Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Antônio Ceron

50ª Sessão Ordinária - 02/08/2005

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, neste retorno aos trabalhos aqui na Casa queremos, inicialmente, em nome do meu partido, o PFL, externar e deixar público aqui, embora com atraso, o sentimento de pesar pelo falecimento do ex-Secretário, professor Jacó Anderle, um amigo nosso, do Deputado Nilson Gonçalves e de toda Santa Catarina que, infelizmente, foi chamado prematuramente.

Portanto, o nosso pesar e o nosso sentimento pela falta que nos faz o professor Jacó Anderle.

Mas, Srs. Deputados, neste primeiro dia, no horário de meu partido, quero trazer aqui na tribuna alguns assuntos que tomam conta da opinião pública brasileira e que são do interesse de toda a sociedade brasileira. Este momento por que passa o cenário político nacional é delicado, conturbado, mas também é importante. Embora estejamos numa Casa Legislativa do Estado, não temos como dissociar da nossa ação diária este assunto para refletirmos, até porque ele traz conseqüências imediatas não só a nós, Parlamentares, mas a toda a população do nosso estado de Santa Catarina.

Gostaria de dizer que, assim como este é um momento delicado, conturbado, ele é importante. E esperamos que ao final deste episódio - e tomara que ele seja transposto rapidamente - nós, brasileiros, assim como também a sociedade brasileira, possamos ressurgir mais purificados, mais preparados para os grandes trabalhos, para as grandes batalhas que o Brasil precisa encetar ainda para poder devolver mais qualidade de serviço e de vida a toda a sociedade brasileira. Mas nós, neste momento, Deputado Paulo Eccel, não podemos esconder que, na verdade, está exposta uma situação difícil, mas real.

Eu quero aqui parabenizar o presidente e a executiva nacional do meu partido, o PFL, pela sua posição e postura ao longo deste debate que está acontecendo principalmente no Congresso Nacional. Gostaria de dizer que é exatamente este o pensamento do nosso presidente nacional, Senador Jorge Bornhausen, com o qual nós comungamos totalmente e apoiamos. Não vamos fazer deste episódio nenhuma caça às bruxas, nenhuma condenação precipitada ou sumária. Mas vamos fazer com que esta oportunidade nos dê a chance de passarmos a limpo uma série de questões que nós temos.

E se num passado não muito distante, Deputado Vilson Vieira -, o governo e o Partido dos Trabalhadores tivessem tido a sensibilidade de acatar a opinião e o clamor público já nas denúncias dos bingos, no caso Waldomiro Diniz, essas questões com certeza não teriam atingido o estágio e as proporções que tomaram. Ficou leve e correu solto, por falta de experiência ou de um melhor conselho. Entenderam que podiam tudo e acabaram colocando até pessoas sérias e ingênuas em uma situação difícil e constrangedora.

Pessoalmente, Deputado Joares Ponticelli, e não partidariamente, eu faço uma torcida danada para que nenhum catarinense esteja envolvido, independente do meu partido e de outros partidos aliados, ou não, politicamente, até porque ao longo da história de Santa Catarina tem uma tradição de passarmos ao largo de todas as grandes denúncias de corrupção que aconteceram. E torço agora para que novamente consigamos passar ilesos e imunes nesta grande discussão que está acontecendo em nível nacional.

E com a responsabilidade que todos devemos ter, o PFL vai se portar como um partido de Oposição responsável, mas que não vai sentar à mesa para fazer, conforme as próprias palavras do nosso presidente nem acordo nem acordinho nem acordão. Não cabe a defesa de governo, de governantes ou de Parlamentares. O que cabe neste momento é a defesa do povo brasileiro. Em nome da governabilidade e de uma economia frágil, não se pode tentar jogar embaixo do tapete ou para atrás da porta podridões que acontecem. Se sempre aconteceram, que se aproveite o momento para tirar a limpo e preparar a nossa nação, o nosso país para o futuro.

Então, queremos deixar como primeira parte desta colocação a nossa preocupação e a nossa crença de que depois disto tudo vão rolar algumas cabeças, como já rolaram! Já rolaram um Ministro e um presidente de partido no dia de ontem, e evidentemente nos próximos dias vamos ter novidades.

Mas o povo brasileiro quer a verdade e que os culpados sejam punidos, mas não os inocentes porque, muitas vezes, maldosamente, aparecem insinuações e até listas apócrifas. E devemos aproveitar esta situação ímpar que temos para, de maneira sóbria, de maneira serena, sem fazer aquelas campanhas de fora esse ou aquele, sem usar pseudos escudos, falsos escudos para esconder aquilo que está errado... Se for do PT, que se puna; se for do PL, que se puna também. Não é a imunidade, eu disse e repito, que conta! O povo é que tem que ser defendido! O escudo que tem que ser colocado é para a defesa da dignidade, da honradez e, principalmente, da perspectiva de vida com mais decência para o povo brasileiro.

O Sr. Deputado Joares Ponticelli - V.Exa. nos concede um aparte?

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Antes de conceder apartes, também quero trazer para Santa Catarina esta discussão porque hoje inicia-se um semestre e espero que este Parlamento seja palco de grandes debates que a sociedade de Santa Catarina vai ter. Eu entendo que a política não é uma rinha na qual vamos ver quem ganha ou quem bate mais.

Esperamos que possamos, exatamente vislumbrando as dificuldades que temos aqui no estado, criar, a partir desta tribuna e deste Parlamento, uma ferramenta para que também possamos dar condições para que a nossa população tenha um melhor retorno do dinheiro do imposto que ela paga, e também fazer com que o PFL continue a ser aqui na Assembléia Legislativa um partido de Oposição, como o povo o delegou, mas que saberá, respeitando a individualidade e o caso a caso que aqui vier a ser discutido, tomar a sua posição, aprovando aquilo que entender ser necessário aprovar e rejeitando e contestando, até com veemência, aquilo que entender não ser bom para o estado de Santa Catarina. E a partir daí nós, do PFL, começaremos a desenhar e a discutir com a sociedade de Santa Catarina, caro Deputado líder do PMDB, Manoel Mota, o projeto que o PFL entende ser o ideal para governar o estado de Santa Catarina a partir de 2007.

Não queremos ter a pretensão de possuirmos o melhor candidato, não queremos ter a pretensão de possuirmos a melhor proposta, mas queremos ter a oportunidade, com muita humildade, de apresentar a Santa Catarina, Deputado Pedro Baldissera, uma nova proposta alternativa de como podem ser mantidos os sucessos e as vitórias que nós já obtivemos, de implantar também uma política administrativa que possa superar aqueles hiatos administrativos e aqueles vácuos de desenvolvimento que porventura o nosso estado de Santa Catarina ainda não tenha.

Deputado Joares Ponticelli, peço escusas por não poder lhe ter dado a oportunidade do aparte que, com certeza, não só recuperaria o meu pronunciamento, mas também traria um enriquecimento.

Hoje, em nome da minha bancada, quero desejar aqui na Assembléia de Santa Catarina um bom trabalho a todos os 39 colegas Deputados estaduais neste segundo semestre, e que os grandes temas que precisam ser discutidos aqui em Santa Catarina com profundidade tenham nesta Casa o palco e a oportunidade para, de maneira altiva, independente e com a consciência de cada um de nós e com a nossa capacidade...

(Discurso interrompido pelo término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)