Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

90ª Sessão Ordinária - 14/10/2014

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados.

Começo meu pronunciamento dizendo que não é pelo Reuni nem pelas universidades comunitárias que eu votarei na candidata Dilma Rousseff no dia 26 de outubro. Votarei pelo incremento, pelo crescimento de cerca de 100% da rede federal de ensino técnico profissionalizante, pela Universidade Federal da Fronteira Sul, sediada em Chapecó, e pelo Mais Médicos. O slogan que me vem à mente é o seguinte: Eu sou de esquerda e não vacilo no segundo turno, voto na Dilma, porque é fácil subir no muro nos momentos difíceis das tomadas de decisões políticas. Aliás, está faltando muro neste estado para tanta gente que andou navegando por dentro do governo e se empapuçando no governo federal nos últimos 12 anos que agora está se deixando dirigir, aparentemente, pelos netos. Refiro-me de um dos grandes dirigentes de Santa Catarina que está sendo dirigido pelos netos nas redes sociais. É uma postura oportunista!

O voto branco ou nulo, com todo o respeito à opinião das pessoas, nessa eleição, precisamente, não expressou o voto politizado, inclusive porque apenas em Santa Catarina foram praticamente meio milhão de votos, quase 500 mil votos, em branco ou nulos, e outro tanto que, sequer, foram às urnas. É um voto que na maioria, na quase totalidade, não é um voto politizado.

Então, muitas organizações de partidos homologaram suas candidaturas à Presidência da República e ao governo do estado, tiveram a oportunidade de se apresentar como alternativa e não foram vistos como tal aqui em Santa Catarina para meio milhão de catarinenses. Este é um problema que vamos ter que discutir no futuro. Por que meio milhão de catarinenses foram às urnas e não votaram em ninguém sendo que tínhamos sete ou oito candidaturas ao governo do estado e diversas à Presidência da República? Tínhamos partidos pequenos, de esquerda, e vou citar três: o PSOL, do qual fiz parte da chapa como candidato ao Senado; o PSTU e o PCB tinham candidaturas à Presidência e ao governo do estado, mas não fomos vistos também por quase meio milhão de pessoas, que foram às urnas e votaram em branco ou nulo. E isso, na minha avaliação, é um problema que nós vamos precisar refletir muito, nós da esquerda, se os outros não refletirem nós teremos que refletir.

E também, por isso, não basta agora nos somar a esse meio milhão de eleitores. Eu acho que é equivocada a proposta e a posição de voto em branco ou nulo, porque estaríamos nos somando a meio milhão de catarinenses que foram às urnas e não votaram em ninguém, nem em nós. Não é assim que mostraremos força num processo eleitoral, num segundo turno como esse e, muito menos discernimento político. Nós que vivemos na década de 90, nós que militamos na década de 90, que defendemos ou tentamos resistir aos infinitos e inúmeros ataques ao serviço público durante toda a década de 90 e mais um pedaço da primeira década deste século, precisamos entender essa situação.

Nós precisamos entender que pode vir por aí algo muito pior do que foi a década de 90. Porque as forças acopladas, associadas à candidatura tucana são das mais reacionárias que existem na sociedade brasileira, e uma das mais perversas que existe no sistema econômico e político mundial. E eu não tenho dúvida com relação a isso. Por isso, digo: sou de esquerda e não vacilo. Porque é vacilar pensar que vamos continuar a nossa vidinha numa boa sem comprometer-nos com a situação real que vivemos, mesmo considerando as inúmeras críticas que eu fiz ao longo dos oito anos aqui desta tribuna. Só desta tribuna oito anos! As críticas ao governo federal do PT. E não retiro nenhuma dessas criticas, mas dizendo e afirmando: Retrocesso não! É o feijão com arroz que temos no dia a dia? Pois vamos mastigar esse feijão com arroz por mais quatro anos, mas não vamos permitir esse retrocesso!

E temos, sim, que fazer um trabalho de base persistente, perseverante, no sentido de mostrar para aquelas 500 mil pessoas, pelo menos, para aquele meio milhão de catarinenses que foram às urnas e não votaram em ninguém, nem em nós, que podemos ser uma alternativa popular, radicalmente democrática e de esquerda, porque não conseguimos fazer isso. E essa é uma autocrítica necessária para toda esquerda.

Não é nos somando à despolitização, não é ficando em cima do muro, junto com diversos políticos da direita tradicional, que a esquerda vai se distinguir e educar politicamente as classes trabalhadoras e as massas populares para o processo de participação.

Então, o voto em Dilma Rousseff, no segundo turno, em minha opinião, é um dever de todo militante pelo progresso da sociedade e contra as forças reacionárias existentes na sociedade. E não vou pessoalizar, porque a questão é de classe mesmo, de baliza de horizonte civilizatório que se quer chegar. Não vou dar nome para nenhuma pessoa, mas apenas quero dizer que temos o dever de não sermos coniventes com o retrocesso.

Esta é a realidade que precisamos absorver. E tudo mais fica em aberto, infelizmente, tudo mais fica em aberto, inclusive a reforma política, porque como já falei aqui nesta tribuna, depois da eleição ela não vai acontecer, porque a quase totalidade do Congresso foi eleita com dinheiro das empreiteiras, dos banqueiros, da Friboi e etc., e as estes setores não interessa mudar nada, porque para eles está muito bom assim!

Não obstante toda essa avaliação, precisamos, sim, contribuir para evitar um mal maior nos próximos quatro anos e contribuir para que não nos somemos à despolitização da política.

Esta é a avaliação e a reflexão principal que nós, da esquerda, precisamos fazer desde agora, nos próximos anos ou talvez em todos os outros dias da nossa vida até conseguirmos reverter esse quadro de paralisia geral das consciências e de vitória dos monopólios que têm elegido a imensa maioria dos ocupantes de cargo de poder neste país e neste estado.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)