15ª Sessão Ordinária - 29/03/2005
O SR. DEPUTADO CLÉSIO SALVARO - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, assomo à tribuna, nesta tarde de terça-feira, para, mais uma vez, relatar a nossa quinta viagem aos Estados Unidos, especialmente esta última, onde a nossa comitiva, que foi liderada pelo vice-Governador e pelo Deputado Vânio dos Santos, seguiu um outro roteiro indo, inicialmente, a Miami. Posteriormente, fomos a Nova Iorque, onde tivemos a oportunidade de participar de um encontro com o Presidente da Caixa Econômica, e depois de um outro encontro com o Cônsul-Geral do Brasil naquele Estado.
De Nova Iorque fomos até Boston, onde mais de 30 mil catarinenses trabalham naquela região. Pessoas que saíram da Grande Florianópolis, e é um bom número; pessoas da região de Tubarão, e aí já é um número um pouco maior, Deputado Genésio Goulart; e pessoas da região de Araranguá, Deputado Manoel Mota. Aproximadamente, 1.500 pessoas já estão trabalhando na região de Boston. E da região de Criciúma trabalham lá, aproximadamente, 30 mil pessoas. São 30 mil pessoas que são mãos-de-obra ativas, pessoas que levantam pela manhã e vão trabalhar 14, 15, 16 horas por dia. É como se fosse o Município de Araranguá, Deputado Manoel Mota, que tem um pouco mais de 60 mil habitantes, mas com mão-de-obra ativa, trabalhadora têm, aproximadamente, umas 30 mil pessoas.
É o que representa a imigração catarinense naquela grande região de Boston, que remetem nada mais nada menos do que US$ 30 milhões por mês, o que movimenta boa parte da nossa economia.
Então, esta viagem foi recheada de encontros bons e gostosos de se ouvir e de se conhecer e de outros nem tanto.
Eu posso falar (o Deputado Vânio dos Santos e o vice-Governador estiveram comigo lá), de um garoto de 18 anos, que há dois anos, em Criciúma, me disse: Salvaro, eu quero realizar o meu sonho. Eu quero ir para os Estados Unidos. Eu quero ser alguém na vida, porque os meus pais não conseguiram me dar estudo e eu não consigo arrumar um emprego. O máximo que consigo é ganhar R$ 300,00 ou R$ 400,00. Ajuda-me a ir para os Estados Unidos?
Eu disse a ele que não tinha como ajudá-lo, pois ele precisava de um visto. Mas ele disse: Eu vou para os Estados Unidos. Eu quero ser alguém na vida. E foi para lá pela travessia do México. Levou 54 dias de Criciúma até o Estado do Texas e depois mais três dias para chegar até Boston. Foram quase 60 dias de luta. Mas a travessia do inferno mesmo se deu no canal do México, onde teve que enfrentar os coiotes, etc.
Esse rapaz ganhava US$ 2,500.00 por mês, gastava US$ 500.00 e sobravam-lhe quase US$ 2,000,00, algo em torno de R$ 5.500,00 ou R$ 6.000,00, quantia essa que ele mandava mensalmente, Deputado Pedro Baldissera... E V.Exa. sabe que o Padre Pedro Damásio está lá auxiliando e orientando os nossos catarinenses na fé.
Há cerca de três meses aconteceu um acidente com esse garoto: ele estava pregando o forro numa casa, num sábado à tarde, escorregou, caiu de ponta-cabeça, fraturou a terceira e a quarta vértebras e ficou paraplégico. O sonho desse garoto quase morreu ali, pois ele estava sozinho, num país desconhecido, com poucos amigos e sem nenhum familiar.
Fomos procurados para dar assistência a esse garoto. Os médicos não queriam atendê-lo, sem que tivessem a autorização da família. Imediatamente, nós nos deslocamos ao Consulado Americano em São Paulo e conseguimos o visto para o pai e a mãe, que rapidamente se deslocaram para Boston e autorizaram a cirurgia. O rapaz já passou por uma e daqui a 30 dias vai passar por uma outra cirurgia.
É certo que esse garoto não vai mais poder andar - e o Deputado Vânio dos Santos esteve lá conosco- , pelo menos é o que diz a Medicina, hoje. Mas o jovem tem muita esperança de voltar a andar e, graças a algumas pessoas que estão lá, ele está aposentado pelo governo americano, tem uma casa totalmente adaptada para ele, já que hoje é um deficiente, tem todos os esquipamentos para fazer fisioterapia, e o pai dele, que está lá para auxiliá-lo, também recebe uma ajuda do governo.
E tendo em vista este caso e tantos outros, nós temos lutado para implantar naquela região um ponto de apoio para os nossos irmãos catarinenses que lá estão. Pode ser uma Casa do Catarinense, uma fundação, uma ONG, enfim, alguma coisa o nosso Governo tem que fazer. E estamos fazendo, é verdade, mas no campo diplomático, Deputado Vânio dos Santos, já que visitamos os Prefeitos das cidades de Everett, de Lowell, de Summerville e outras Prefeituras que ficam na grande Boston. Conversamos com o Chefe de Polícia e pedimos aos Prefeitos daquelas cidades que dessem um apoio aos nossos irmãos que lá estão, que saíram daqui com o único objetivo de realizar o sonho de ganhar dinheiro, de realizar o sonho econômico de poder ter uma casa, um carro e, quando voltarem para cá, uma vida um pouco mais confortável.
E seria pouco para o Governo catarinense, que recebe mensalmente, Deputado Manoel Mota, a exemplo do Município de Araranguá, quase US$ 30 milhões, investir naqueles nossos irmãos que lá estão, porque o Governo não gasta nada com obras, com infra-estrutura, com segurança e com educação.
O Sr. Deputado Manoel Mota - V.Exa. nos concede um aparte?
O SR. DEPUTADO CLÉSIO SALVARO - Pois não!
O Sr. Deputado Manoel Mota - Deputado Clésio Salvaro, quero parabenizá-lo pela sua luta. Não é de hoje que V.Exa. vem lutando para ir lá ver seus amigos, seus vizinhos, seus irmãos de Criciúma. Quando houve a primeira oportunidade, V.Exa. disse que gostaria de ir. E não tenho dúvida nenhuma de que a oportunidade veio e V.Exa. foi lá matar a sua saudade por aquela gente.
Há em torno de 2.500 pessoas de Araranguá também lá buscando alternativas para melhorar a sua qualidade de vida. Evidentemente que no Brasil precisa haver uma grande revolução de oportunidades de trabalho e de renda para os nossos filhos e para a sociedade. Por isso a importância de ir lá para conhecer e ver de perto.
Quero parabenizá-lo, Deputado Clésio Salvaro, pela sua imensa luta para poder estender a mão e ver como eles estão. Mas tenho certeza de que V.Exa. voltou radiante, pois todos estão lá muito bem, a não ser esse garoto que V.Exa. citou, que devido a uma fatalidade, um acidente, está paraplégico, numa cadeira de rodas. E evidentemente que já foram dadas condições para que os pais pudessem ir para lá ajudar o seu filho.
Então, quero dizer que valeu a pena a sua luta para chegar lá e poder olhar de frente para a sua gente criciumense e, evidentemente, araranguaense que também lá estão.
O SR. DEPUTADO CLÉSIO SALVARO - Deputado Manoel Mota, esse não é o único caso. Na verdade, são dezenas e dezenas de casos de pessoas que estão lá e que precisam de um ponto de apoio, de uma referência, de um local onde possam procurar ajuda, se precisarem.
No domingo fomos procurados devido a um outro caso de uma pessoa que está abandonada em um hospital de Boston e que precisa imediatamente de ajuda. Portanto, são esses e tantos outros casos que justificam a instalação de um ponto de apoio para os nossos irmãos que lá estão.
Queremos, Deputado Vânio dos Santos - e V.Exa. esteve lá conosco, juntamente com o nosso vice-Governador -, definitivamente, poder realizar o sonho dos nossos irmãos que estão lá fora e que saíram daqui com o objetivo claro, definido e muito pontual de ir lá ganhar dinheiro e depois voltar para o Brasil, a sua terra, para ficar junto com os seus amigos e seus familiares.
Agora queremos ajudar a instalar a Casa do Catarinense para que mais pessoas possam ir para lá e para que os nossos irmãos que lá estão possam trabalhar com muito mais dignidade e ter muito mais tranqüilidade para realizar o seu sonho.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)