Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

50ª Sessão Ordinária - 25/06/2013

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente e srs. deputados, quero continuar aprofundando a reflexão que fazia anteriormente no sentido de que a sociedade brasileira deve estar atenta e os meios de comunicação que querem se dizer democráticos precisam difundir esses fatos. Construir a violência para depois dizer que tem que mudar algumas coisas para que não haja mais violência não é uma saída inteligente para a maioria da população nacional, porque episódios de violência estão sendo patrocinados por setores conservadores muito bem posicionados nas estruturas partidárias atuais dos partidos que prefiro continuar chamando de direita, inclusive em cargos comissionados em algumas estruturas.

Repito que é estranho, e está-se investigando isso, a presença de um fuzileiro naval no episódio de depredação, da tentativa de incêndio do Itamaraty, que trata das relações internacionais da nação brasileira. Ao mesmo tempo não se pode dizer que tudo é a mesma coisa. Pelo contrário, a maioria da população tem um sentimento legítimo que precisa ser ouvido de que mudanças precisam ser feitas. É preciso ter cuidado para que não seja adotada a postura de que alguma coisa tem que mudar ou tudo tem que mudar para que as coisas continuem como estão.

O problema central no Brasil é o predomínio, a dominação das forças do grande capital monopolizado, inclusive a questão do transporte coletivo.

Acompanhava ontem num diário gratuito um valor para que em Florianópolis o transporte pudesse ser gratuito, mas já se fala que não há condições para tal. Evidentemente que se espera que a nação brasileira e o governo federal não tenham apenas um plano de mobilidade urbana, tenham a intenção também de parar de incentivar, do ponto de vista econômico, com isenções e mais isenções, a indústria automobilística e destinar esses recursos para o transporte coletivo.

Mas não é apenas o governo federal. Foi aprovado na Assembleia que tudo o que a BMW precisar para se instalar em Santa Catarina vai buscar no BNDES. Ela pega o dinheiro, sendo que a sociedade catarinense vai pagar através dos impostos a instalação da BMW neste estado. Eu não tenho os números, mas não tenho dúvida de que as isenções fiscais para o setor automobilístico e outros benefícios que os governos estaduais, inclusive municipais, têm dado à indústria automobilística seriam suficientes para produzir e construir um sistema de transporte coletivo gratuito com empresas públicas de transporte para que efetivamente a massa do povo brasileiro, os trabalhadores, os estudantes possam viver num país sem catracas. Precisa-se entender o transporte coletivo, assim como se entende a educação. É um direito de usufruir da cidade. Não é absurda essa tese.

Não concordamos também com o discurso e é preciso que se registre: "Vamos lá, a Dilma neste momento vai dar um pouco mais de recurso e aí vamos subsidiar as empresas de transporte." É evidente que as empresas são cartéis instalados aqui e em todas as partes do Brasil há décadas em relações muito claras, para não dizer promíscuas, com os administradores públicos, neste caso os municipais.

É necessário dizer que essas bandeiras precisam ser colocadas à frente, que é ilegítimo e antidemocrático dizer que qualquer pessoa que vá para o movimento não possa levantar a sua bandeira de reivindicação ou mesmo do seu partido. Mas não acho que isso seja fundamental. Precisamos debater com esse conjunto da sociedade que está nas ruas as políticas que efetivamente possam mudar a realidade brasileira e não ser mais o mesmo ou o reforço do mesmo que domina o Brasil há tantas décadas, há tantos séculos.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)