez mais escassos.
Deputado Pedro Uczai, antes que termine o meu tempo, quero dizer que sou solidário, que a minha assinatura está lá e vai ficar, mesmo que sejam apenas 12 ou 13, porque na escola em que aprendi não me ensinaram a desassinar. No mundo em que vivo aprendi apenas a assinar. Quanto a desassinar, não aprendi.
(Palmas das galerias)
Temos que arcar com as consequências dos atos e das convicções que temos ao discutir segurança pública em todos os aspectos do sistema prisional, ao discutir os salários que estão aí provocando as maiores convulsões. Esses cartazes pedem 50% de aumento ao governador. E nós, praças, agentes prisionais queremos 25% de abono que o governo está dizendo que vai dar para os delegados.
Olhem a forma de tratamento salarial que estamos tendo em Santa Catarina. Nós queremos 1/4, que é o princípio da Lei n. 254, a diferença de um para quatro entre o maior e o menor salário.
O governo está dizendo que vai dar R$ 2.000,00 de abono para os delegados. Os oficiais estão aí para fazer greve porque também querem os R$ 2.000,00. Mas nenhum deles levanta a voz para lembrar o soldado que se está arrebentando, que está morrendo, que está levando tiro para defender a sociedade catarinense.
Quem defende os trabalhadores da Saúde? Cada governo promete melhorar, cada governo promete resolver. E vocês que estão aqui sabem que a maioria de vocês provavelmente votou no Luiz Henrique da Silveira, que agora trata a categoria como marginal.
Deputado Pedro Uczai, estão procurando cadáver na BR-101 para ver se colocam a culpa no pessoal da Saúde. É real! O Ministério Público e os órgãos de imprensa, que querem ser verdadeiros, precisam atentar para isso, porque estão procurando cadáver na BR-101, e não é difícil encontrar, para jogar na porta do hospital e dizer que foram eles que mataram por omissão.
(Palmas das galerias)
Isso, sim, é um crime. Isso, sim, é aviltar o direito do trabalhador. Isso, sim, é aviltar a sociedade catarinense, que paga todos os salários, inclusive o do governador e até do governador aposentado.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)