Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Dionei Walter da Silva

5ª Sessão Ordinária - 24/02/2005

O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Sr. Presidente, Sra. Deputada e Srs. Deputados, na verdade eu estava inscrito na tarde de ontem, mas em função de uma comunicação urgente do Sr. Deputado Gilmar Knaesel, cedemos o espaço e por isso estamos ocupando a tribuna neste momento.

Ouvimos durante o dia de ontem, inclusive em outras oportunidades, Deputados fazendo afirmações de que alguns Deputados estariam contra a cidade de Joinville.

A relação que eu tenho com a cidade de Joinville é muito antiga. Tenho inúmeros parentes, tios e primos que têm empresas, que trabalham na Celesc, funcionários de carreira; minha esposa tem inúmeros parentes lá, inclusive o Vereador Cardosinho, e a freqüência à cidade é bastante grande.

Nós precisamos, de uma vez por todas, que a sociedade catarinense entenda a posição que estamos defendendo. Nós vimos até Deputado dando aula de como se assistir à TVAL na tarde de ontem e tentando, mais uma vez, impingir aos Deputados a imagem de que nós seríamos contra a Manchester catarinense, a belíssima cidade de Joinville.

Eu já tive a oportunidade de presidir a CPI da Casan (o Deputado Antônio Carlos Vieira que aqui está também participou, juntamente com o Deputado Pedro Baldissera) e nós encontramos na cidade de Joinville um advogado que desviou recursos da Casan. Mas nós não fomos contra a cidade de Joinville! Nós acusamos o advogado que desviou recursos e que tem processo, inclusive, no Ministério Público. E com isso, eu tenho certeza de que estamos fazendo um bem à cidade de Joinville, porque ela vai saber que aquele cidadão desviou recursos, é um cidadão que não merece crédito da sociedade de Joinville e de Santa Catarina.

Quando nós discutimos aqui, inclusive ontem, os problemas da Polícia Civil de Joinville, não estávamos falando mal da cidade de Joinville, nós estávamos preocupados com os problemas acontecidos na Segurança Pública. E a imprensa hoje destaca a possibilidade de abertura de uma CPI. E se a CPI vier a acontecer, não será contra a cidade de Joinville nem contra a população de Joinville, será para apurar irregularidades que estão, sim, manchando a imagem da corporação da Polícia Civil na cidade, no Estado e no País.

O que aconteceu ontem na audiência pública, da qual participei, mostra que existem problemas, sim, a serem esclarecidos na cidade de Joinville no que tange à Polícia Civil. Nós ouvimos a confirmação do Corregedor da Polícia Civil que existem atrasos em Boletins de Ocorrência, na apuração dos casos que chegam à Polícia Civil em várias regiões do Estado. Só que apenas em Joinville foram afastados dois delegados, sob a acusação ou a suspeita de atrasos em Boletins de Ocorrência.

O afastamento aconteceu logo após esse delegado participar das prisões dos outros policiais que lá estão presos e fazer, inclusive, a denúncia contra dois deles, porque não foi a Corregedoria quem fez a acusação mas, sim, o delegado que foi afastado.

Então, nós precisamos saber por que em uma cidade é crime atrasar os Boletins de Ocorrência e em outras não. E mais, desde o ano de 2000, os delegados informavam por escrito aos superiores a quantidade de Boletins atrasados por falta de estrutura, por falta de pessoal para fazer as investigações.Nós precisamos, em função disso, esclarecer e não vamos ser contra a cidade de Joinville.

Na questão do Balé Bolshoi, em nenhum momento eu ouvi Deputados aqui falar mal do Balé Bolshoi, falar mal de Joinville ou querer prejudicar Joinville ou o Balé Bolshoi.

Agora, os elementos que tem no processo, que o Ministério Público Federal está movendo (nós recebemos cópia e nos próximos dias daremos publicidade a esses documentos) merecem, sim, uma investigação. A cidade de Joinville e os cidadãos de bem de Joinville precisam saber o que está acontecendo. Precisam saber, por exemplo, Deputado Antônio Aguiar, que os Correios repassaram como patrocínio R$3.5 milhões por ano durante três anos e que uma empresa recebeu comissão por esse patrocínio. Os Correios já declararam por escrito que não houve participação de nenhuma empresa, de pessoa nenhuma para conseguir esses recursos a não ser a direção da escola.

Por que esse patrocínio? Essa e outras questões nós vamos querer, sim, esclarecer! E não vamos ser contra Joinville e nem contra o Balé. Queremos que o Balé funcione com seriedade, com decência e que Joinville não apareça mais nas colunas policias dos jornais.

Também não acredito que o eminente diretor do jornal A Notícia, Dr. Moacir Tomazzi, seja contra a cidade de Joinville por ter estampado na capa do jornal uma escola estadual interditada naquela cidade. A intenção dele, como a nossa, tenho certeza, é mostrar à sociedade os problemas que existem para que Joinville seja cada vez melhor e tenha das autoridades o devido respeito, a atenção e as suas necessidades atendidas.

Então, vamos parar com a hipocrisia nos debates e vamos discutir, sim, os problemas do nosso Estado, Deputado Antônio Aguiar. Tenho certeza de que a minha região tem problemas, como tem a sua. Xanxerê, Deputado Gelson Merísio, também deve ter problemas. Não vamos fazer uma acusação a esse ou àquele, vamos debater o problema, apontar as possíveis soluções e não tentar jogar uma cidade contra Deputados que querem esclarecer problemas acontecidos naquele local.

Tenho certeza de que a cidade de São Paulo cresce, valoriza-se com as denúncias comprovadas contra ex-administradores. Tenho certeza de que em todas as cidades onde houve esclarecimentos, a punição dos responsáveis, a cidade melhorou, a imagem da cidade melhorou, assim como o seu povo.

Essa era a reflexão que eu queria fazer hoje, Srs. Deputados, e dizer a V.Exas. que fazem essas acusações para sentarmos e discutirmos com seriedade os problemas para tentarmos encontrar uma solução e não ficarmos nesse paliativo, nessas acusações, tentando (esses que tentam ensinar a população a assistir à TVAL) manipular a opinião pública e impingir a nós, Deputados, uma imagem que não temos, a de ser contra a cidade "a" ou a cidade "b".

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)