98ª Sessão Ordinária - 21/09/1999
O SR. DEPUTADO ADELOR VIEIRA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, hoje, 21 de setembro, é um dia comemorativo, conhecido por todos nós como o Dia da Árvore, mas também é o Dia do Radialista. Tanto a árvore, que tem um significado vital para o ser humano, quanto o radialista são figuras imprescindíveis à nossa sociedade.
Eu vou tecer algumas considerações a respeito do radialista, mais precisamente do instrumento que usa, o rádio, e se me sobrar algum tempo, vou falar também sobre a importância da árvore, senão falarei em uma outra oportunidade.
A história da radiodifusão é muito rica, de apenas um século, ou pouco menos. E no Brasil, mais propriamente dito, ela apareceu apenas nos idos de 1922, portanto, tem apenas 76 anos de idade.
(Passa a ler)
"A radiodifusão, em si mesma, não foi uma descoberta mas, sim, o desdobramento, em novo campo, da aplicação da radioeletricidade. Para o seu desenvolvimento contribuíram cientistas e técnicos de muitos países, com seus estudos sobre eletromagnetismo, e a partir do final do século XIX começou a evoluir.
Na Rússia, Aleksandr Stepanovitch Popov e, no Reino Unido, Sir Henry Bradwardine Jackon e Sir Oliver Joseph Lodge conseguiram, em 1895 e 1896, transmitir sinais a pequenas distâncias. Coube, entretanto, ao italiano Guglielmo Marconi registrar em junho de 1896, em Londres, a primeira patente de um sistema de radiocomunicação inventado com base em pesquisas anteriores de Michael Faraday, James Maxwel, Heinrich Rudolf Hertz e outros. Já no mês seguinte Marconi emitiu sinais e captou-os a uma centena de metros. Essa distância ampliou-se, no mesmo ano, para dois quilômetros e, em maio de 1897, para 13 quilômetros.
Começaram, a partir de então, as emissões radiofônicas. Em 1908, Lee De Forest realizou, do alto da torre Eiffel, uma emissão ouvida nos postos militares da região e até pelo técnico em Marselha. Um ano depois, a voz do tenor Enrico Caruso era transmitida do Metropolitan Opera House. Em 1916, De Forest instalou uma estação emissora experimental em Nova Iorque. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, a radiofonia progrediu rapidamente e cresceu em vários pontos do universo.
No Brasil, a primeira emissão radiofônica oficial brasileira ocorreu no Rio de Janeiro, em 7 de setembro de 1922, como parte das comemorações do centenário da Independência. Uma estação montada no alto do Morro do Corcovado irradiou músicas e um discurso do Presidente Epitácio Pessoa. No ano seguinte, entrava em funcionamento na Praia Vermelha uma estação adquirida pelo Governo que transmitia programas literários, musicais e informativos.
A primeira radiodifusora de caráter permanente foi a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Fundada em 20 de abril de 1923 por Henrique Charles Morize e Edgar Roquette Pinto, instalou-se na Academia Brasileira de Ciências. Seu prefixo PRA2 foi assumido, posteriormente, pela Rádio Ministério da Educação. A partir daí o número de difusoras não parou de crescer: instalaram-se estações em praticamente todas as capitais do País. No início as programações eram feitas por particulares que compravam o tempo às emissoras, angariavam publicidade e contratavam artistas de sucesso popular. Entre os pioneiros da radiodifusão brasileira figuram Renato Murce, Ademar Casé, Luís Vassalo e Gastão Lamounier.
Passaram pelo rádio e ali ganharam nome alguns dos melhores intérpretes e compositores da música popular brasileira, entre os quais Carmem Miranda, Noel Rosa, Ari Barroso, Sílvio Caldas, Orlando Silva, Vicente Celestino, Lamartine Babo, Francisco Alves, Pixinguinha, Marlene, Emilinha Borba, Elisete Cardoso e Araci de Almeida.
Na década de 1930, as emissoras começaram a se distinguir pelo estilo. A Agência Nacional, estatal, passou a transmitir em cadeia nacional compulsória A Hora do Brasil, programa criado pelo Estado Novo. A Rádio Mayrink Veiga, com seu radioteatro, foi um celeiro de radialistas que ali fizeram seu aprendizado. A Rádio Jornal do Brasil adotou uma linha mais austera, que incluía a divulgação de música erudita. A Rádio Nacional renovou a radiodifusão emprestando-lhe uma estrutura mais rica e variada. Valorizou os eventos esportivos, a paixão nacional pelo futebol, os programas de auditório e o radioteatro.
A partir da década de 1940 foram ao ar, em adaptações brasileiras, as novelas O Direito de Nascer e Em Busca da Felicidade, acompanhadas por milhões de ouvintes. Esse gênero, que o rádio popularizou, anos mais tarde transformou-se em sucesso na televisão brasileira e foi exportado para outros países."
Srs. Deputados, este é um pequeno histórico do que é a nossa radiodifusão, pois hoje, como já disse anteriormente, é o Dia do Radialista, e essa categoria é imprescindível à nossa sociedade. Por isso que esses comunicadores, que são autodidatas e que fizeram da sua profissão uma história de vida, merecem neste dia 21 de setembro a nossa homenagem.
Gostaríamos, também, em nome de José Lima Damaceno, que é o nosso assessor de imprensa, de prestar uma homenagem a todos os nossos radialistas. Neste sentido, pedimos a este Plenário que aprove o requerimento de nossa autoria que solicita o envio de mensagem telegráfica ao Sr. Hugo Lopes, Presidente do Sindicato Estadual dos Radialistas; ao nosso amigo José Elias Francisco, conhecido como Chico, Presidente do Sindicato dos Radialistas de Joinville; à Federação dos Radialistas do Estado de Santa Catarina e à Associação dos Radialistas da Grande Florianópolis, abrangendo todos os radialistas catarinenses, cumprimentando-os pela importância do seu trabalho, pela dedicação e por tudo de bom que já trouxeram e informaram para nós, muitas vezes até informando coisas ruins, mas que precisamos tomar conhecimento para que possamos melhorar o nosso dia-a-dia.
Há também um outro requerimento solicitando o envio de mensagem telegráfica ao Sr. Marcelo Correia Petrelli, Presidente da Acaert - Associação Catarinense de Emissoras de Radio e Televisão -, que diz o seguinte:
"Assembléia do Estado de Santa Catarina, aprovando proposição do Deputado Adelor Vieira, parabeniza todos os radialistas pela passagem do seu dia e pelo Dia do Rádio.
Cordiais saudações
Deputado Gilmar Knaesel
Presidente."
Este requerimento virá, sem dúvida, na Ordem do Dia, e peço o apoio dos Srs. Deputados para que possamos homenagear essa categoria de profissionais que tanto engrandecem o nosso Estado e o nosso País.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)