17ª Sessão Ordinária - 30/04/2004
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, nesse final de semana o Sul de Santa Catarina parecia um filme de terror. Quem já assistiu a um filme de terror e desligou a TV para não vê-lo mais, sabe o que passamos no Sul do nosso Estado.
A Defesa Civil de Santa Catarina, com a autorização do Governo do Estado, fez o comunicado no sábado, a todos os setores de imprensa do Sul do Estado. A imprensa divulgou o que poderia acontecer; infelizmente a TV Globo deu uma notícia desinformada, dizendo que era bobagem, que não era tão grave. Ontem inclusive fez uma correção. As pessoas que trabalham nessa área pediram desculpas pelo erro cometido. A verdade é que convencer as pessoas a se retirarem das zonas de risco foi uma tarefa muito difícil.
A minha esposa estava na praia. Agora é que estou indo para a cidade, ainda estou morando na praia, pois estou ajeitando a casa da cidade. Como é que eu iria deixar esposa, filho, neto na praia? Não pude deixar. Fiquei também na praia, só que fiquei alerta, em razão das ondas do mar que atingiam três a cinco metros.
O tempo clareava, escurecia, parecia que nada iria acontecer, quando por volta da meia-noite começou o vento. Alguns minutos depois peguei o carro e fui ver como é que estava o mar. Depois de mais ou menos 15 minutos de vento, a maré havia subido tanto que a água chegava nas casas. Quando as águas chegaram nas casas, o vento aumentou, e as telhas começaram a voar, antenas de televisão foram quebradas, telefones públicos caíam, outdoors foram quebrados.
Vi então que o mar iria tomar conta mesmo e que as previsões estavam certas. Coloquei a família em dois carros e seguimos para Araranguá. Enquanto meu filho seguia para Araranguá, voltei a olhar o mar. As ondas estavam batendo com mais força nas casas. Ao dizer meu Deus, saí correndo feito louco e pelo telefone avisei algumas pessoas, pedindo que se deslocassem para Araranguá.
Acontece que pensei que em Araranguá a situação estava mais calma. Estava a oito quilômetros de Araranguá, entre Arroio do Silva e Araranguá, meu filho estava pouca coisa na minha frente, quando veio uma nuvem preta. Nesse momento pensei que iria acabar tudo! Senti que ali iria acabar tudo. Botei o pé no freio, estava em cima de um eucalipto de 20 metros. Ficamos trancados, eu e minha família. Eu era o único que podia chorar, porque eles já estavam desesperados. Senti que tudo acabaria ali.
Vivi na pele o que viveu o Vale de Araranguá naqueles minutos de terror, naqueles minutos de desespero, enquanto o carro levantava e baixava, parecia que ia tombar. Lembrei-me daqueles filmes, nos quais os furacões derrubam e carregam tudo.
Meia hora depois tudo acalmou, e chegou mais gente; então, derrubamos alguns galhos do eucalipto para poder passar com o meu carro 4X4.
Quando cheguei em Araranguá, vi o posto de gasolina caído, casas sem telhado, árvores arrebentadas e caídas. Nas ruas não dava para passar, mas com dificuldade cheguei em casa, na escuridão, deixei a minha família e voltei para ajudar outras pessoas.
Olhei para o céu que já estava sem nuvens e com estrelas e achei que não iria acontecer mais nada. Voltei para casa para avisar a família, quando cinco minutos depois ouvi o alarme do meu carro disparar. Fui ver o que ocorria, e ele estava balançando para tombar. Às 3h o vento acabou de destruir tudo.
Tinha sido mais forte do que no primeiro momento. Não dava para sair na rua nem chegar perto do carro, pois se via tudo voando pelos ares. Mais tarde deu para ver outdoor caído, placas no chão. Foram momentos de terror e desespero que viveu a população não só de Arroio do Silva e Araranguá, mas toda a minha região. Os 15 Municípios do Sul que haviam sido atacados de frente tiveram tudo destruído.
A BR-101, no outro dia, não existia, era só madeira, árvores quebradas. Inclusive uma árvore caiu por cima de um carro, atingindo o casal que estava no carro. O homem faleceu na hora, e a esposa está hospitalizada. A população viveu um clima de terror!
No Município de Gaivota, se uma bomba fosse atirada ali, não causaria uma destruição como a que aconteceu. A minha região está totalmente destruída!
A região Sul é a que mais produz alimentos, e hoje podemos dizer que milho não tem mais, tudo foi destruído. Uma parte do arroz já havia sido colhida, a outra parte está no chão. Então, realmente é incalculável o prejuízo da região.
E agora, ontem e hoje, as pessoas chegaram ao desespero total. Por quê? Porque as pessoas não podem voltar para casa, pois as casas não têm telhado. E quais as pessoas que mais foram atingidas? As pessoas mais pobres, as que tinham as casas mais frágeis. Essas casas foram as mais atingidas, porque eram as mais frágeis. Agora, só existe o desespero da população, porque não existe mais telhado em suas casas.
O Governo do Estado de Santa Catarina no domingo à noite esteve no Sul tomando todas as providências, e quero cumprimentá-lo pela agilidade, como também a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, a Secretaria de Segurança Pública, a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Secretaria da Saúde e a Secretaria da Agricultura.
Precisamos de muito recursos, porque não temos como resolver os problemas, precisamos de solidariedade não só de Santa Catarina, mas de todo o Brasil. A nossa região está vivendo um clima de desespero, e quero dizer que quando aconteceu a enchente em Blumenau a nossa região chegou a levar 11 caminhões de donativos. E agora somos nós que precisamos de solidariedade.
O Sr. Deputado Genésio Goulart - V.Exa. nos concede um aparte?
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Concedo um aparte a V.Exa., para que todos sintam o que nossa região está sentindo, mas a região mais prejudicada foi o Vale do Araranguá.
O Sr. Deputado Genésio Goulart - Quero prestar a minha solidariedade a este episódio que aconteceu e parabenizá-lo pelo esforço que V.Exa. está fazendo, juntamente com os Deputados do Sul de Santa Catarina.
Só quem passou por isso é que sabe, como nós passamos na cidade de Tubarão. Portanto, somos solidário a V.Exa.
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - O Governo do Estado de Santa Catarina está de parabéns!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)