53ª Sessão Ordinária - 28/06/2006
O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. presidente e srs. deputados, venho à tribuna desta Casa para falar sobre algumas questões, sobre a coligação e sobre a convenção do meu partido, que, aliás, foi uma grande convenção, a qual aprovou integralmente o nosso governador do estado licenciado, Luiz Henrique da Silveira, como candidato novamente ao governo de Santa Catarina. Esse homem inovou, implantou uma nova forma de governar no Brasil, uma forma moderna, porque a que está no governo federal e nos demais estados é uma forma copiada das ordenações manuelinas de mais de três séculos atrás em nosso Brasil.
À época da monarquia, o governante que trazia modernidade mexia com muitos interesses daqueles que viviam em volta da corte na capital, porque a monarquia só acabou no papel em 1889, mas continuou com os privilégios daqueles que vivem em volta do poder na capital da República e daqueles que vivem em torno do poder nas capitais dos estados.
Portugal é um país muito pequeno, por isso é governado e tudo é decidido em Lisboa, por isso o seu modo de gestão pública é centralizado. Mas o Brasil é um país continental e copiou tantas coisas de outros países avançados, inclusive leis que não podem ser aplicadas, mas não copiou o mais importante, que é o modelo de descentralização dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Espanha, da Itália e da Alemanha, e tem gente que quer manter os privilégios e quer que tudo continue na capital, infelizmente alguns até do interior! E o pior, para prejudicar a capital, aqui se juntaram pessoas que vieram do interior em busca do Eldorado e acabaram criando problemas sociais, inclusive grandes problemas de criminalidade.
As pessoas precisam viver felizes onde nasceram, nos seus lugares de origem, e o governo tem que desenvolver os municípios onde as pessoas moram, onde vivem e não concentrar os recursos num só lugar, aos moldes das ordenações manuelinas do tempo do Brasil colônia.
Existem pessoas que ficam despeitadas quando um grupo de políticos, na democracia representativa, de forma legítima, faz uma coligação - porque isto é da democracia -, de forma limpa, aberta. Essa coligação foi tentada por quem nos criticou, porque estiveram nesta Casa, tentaram e não conseguiram. Não tiveram capacidade e competência para fazer essa coligação, e agora, de forma despeitada, vêm dizer que é um ajuntamento desrespeitoso.
Ora, na democracia os partidos políticos, os homens públicos têm que se respeitar. Podem criticar os seus atos, as suas formas de gestão e administração. Mas apontem se não gostariam de ter feito essa coligação aqui criticada, sr. presidente, deputado Julio Garcia! É triste que aqueles que tentaram fazer a coligação que Luiz Henrique e Eduardo Pinho Moreira conseguiram, juntando PMDB, PSDB e PFL, já numa mesma convenção, agora critiquem.
Há até alguns que em Brasília, na tentativa de fazer o máximo, tiveram que usar um instrumento chamado "mensalão". Juntaram partidos da extrema direita, fascistas e todos os pensamentos políticos, comunistas e socialistas, uniram todos os tipos de pensamentos políticos. Lá puderam fazer! Aqui, às claras, de forma correta, nós não podemos?!
Porque o PMDB, já em 1985, para derrubar a ditadura militar, uniu-se com parte do PDS, que fundou a Frente Liberal, que se transformou depois no Partido da Frente Liberal, e juntos derrotaram a ditadura militar, sem armas, é claro! E o PSDB nasceu do seio do PMDB! Por que, então, rotular de coligação esdrúxula? Por que surpreende alguém uma coligação mais do que legítima de pessoas com idéias próximas? E essas pessoas se aproximaram pela prática da descentralização. Os deputados do PSDB e do PFL votaram a favor de todos os projetos da descentralização nesta Casa. Por quê? Porque se tratava de uma proposta política moderna, que o governo de Luiz Henrique da Silveira e Eduardo Pinho Moreira implantou. Aliás, foi a única proposta, neste país, com coragem de ser apresentada ao povo na campanha e aplicada no governo. Porque muita gente apresentou propostas e deu o calote, cometeu o estelionato, passou cheque sem fundo, não cumpriu o contrato com o povo brasileiro, não cumprindo as suas propostas e os seus princípios.
O deputado Paulo Eccel veio aqui ler a opinião de um jornal, que eu respeito. Mas não é por isso que devo concordar com ela, como ele muitas vezes não concorda quando a Folha de S.Paulo fala contra o seu partido. Eu também não sou obrigado a concordar com um analista político.
Agora, devem ser respeitas a postura e a posição do PMDB, do governador Luiz Henrique e deste deputado que fala desta tribuna e que muitas vezes estendeu a mão e procurou defender o governo Lula nesta Casa. O governador estendeu a mão, foi o primeiro a mandar uma carta de solidariedade a José Dirceu. Estendemos a mão para o PT.
É bem verdade que o deputado que hoje é prefeito de Itajaí e a deputada Ana Paula Lima sempre estiveram simpáticos e quiseram a aproximação com o PMDB. Mas muitos, infelizmente, foram vencidos dentro do Partido, e nós fomos excluídos da relação que tínhamos de proximidade com o PT. Foi o PT que não nos quis; nós queríamos a proximidade. Agora, se não nos quiseram, o jogo está feito, o jogo está aí, as cartas estão lançadas! É um ano eleitoral e é mais do que legítimo...
Deputado Joares Ponticelli, v.exa. que me perdoe, mas não coloque de forma pejorativa, como gosta de fazer escárnio da aliança, do trabalho dos outros. V.Exa. conseguiu ficar sozinho. E vai ficar assim ou vai ficar com o PV? Nós respeitamos v.exa. e o partido, pois foi o que v.exa., com a sua competência, conseguiu. Sucesso, felicidades! Que tenha sucesso no seu trabalho e se puder ter resultado positivo, ótimo! Isso faz parte da democracia.
Nós buscamos o pensamento de consenso da sociedade catarinense, principalmente da sociedade do interior de Santa Catarina, que vê, sim, deputado Joares Ponticelli, as obras sendo realizadas com a descentralização, coisa que os governos passados não conseguiram fazer o povo ver, porque o dinheiro ficava para meia dúzia, para um grupo só da capital. Agora se vê na capital e no interior.
Eu até me admiro como conseguimos aproveitar tanto o dinheiro público neste governo. Como é que conseguimos fazer tantas obras? Onde estava o dinheiro, que agora ele aparece e que antes não aparecia? Onde estava o dinheiro na centralização? Porque agora, com a descentralização, são inúmeras obras em todas as áreas: na educação, na saúde, nos transportes, na segurança, na área social. Enfim, todas as regiões receberam milhões e milhões de reais, o que no passado não conseguiam receber.
Havia uma só secretaria no oeste que foi fechada no governo passado. Perguntem no oeste catarinense, se o governo não for Luiz Henrique e Pavan, qual será a secretaria regional que eles vão fechar primeiro? Digam para o povo de Santa Catarina qual será a secretaria que irão fechar, das 30. Se tiverem coragem, eu quero que apontem aqui qual será a secretaria que será fechada. Quero que fique registrado isso nos anais desta Casa. E fica aqui o desafio: qual será a secretaria que, se forem eleitos, o que não vai acontecer...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)