96ª Sessão Ordinária - 05/12/2001
O SR. DEPUTADO JOÃO ROSA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, antes de iniciar a minha manifestação a respeito de uma situação da minha cidade, Joinville, no tocante à questão da segurança pública, quero, neste momento, saudar e cumprimentar os profissionais da área da saúde de Joinville, que aqui estão na expectativa, na esperança de verem aprovada uma matéria que, com certeza, consta da pauta da Ordem do Dia de hoje. São profissionais do mais alto gabarito técnico e ético e, acima de tudo, profissionais que exercem as suas funções com amor e com dedicação no Hospital Regional de Joinville.
Portanto, é uma honra e um prazer tê-los nesta Casa, na tarde de hoje.
Dito isto, quero, neste momento, fazer referência a uma situação criada em Joinville quanto à questão da segurança pública.
Há alguns meses criou-se, em Joinville, um estado de insegurança baseado numa onda de crimes que ocorriam naquela cidade, não diferente de outras cidades do Estado, a exemplo de Florianópolis, Criciúma, Lages, Blumenau, Tubarão. Enfim, o crime campeia pelos quadrantes do Brasil, pelos quadrantes de Santa Catarina. E Joinville não é exceção.
O Governo do Estado, através da Secretaria da Segurança Pública, atendendo ao apelo da comunidade, da sociedade e de políticos de Joinville, determinou que medidas fossem tomadas para que se resolvessem as questões da segurança de Joinville.
Para lá foram encaminhados diretores, funcionários, assessores, enfim, criou-se até um duplo comando na Delegacia Regional de Joinville. Infelizmente, tenho que admitir isso, não por culpa do Governo, não por culpa do Sr. Secretário da Segurança Pública, mas talvez por culpa daqueles que não entendem o mecanismo social de Joinville e que saem da Capital do Estado e vão para o interior com pose, com panca e com comportamento de quem sabe mais do que todo mundo, de quem tem o poder e a capacidade de, num ato só, com uma varinha de condão, resolver os problemas de Santa Catarina. Vão para lá com prepotência, com comportamento de ser agressivo, de mandar e comandar.
Em Joinville, a situação não melhorou. As mudanças que lá ocorreram, acredito até que com intenção de melhorar, não resolveram a situação de Joinville. Continuam os assaltos, os roubos, os assaltos a banco, furto de automóveis, que só no final de semana foram 15.
Isso prova que a questão não era de administração! O problema de Joinville é falta de estrutura. Não se deve mandar para Joinville uma plêiade de iluminados de Florianópolis para lá dividir comando, complicar e criar situação constrangedora àqueles que necessitam dos serviços de segurança pública!
Como exemplo, fecharam dois distritos policiais: um no Bairro Floresta e outro no Bairro Iririú, dois bairros muito grandes, com população até maior que muitos Municípios de Santa Catarina, e o povo ficou sem referência de segurança pública para procurar um órgão para atender aos seus reclamos, às suas necessidades.
A Delegacia de Acidente de Trânsito, que funcionava no centro da cidade, no Complexo do Boa Vista, foi montada num bairro distante, de difícil acesso e localização, a ponto de o Jornal A Notícia, para ajudar a comunidade, colocar numa página um mapa sinalizando a localização da nova delegacia.
Com relação ao atendimento no Ciretran, o povo estava sendo atendido precariamente, é verdade, mas no interior do prédio, e hoje o povo está sendo colocado em fila na rua, Sr. Presidente, Deputado Francisco de Assis, à mercê das intempéries - chuva e sol -, enquanto que alguns privilegiados despachantes estão sendo atendidos numa sala específica, criada por alguém de Florianópolis, que foi para lá resolver os problemas. Só que ao invés de resolver os problemas, está privilegiando alguns poucos em detrimento da sociedade de Joinville, que precisa de melhor atendimento.
Sempre defendi um tratamento igualitário aos profissionais que tratam, que cuidam, que trabalham na questão do encaminhamento de documentos, os despachantes, ao povo que vai lá resolver seus problemas de forma independente, por iniciativa própria. Isso não está ocorrendo, hoje, em Joinville.
Mais um exemplo. Um funcionário do Ciretran de Joinville estava operando todas as impressoras, na quinta-feira passada, atendendo exclusivamente despachantes de Joinville. E o povo na fila na rua, sob um sol de 30º, esperando ser atendido.
Uma servidora foi até esse funcionário e levantou a questão: por que você está priorizando atendimento aos despachantes enquanto o povo está na rua? Resposta da funcionária: "Estou atendendo determinação de um Delegado do Detran de Florianópolis."
Isso tem que ser denunciado, Deputado Adelor Vieira! Mesmo fazendo parte do bloco governista, que dá sustentação ao Governo nesta Casa, tenho certeza de que o Governador Esperidião Amin não apoia este tipo de comportamento, é contra esse tipo de discriminação, é contra esse tipo de privilégio!
Um funcionário subalterno do Detran, que acompanha o Sr. Diretor lá em Joinville, está mandando mais que os Delegados que comandam a Delegacia Regional de Joinville! Está dando ordem! Está fazendo determinação, enquanto os Delegados não tomam conhecimento disso.
Então, concluo dizendo o seguinte: panela que muito mexe, vira angu. E eu não gosto de angu, Deputado Adelor Vieira, e vou continuar criticando se a situação perdurar.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)