Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

88ª Sessão Ordinária - 07/11/2006

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, srs. deputados, companheira deputada Ana Paula Lima, catarinenses que nos acompanham através da TVAL, da Rádio Digital e que assistem a nossa sessão.

Deputada Ana Paula Lima, vejo uma reação de espanto quando chamo v.exa. de companheira, e a chamo de companheira com muito orgulho, afinal de contas trilhamos juntos no segundo turno dessas eleições, e quero repetir a v.exa. e a Santa Catarina que faria exatamente o que fiz novamente.

Aliás, ontem, deputada Ana Paula, fizemos a primeira reunião de avaliação do nosso partido, com a presença dos nossos candidatos Esperidião Amin, Hugo Biehl e dos candidatos a deputado federal e estadual, e pudemos ouvir as lideranças de nosso partido em todo o estado.

O nosso diretório, diferente do que alguns preconizavam, estava com a casa cheia, lotada, com sentimento de vitória política, apesar da derrota eleitoral. É preciso reconhecer que sofremos uma derrota eleitoral, reconhecemos a vitória do governador eleito, mas o nosso sentimento é de vitória política. E os depoimentos das nossas lideranças de todo o estado vieram exatamente no sentido do reconhecimento aos nossos parceiros do primeiro turno, ao PV, ao Prona, ao PMN e àquelas outras lideranças de outros partidos que se integraram ao nosso projeto e aos nossos parceiros do segundo turno, ao PL da presidente deputada Odete de Jesus, à grande parte do PSB, liderada pelo deputado Sérgio Godinho, à lideranças de outros partidos que se integraram conosco, e especialmente às lideranças, à militância, à base do Partido dos Trabalhadores, que majoritariamente, deputados Paulo Eccel e Dionei Walter da Silva, caminharam conosco nesse segundo turno numa aliança transparente, numa aliança às claras, numa aliança que não teve nenhum compromisso de criação de secretaria regional, de agência regional, que é a nova mania, a nova moda, para acomodar político nenhum, numa aliança transparente feita lá no sul do estado com a presença da grande imprensa do sul, com o único compromisso da troca de votos do PP orientando os seus correligionários para o voto ao presidente Lula no segundo turno, e do PT, orientando a sua militância para o voto ao candidato Esperidião Amin para o governo do estado.

E houve esse cruzamento, deputado Julio Garcia, o resultado das urnas demonstra isso: a transferência quase que na totalidade dos votos do PT atribuídos ao candidato José Fristch no primeiro turno, para o candidato Esperidião Amin, no segundo turno, e a transferência da maioria esmagadora dos nossos votos no segundo turno para o candidato Lula, tanto que a diferença diminuiu consideravelmente no segundo turno e em cidades importantes no contexto político estadual, com a virada, no segundo turno, com o crescimento expressivo também do presidente reeleito. Cito novamente o caso de Tubarão, deputada Ana Paula Lima, onde os candidatos Luiz Henrique da Silveira e Geraldo Alkmin ganharam a eleição no primeiro turno e no segundo turno obtivemos, nessa aliança transparente, honesta, havida entre nós e o PT, conseguimos virar algo em torno de nove mil votos em Tubarão, conquistando a vitória para o candidato Esperidião Amin e para o presidente Lula.

Então, na nossa reunião de ontem o entendimento majoritário do partido, das nossas lideranças, foi exatamente nessa direção, deputado Dionei Walter da Silva, da consolidação dessa aliança, desse novo projeto. Inclusive a sua cidade, deputado Dionei Walter da Silva, Jaraguá do Sul, vai inaugurar a primeira reunião pública desse projeto novo, nascido nas urnas no segundo turno de 2006. E estaremos em Jaraguá do Sul no próximo dia 11/11, às 11h13min, fazendo a nossa primeira reunião pública com as lideranças do PP e do PT de Jaraguá do Sul, deputado Pedro Baldissera, já consolidando e construindo o nosso projeto municipal para Jaraguá do Sul em 2008.

E não tenho dúvida de que esse encaminhamento vai acontecer em muitas outras cidades no estado, na maioria delas. Evidente, deputado Paulo Eccel, que a eleição municipal é uma eleição que congrega características próprias, localizadas. Evidente que não vamos, nem nós e nem o PT, impor um enquadramento ou cabresto aos nossos dirigentes em todos os municípios. Haverá, sim, uma orientação partidária e a orientação da executiva estadual do nosso partido, referendada mais uma vez ontem pelas nossas lideranças, dar-se-á no sentido de consolidar essa aliança nascida no segundo turno de 2008, deputado Sérgio Godinho.

Não tenho dúvida de que estaremos caminhando junto com o PT nas maiores cidades de Santa Catarina. Em Criciúma, em Tubarão há um tendência muito forte, certamente em Brusque, deputado Paulo Eccel, Blumenau, Jaraguá do Sul, Chapecó, Florianópolis, São José, e tantas outras cidades que eu torço e me empenharei muito para que possamos construir, consolidar essa aliança nas eleições municipais de 2008, para em 2010, juntos, retomarmos o governo de Santa Catarina. E como dizia um deputado que tomava posse na semana passada, para aí, sim, fazer Santa Catarina voltar a crescer. Esses serão a nossa torcida e o nosso trabalho a partir desse novo momento que se avizinha.

Mas o assunto principal que quero trazer nesta minha primeira manifestação no dia de hoje, deputada Ana Paula Lima, é aquele que está contido no jornal ANotícia do dia 2 de novembro, da última quinta-feira. Diz a matéria da página de economia, deputado Dionei Walter da Silva:

(Passa a ler)

"Celesc vai vender usinas

Empresa espera receber 230 milhões pela participação em duas hidrelétricas e na Casan."

E no mesmo dia, na coluna "Livre Mercado", consta a seguinte nota:

(Continua lendo)

"Anúncio depois das eleições

O anúncio de venda da totalidade da participação acionária da Celesc em usinas hidroelétricas e na Casan, e o chamamento do sócio majoritário privado para o negócio das 12 pequenas centrais hidroelétricas, constitui-se num modelo que os críticos denominaram de privatização branca."

Deputado Onofre Santo Agostini, durante a eleição nós chamamos a atenção para isso. Nós podemos falar sobre isso, deputada Ana Paula Lima, porque temos um histórico de não-privatização. Pode ser que tenhamos cometido alguns pecados nos governos que empreendemos, mas o Esperidião Amin não carrega marca de vendedor do patrimônio do estado.

Nós alertamos a sociedade catarinense que poderia vir, sim, um novo governo privatizante em Santa Catarina. Deputado Paulo Eccel, o segundo turno foi no dia 29, e três dias depois, no dia 2, o governo já anunciou a venda dos ativos da Celesc, das suas usinas.

Portanto, aquilo que era um temor tão contestado pelos governistas no segundo turno, parece-me, deputado Paulo Eccel, que era, sim, a verdadeira intenção já demonstrada por ocasião do encaminhamento do projeto Cícerus para esta Casa.

Naquela oportunidade, o governo já pretendia vender a Celesc, a SCGás e a Casan. Agora, no segundo turno, desconversou, apoiou um candidato que é privatizante, o Geraldo Alckmin, e nós tínhamos exatamente a preocupação de essa contaminação ter atingido o governador eleito. Tanto que três dias depois o governo anunciou a venda das usinas da Celesc.

Portanto, fiquemos atentos. Deputada Ana Paula Lima e deputados Paulo Eccel, Dionei Walter da Silva e Pedro Baldissera, é preciso que as nossas bancadas, PP, PT e PL, que estiveram conosco, que serão minoritárias na próxima gestão, pensem - e temos que discutir rapidamente - na construção de um projeto conjunto de Oposição para poder chamar a sociedade catarinense e alertá-la sobre as verdadeiras intenções deste governo, já contidas no jornal ANotícia três dias após a sua posse. É o início da venda do patrimônio dos catarinenses.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)