Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Professora Odete de Jesus

7ª Sessão Ordinária - 05/03/2002

A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - (Passa a ler)

“Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sra. Deputada, prezados senhores e senhoras, era o dia 08 de março de 1857 e na cidade de Nova Iorque 129 operárias têxteis reivindicavam aumento de salário, redução da jornada de trabalho de 16 para oito horas diárias, melhores condições de trabalho e licença-maternidade. Foi a primeira greve conduzida por mulheres de que se tem conhecimento.

A polícia reprimiu o movimento com violência e os patrões, após terem trancado as portas, atearam fogo na fábrica e o saldo foi a morte de todas elas.

Desde 1975, comemoramos nesta triste data o Dia Internacional da Mulher. Será que 145 anos depois ainda há reações tão grotescas contra movimentos por justiça e direitos humanos? Sim, há!

Não se tem notícias de que mais de uma centena de mulheres sejam queimadas vivas. Entretanto, 2/3 das agressões sofridas pelas mulheres ocorrem dentro de casa.

Afora a violência física, falemos na condição da mulher desde o descobrimento do Brasil: a mulher era tida apenas como gestora de mão-de-obra barata.

Darcy Ribeiro exemplifica com o ‘cunhadismo’, explicando que os casamentos dos europeus com índias formalizam uma relação de parentesco que visava a contabilização de um enorme número de familiares da noiva que estariam a serviço do noivo.

Não podemos, infelizmente, achar que esses fatos sejam simplesmente parte da história. Os índices de violência contra a mulher aumentam e temos acompanhado a proliferação do tráfico de mulheres, da prostituição infantil e do turismo sexual em nosso País.

A banalização da sexualidade tem acarretado um grave aumento da gravidez na adolescência, além da mortalidade materna, que no Brasil chega a 200 óbitos em cada 100 mil crianças nascidas.

Estima-se que no Brasil morram 5 mil mulheres por ano em decorrência de complicações na gravidez, parto ou pós-parto.

As maiores causas de mortes das mulheres são problemas circulatórios e câncer uterino, doenças para as quais o diagnóstico é fácil e a cura assegurada, caso seja feito um tratamento com antecedência.

A má qualidade do serviço de saúde e a falta de um atendimento especializado voltado para a saúde reprodutiva da mulher são mortais. Podemos falar também nas diferenças de salários das mulheres que ocupam os mesmos cargos que homens nas empresas ou nas mais diversificadas formas de discriminação que foram criadas para dificultar a ascensão da mulher na sociedade.

O Dia Internacional da Mulher simboliza justamente a luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres. E não se pode dizer que se trata de uma luta do passado.”

Srs. Deputados, eu diria que 08 de março é um dia como qualquer outro e que não se deve comemorar somente um dia como o Dia Internacional da Mulher, porque a mulher é a rainha do lar e dever ser homenageada todos os dias, porque em todos eles ela é importante e vital na vida de um familiar, de um filho, do esposo, cuidando da sua casa, arrumando o material do filho, preocupando-se com a educação do filho e também com o seu esposo.

Então, eu diria que o Dia Internacional da Mulher, Sr. Presidente, não é somente o dia 08, mas, sim, todos os dias.

Agradeço a oportunidade e desejo parabéns a todas as mulheres catarinenses!

Muito obrigada!

(Palmas)

(SEM REVISÃO DA ORADORA)