5ª Sessão Extraordinária - 11/03/2009
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Sra. presidente, deputada Ada De Luca, que preside esta sessão ordinária, srs. deputados, telespectadores da nossa querida TVAL, Rádio Alesc Digital, faço uso da tribuna na tarde de hoje para falar sobre o seguinte tema:
(Passa a ler.)
"Faltam especialistas para tratar crianças com câncer no município de Criciúma, mais especificamente no hospital São José.
O secretário da Saúde e o Hospital São José afirmam que o serviço ainda não foi restabelecido por falta de pediatra com especialização em oncologia.
Lutando contra um câncer, uma doença rara, com tumor no tronco cerebral, o pequeno Douglas Henrique da Silva, cinco anos, uma vez por semana precisa de sessões de quimioterapia. O procedimento é feito há um ano, sendo a esperança para a cura do menino, que não tira a alegria estampada no rosto. Dono de um meigo sorriso, Douglas é um exemplo de vida.
Além de passar pelo procedimento o garoto e mais nove crianças de cidades da região carbonífera estão enfrentando outra dificuldade, a falta do tratamento na região. O procedimento que era realizado no Hospital São José, de Criciúma, há quatro anos, desde dezembro foi transferido para o Hospital Infantil Joana de Gusmão, de Florianópolis.
O tratamento virou uma rotina tortuosa para os familiares e, principalmente, para as crianças, pois agora cada cidade faz o encaminhamento por meio do programa de Tratamento Fora do Domicílio - TFD.
O assunto já foi tema de reportagem no Jornal da Manhã, e até o momento segue sem solução a rotina tortuosa.
Toda segunda-feira a van da secretaria de Saúde de Içara pega Luciana e Douglas no Jardim Elizabete, em Içara, por volta das 3h20, juntamente com outros pacientes. A chegada em Florianópolis fica em torno das 6h." Ou seja, aproximadamente 2h40 após. "Sendo que a sessão de quimioterapia tem início por volta das 9h30."
Vejam bem, a criança sai de lá às 3h20 e chega às 6h, para ser atendida às 9h30.
"Ele vai dormindo no meu colo, diz a mãe, e chegando lá, temos que esperar algumas horas para sermos atendidos.
A saída da capital é complicada, meu filho passa mal, enjoa e chega até a vomitar. Sem contar o perigo de enfrentar a BR-101. Esta semana temos que ir novamente para lá, a situação é cansativa e desgastante, desabafa a mãe.
Ela teve que largar o emprego para dar assistência ao tratamento do filho.
'Em Criciúma, o deslocamento era com o carro da prefeitura. Acabava o tratamento e em pouco tempo já estava em casa. Agora não tem como, porque ficamos o dia inteiro percorrendo esse trajeto.'
Como mãe, ela só pede uma solução para amenizar o sofrimento dessas crianças.
'Antes havia sofrimento, mas era bem menor', conta a mãe, com a voz embargada. O marido Agenor, 43 anos, é impedido de acompanhar a família nas viagens por falta de vaga na van.
'Como ele trabalha à noite, sempre ia com a gente ao Hospital São José, até para me ajudar com o menino, mas agora, não tem como', lamenta."
E aqui sai também a defesa.
"Falta de profissional qualificado é o motivo.
Não é falta de empenho e muito menos por questões financeiras, na realidade ainda não encontramos o profissional qualificado para assumir a função.
O tratamento já existe em Criciúma e não podemos perdê-lo por esse motivo, ou seja, a falta de um profissional, comentou o secretário de Saúde de Criciúma, Paulo Conti.
O mesmo diz a vice-diretora geral do Hospital São José, irmã Terezinha Buss.
Ainda segundo o secretário, o último contato com um médico interessado com a vaga foi há menos de um mês. Ele chegou a visitar a cidade, conhecer o trabalho, mas acabou desistindo. A informação que nos foi repassada foi por ter aparecido outras propostas, comenta Conti.
Para chamar a atenção do especialista, a prefeitura está oferecendo uma vaga junto à secretaria de Saúde. 'Seria mais uma oportunidade', explica o secretário, destacando que enquanto a situação não é contornada, será providenciado um microônibus a fim de oferecer mais conforto aos pacientes e familiares. 'Será feita uma licitação para a viabilidade do transporte', garantiu.
Eu tive a oportunidade de conversar ainda hoje com o secretário da Saúde, o deputado Luiz Eduardo Cherem, deputado Dado, e também com a secretária-adjunta, Carmen Zanotto, para deixar bem claro que essa é uma responsabilidade do hospital. Os recursos estão sendo passados, mesmo porque Criciúma é gestor pleno no teto da oncologia. E a dificuldade que se encontra é justamente a de não encontrar um especialista, pois ele tem que ser formado em pediatria e especializado em oncologia."
Mas, é lamentável, deputada Ada De Luca e deputado Professor Grando, que essas crianças tenham que sair de Criciúma todos os dias às 3h20, passando pela BR-101, o corredor da morte, vomitando na estrada, crianças de idade de dois até três anos. É ridículo. É triste ter que usar esta tribuna para fazer um comentário dessa natureza, sendo que temos todos os encaminhamentos, equipamentos, apenas nos falta esse profissional.
Eu quero aproveitar a oportunidade e apelo a todos os telespectadores que estão nos ouvindo, que se porventura houver um especialista pediatra com especialização em oncologia que procure imediatamente o Hospital São José, de Criciúma, pois terá de pronto uma oportunidade de trabalho, para que possamos amenizar o sofrimento dessas crianças que tanto necessitam desse serviço, tão importante para a preservação dessas vidas.
O Sr. Deputado José Natal - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Pois não, concedo um aparte ao eminente deputado José Natal.
O Sr. Deputado José Natal - Muito obrigado.
Deputado Valmir Comin, quero somar-me ao seu pronunciamento e dizer que se em Criciúma, que é uma das cidades destaques do estado de Santa Catarina, o hospital não consegue um oncologista, imagine os pequenos municípios onde o governador do estado se esforçou para doar às prefeituras esses aparelhos. Eles também têm dificuldade de encontrar profissionais que queiram ir para o município.
Enquanto isso não se concretiza, porque já existe município todo equipado e que não encontra profissional também, enquanto isso não acontece, as crianças e os adultos continuam na famosa "ambulancioterapia".
Quero crer que deveríamos, talvez através do governo federal, implementar ações para que nesses casos o governo federal dê suporte aos municípios e aos estados com um auxílio financeiro, no percentual da Saúde, pois sai bem mais barato as pessoas fazerem o tratamento nas suas cidades. E também é menos penoso.
Nós temos que encontrar uma linha, porque a Saúde continua sendo o grande problema de todos os administradores em todos os níveis. E as pessoas realmente passam por um momento muito triste, muito desagradável, que é a famosa "ambulancioterapia".
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Era o que tínhamos a dizer, sr. presidente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)