Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Ideli Salvatti

88ª Sessão Ordinária - 13/11/2001

A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, neste final de semana o Partido dos Trabalhadores realizou o seu encontro estadual, onde compareceram mais de 400 lideranças do Partido de todo o Estado, Prefeitos, Deputados, Vereadores, lideranças sindicais e do Movimento Popular.

Militantes do nosso Partido se debruçaram durante dois dias no debate, no aprofundamento da organização partidária, na discussão das eleições do ano que vem, no debate sobre a política de alianças, nas nossas candidaturas majoritárias, nas conjunturas nacional e estadual, na perspectiva, bastante concreta, que temos de mais uma vez disputarmos a Presidência das República numa conjuntura em que cada vez mais se desenha a possibilidade de a candidatura que o PT vai encabeçar, num arco de alianças, poder estar governando o País a partir de 2003, bem como aqui em Santa Catarina a candidatura que o PT também vai buscar construir, juntamente com outros Partidos, estar na disputa para ir para o segundo turno e governar o nosso Estado.

Nesse debate feito no encontro estadual também ficou muito claro que os ataques que o Partido dos Trabalhadores vem sofrendo no último período, que chegam às raias do absurdo dada a visibilidade, a situação de primeiro lugar, de colocação ostensiva, de buscar, a qualquer custo, dar visibilidade aos ataques, às calúnias ao nosso Partido e às nossas administrações, ainda - e é essa a nossa avaliação - vão ser café pequeno frente ao que se avizinha quanto mais formos chegando perto de outubro do ano que vem.

Já somos escaldados, Deputado Volnei Morastoni, porque já estivemos na disputa da Presidência da República por três vezes. E posso listar alguns episódios que as pessoas lembram: o PT foi acusado de estar envolvido no assassinato de trabalhadores, no Município de Leme, bem nas vésperas da eleição; no dia da eleição, foi acusado de estar envolvido no seqüestro de Abílio Diniz; de ter envolvimento com corrupção em diversos casos, Lubeca; aquela palhaçada das acusações com relação ao aparelho de som do Lula, do apartamento dele.

E, escaldados que somos, todas estas acusações à beira do processo eleitoral, e nada disso se confirma. Portanto, temos a clareza de que os ataques vão se ampliar, vão aumentar e têm como objetivo central desestabilizar as candidaturas do Partido dos Trabalhadores, que nesta conjuntura estão cada vez mais colocadas como candidaturas com grande viabilidade eleitoral.

Não é à toa que se busca jogar o PT na vala comum. As eleições de 2000, Deputado Francisco de Assis, tiveram uma tônica muito clara, em que a população deu votos significativos para a mudança de projeto, mudança na forma de governar e na perspectiva de atendimento às reivindicações da maioria da população, e também deu uma resposta muito firme, muito forte contra a roubalheira e a corrupção que imperam neste País.

E como a conquista de inúmeras Prefeituras foi a tônica das eleições de 2000, como isso ficou carimbado e, indiscutivelmente, contribuiu, além de diversos outros fatores, de forma significativa, também para o crescimento do Partido dos Trabalhadores... Várias Prefeituras tiveram muito forte essa característica do combate à corrupção, vide a questão da Prefeita Marta Suplicy, em São Paulo, que teve uma campanha frontal à corrupção carimbada pelos Srs. Maluf e Celso Pitta, do PPB.

Então, essa questão da ética na política, essa questão de tratar de forma correta os recursos públicos e ter transparência e participação popular, os Partidos de apoio ao Fernando Henrique (PPB, PFL, PTB, PSDB, PMDB) têm clareza que precisam jogar o PT nessa vala, precisam tirar do foco da questão da corrupção todas as lentes que estão colocadas sobre as atitudes que eles tomam, que eles praticam há décadas e décadas no nosso País.

Portanto, não vão ter nenhum tipo de situação de se preocupar, de fazer as coisas com o mínimo de qualidade, de coerência, de lógica, não! Vai valer qualquer coisa, vai valer tudo para colocar o PT na vala comum.

E nós, que já estamos escaldados por esse tipo de procedimento, estamos nos preparando também para poder enfrentar toda essa saraivada de ataques que estão se armando contra o nosso Partido e as nossas administrações.

E, obviamente, eu não poderia deixar de citar aqui algumas questões, alguns casos. Inclusive, faço questão de entregar a cada um dos Parlamentares, à imprensa... Vamos fazer também aqui em Santa Catarina a distribuição, que está sendo feita no Rio Grande do Sul, a respeito de qual é a trama, qual é a armação que está colocada na questão da dita CPI da Segurança Pública, que de segurança pública no Rio Grande do Sul não investigou nada, Deputado Gelson Sorgato.

Aliás, o Luís Fernando Veríssimo, que é um cronista reconhecido pela sociedade brasileira e que não é do PT, portanto, não tem nenhum problema de estar fazendo a defesa dos petistas, tem uma pequena crônica que se intitula Cheiro de sangue, em que coloca, de forma muito clara, que a CPI da Segurança virou CPI do jogo do bicho, que virou CPI do Diógenes, que virou CPI se o Olívio mandou ou não mandou o Diógenes, e que acabou virando CPI do PT. E ele termina a crônica dizendo assim:

(Passa a ler)

"(...) a CPI para pegar o PT de qualquer jeito, mesmo com o sacrifício de qualquer pretensão à isenção ou à compostura. A expressão ‘sentir o cheiro de sangue’ é apropriada para explicar o alvoroço do consórcio de ressentidos que desde o primeiro dia deste Governo reagiu, com uma virulência até então desconhecida por aqui, a um Partido que, além do desplante de contrariar interesses poderosos e o acinte de querer ser diferente, ainda teve a ousadia de ser eleito."É assim que termina a crônica Cheiro de sangue, do cronista Luís Fernando Veríssimo.

Não bastassem todas as informações que fazemos questão de passar a cada um dos Parlamentares, colocando quem está por trás, efetivamente, da jogatina clandestina, quem são os delegados da CPI, quais são os envolvidos, qual é a trama que está armada, o que a CPI não investigou, quem são os grandes grupos econômicos que estão por trás e alimentando todo esse procedimento, nós vamos nos preparar cada vez mais.

E aqui em Santa Catarina tivemos uma pequena coincidência. Tem as investigações; as questões relacionadas à nossa administração em Blumenau; a questão do Santo Antônio já esteve há mais tempo na Ordem do Dia, não se constituiu CPI na Câmara de Vereadores; o Promotor tem uma série de situações para investigar, inclusive na área da saúde do Município em administrações anteriores à do PT. E no dia seguinte ao encontro estadual do PT, em que o nosso companheiro Décio Lima volta a ser referendado como um dos nomes prováveis para a candidatura do Governo do Estado, juntamente com o Prefeito de Chapecó, José Fritsch, inclusive até com uma perspectiva de vir a acontecer prévias para a escolha do candidato ao Governo do PT, por coincidência, desde maio tudo paradinho, lá vem o Ministério Público e indicia o Décio e mais uma série de pessoas, inclusive o Secretário da Saúde atual, tentando responsabilizá-lo por atos do período em que ele não estava à frente da Secretaria da Saúde.

Então, é coincidência demais para nós. Isso, indiscutivelmente, faz parte desse contexto do ataque, de jogar o PT para a vala comum. E isso só demonstra o medo e o desespero daqueles que podem vir a perder toda a estrutura do poder, da qual se apropriaram ao longo de décadas em benefício próprio e de seus grupos econômicos.

Muito obrigada!

(SEM REVISÃO DA ORADORA)