Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado João Henrique Blasi

87ª Sessão Ordinária - 18/10/2007

O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Sra. presidente, srs. deputados e sras. deputadas, não poderia permitir, num tributo à verdade, que a reiteração de uma mentira pudesse ganhar foro de veracidade. É o que acontece com a afirmação há pouco lançada aqui desta tribuna a desfavor do governador Luiz Henrique da Silveira.

Causa-me espécie, soa-me como uma extrema ironia que alguém que pertença a um partido que é sucedâneo da Arena, que foi o sustentáculo do regime de exceção da ditadura existente neste país, possa vir a esta tribuna e, sem cerimômia, assaque a desfavor do governador o absurdo, a ilogicidade de atribuir-lhe a participação naquele regime autoritário.

O político, o cidadão, o homem público Luiz Henrique da Silveira, naqueles anos estava combatendo a ditadura que se instalara em Santa Catarina. E não sou eu quem está a fazer esta afirmação, é a história de Santa Catarina, é a história do Brasil que assim o registra.

Mas faço questão de trazer e de ler o que consta a respeito do cidadão Luiz Henrique da Silveira nos arquivos da Dops, onde era o porão da ditadura, a respeito do nosso atual governador. É literal registro da época do regime ditatorial da Arena, hoje sucedida pelo PP, Partido Progressista.

Dali consta:

(Passa a ler.)

"Luiz Henrique da Silveira, residente na rua Frei Evaristo n. 32 - Fpolis/SC. Foi afastado das funções de escrivão da DOPS em 1961, por possuir idéias contrárias ao regime. Era articulista do jornal de esquerda, 'Fôlha Catarinense'. Respondeu a IPM, Inquérito Policial Militar, instaurado no 14º BC de Fpolis/SC. Atualmente é advogado e professor em Joinville/SC, continuando atuante no movimento comunista."[sic]

Este é o registro da Dops e esta é a verdade, o mais é mistificação, o mais é mentira que, pela sua reiteração, se pretende transformar em realidade. E o que me causa espécie, o que é uma verdadeira tragicomédia, tragédia para quem sente, e comédia para quem pensa, é alguém de um partido que hoje é o sucedâneo da Arena, que foi o sustentáculo do regime, que foi quem trouxe a revolução de 64, vir aqui, esquecendo a verdade, querendo macular a biografia política de um homem público com a retidão de caráter e com a postura do governador Luiz Henrique da Silveira.

O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Pois não!

O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - Deputado João Henrique Blasi, desculpe interromper o pronunciamento de v.exa., mas tenho que sair agora, pois tenho consulta médica, e gostaria de fazer o registro, com a permissão de v.exa., da presença dos vereadores e dos vereadores mirins, dos futuros vereadores de São Cristóvão do Sul e de Ponte Alta do Norte. Estão presentes aqui os vereadores titulares e os vereadores mirins, futuros vereadores de São Cristóvão do Sul e de Ponte Alta do Norte. Faço este registro com a permissão de v.exa.

O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Pois não, deputado Onofre Santo Agostini.

É importante que aqui estejam os vereadores e os vereadores mirins mencionados por v.exa., para que possam assistir ao que é democracia e, sobretudo, para que possam ver que a verdade, afinal, é o que prevalece contra assacadilhas feitas com o intuito meramente político e desprovidas de qualquer tipo de fundamentação.

O Sr. Deputado Manoel Mota - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Pois não!

O Sr. Deputado Manoel Mota - Quero cumprimentar o eminente deputado João Henrique Blasi, líder do governo nesta Casa, que tem tido um perfil e uma conduta extraordinária, homem de palavra, coerente com sua posição. Há quanto tempo fazíamos acordos e eles não eram cumpridos? E o eminente deputado tem cumprido religiosamente os acordos.

Gostaria de dizer que não entendo que aquelas pessoas que deram sustentáculo ao desaparecimento de tantos brasileiros, hoje venham aqui querer ser os puritanos do momento. Até parece que nós fomos os homens da revolução, do período difícil, dos anos 60, 70, quando muitos companheiros ficaram marcados e outros desaparecidos e até hoje sem ninguém saber nada sobre eles. E agora querem dar uma de puritanos, tentando inverter o processo para a sociedade.

Mas acho que a sociedade está atenta e conhece os homens que têm compromisso com este país, com este estado. O nome, a história de Luiz Henrique todo mundo conhece: é um homem comprometido com a democracia, que tem a visão soberana de tratar o estado e o país com sabedoria, com inteligência, mas é democrático. Tentam aqui crucificá-lo, porque sofreram várias derrotas, uma atrás da outra. Ainda não se conformaram, talvez precisem passar por mais umas derrotas para aprender a lição, porque a sociedade é muito inteligente e sabe dar lição.

Quero cumprimentar v.exa. pela maneira sábia como está fazendo este pronunciamento, mostrando o passado e o presente para as pessoas de bem e que estão vivendo do nosso lado.

O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Agradeço a intervenção de v.exa, deputado Manoel Mota, e as manifestações de gentileza à minha pessoa.

Concluo, antes de ceder o tempo restante à deputada Ada De Luca, por fazer aqui um registro de que muito se falou ao longo desta semana, nas sessões de terça-feira e de ontem, da necessidade, da importância, da imprescindibilidade até, de o governo do estado receber o Sindicato dos Trabalhadores da Educação - Sinte - para continuar o diálogo antes iniciado.

Por intervenção nossa e de uma série de deputados, ontem, pela manhã, quarta-feira, dia 17, o secretário estadual de Articulação Política, Ivo Carminati, recebeu em seu gabinete, no Centro Administrativo, o Sinte, o que era uma obrigação sua e que foi cumprida, numa conversa franca, num diálogo aberto e transparente, ouviu as reivindicações e fez as suas ponderações. Mas não ouvi aqui de nenhum deputado de Oposição, que bradava insistentemente para que essa audiência ocorresse, nenhum registro a respeito do fato que aconteceu.

Srs. deputados, também não posso deixar agora de me manifestar ao final sobre a medida judicial tomada pelo governo do estado de Santa Catarina, no sentido de procurar fazer com que não haja a interrupção do trânsito e a possibilidade de se criar um ambiente de hostilidade eventual na frente do Centro Administrativo. Conversava há pouco - e aqui está presente o presidente do Sintespe, o sr. Mário - e não entendo como alguém aqui disse que recorrer ao Poder Judiciário possa ser considerado como um ato ditatorial ou arbitrário. Recorrer ao Poder Judiciário é direito inalienável de cada cidadão e também das pessoas jurídicas. Afinal de contas, diz a Constituição que ninguém pode ser impedido de buscar os seus direitos ante o poder competente, que é o Poder Judiciário.

Pois bem, o governo do estado, com base em situações pretéritas que conturbaram o trânsito na SC-401, que levaram a uma série de problemas, resolveu precaver-se, pediu e obteve do Poder Judiciário uma decisão em sede de interdito proibitório vedando a possibilidade de que haja manifestação naquele local.

O que eu disse há pouco ao presidente do Sintespe reitero agora: vou conversar com o secretário da Administração, Antônio Gavazzoni, que já vem mantendo conversações com o Sintespe - e aí eu não entendo, pois se as conversações estão abertas, por que fazer uma assembléia na frente do Centro Administrativo -, para que ele possa receber, como já o fez em oportunidades pretéritas, a direção do Sintespe para continuar a debater e a buscar um encaminhamento para suas pretensões, que serão atendidas na medida das possibilidades do erário estadual.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)