Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Jailson Lima da Silva

85ª Sessão Ordinária - 06/11/2008

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Deputado Antônio Aguiar, deputada Ana Paula Lima, nossos cumprimentos, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, recebemos hoje, nesta Assembléia, a visita de figuras eminentes da província de Hennan, na China.

Estiveram presentes o sr. Liu Shusheng, deputado e diretor-geral do departamento do Comitê de Relações Internacionais; o sr. Bai Hongzhan, presidente da Câmara de Vereadores da cidade de Zhengzhou; o sr. Ren Wenjie, diretor de Operações e coordenador da divisão de Reformas e diretor do Departamento de Ethanol e Gasolina da província de Hennan; o sr. Gao Donghai, secretário-geral do comitê da província de Hennan, e do sr. Li Bingbing, diretor internacional da Europa e América da província de Hennan.

Essas pessoas representam aquela província, que possui mais l00 milhões de habitantes, srs. deputados, e estão visitando Santa Catarina numa missão empreendedora com o objetivo de fazer parcerias econômicas com empresários chineses interessados em investir em nosso belo estado.

Então, recebemos essas figuras importantes, mostramos como funciona o Parlamento catarinense, que é um pouco diferente do Parlamento chinês, deputado Silvio Dreveck, pois lá em Hennan há 88 deputados. Eles nos mostraram seu processo de trabalho e a diferença que há com o nosso.

Ao mesmo tempo, a deputada Ana Paula Lima já fez aqui um breve comentário sobre a vitória de Barack Obama. Antes das eleições disse aqui que gostaria de dizer oba!, o que faço agora: oba! Obama venceu as eleições nos Estados Unidos!

Fiz a citação do discurso de Martin Luther King, 40 anos atrás, quando disse que tinha um sonho. E vimos que a nação americana apresentou uma das mais belas eleições da sua história, na qual venceu um negro de 47 anos, um cidadão que teve uma trajetória, no início, com uma série de complicações familiares; um cidadão que foi usuário de drogas, de bebida alcoólica, que venceu na vida tornando-se advogado, que nas suas primeiras causas trabalhou pelas figuras discriminadas, pelos negros excluídos dos Estados Unidos e que, de uma forma extremamente abrupta, conseguiu construir um cenário favorável, mostrando que é possível vencer.

Como disse o nosso presidente Lula: "A esperança também venceu o medo nos Estados Unidos".

Não podemos, em hipótese alguma, querer imputar toda a responsabilidade sobre a solução da economia americana sobre as costas desse homem que, com certeza, já mostra que é diferente. No seu discurso de vitória, em Chicago, falou acerca das diferenças de um governo pacífico, as diferenças de um governo que quer construir uma história sólida nos Estados Unidos e uma relação solidária com os países latino-americanos e os demais países do mundo. Não é um governo belicista! E isso já mostra um cenário diferente nas perspectivas futuras deste mundo, deste globo terrestre que clama tanto por homens solidários, com visões diferentes em relação ao meio ambiente, à geração de emprego e, principalmente, com procedimentos contra a guerra.

Então, essa vitória de Barack Obama representa uma vitória do mundo, porque é um cidadão cuja família vem da África - e o Brasil é o segundo maior país do mundo em população negra, só sendo superado pela Nigéria. E agora Barack Obama, de descendência queniana, vai assumir o principal posto do principal país, da principal economia mundial, que são os Estados Unidos.

Esse sonho se realiza graças a uma série de jovens que se incorporaram ao processo eleitoral. A lei eleitoral americana não obriga a votar, mas viu-se nessas eleições um maior número de jovens participando do processo eleitoral, deputado Silvio Dreveck, mostrando que a juventude, em determinados momentos, é chamada à responsabilidade e comparece. Vimos filas intermináveis durante o processo eleitoral. Aqui, às vezes, temos uma pequena filinha e todo mundo fica reclamando. Vimos uma senhora de 106 anos, que nunca havia votado porque quando houve a primeira eleição americana mulher não votava e negro também não votava, ir votar antecipadamente em Barack Obama. Isso mostra que o povo, com suas mãos, pôde mudar o cenário americano, construir caminhos diferentes, provando que é possível unificar o discurso e a prática, numa postura diferencial, como fez Barack Obama.

Ele começou a sua campanha mostrando que era possível. E todos os meios de comunicação mostravam a impossibilidade da sua vitória, primeiro pela sua origem negra e segundo pela sua forma. Ao assumir a candidatura a presidente da República ele abriu mão do financiamento público de campanha que os Estados Unidos possuem e começou uma campanha de arrecadação financeira através da internet. As maiores contribuições foram de US$ 5, US$ 10, US$ 20 ou US$ 50, vindas de trabalhadores e de cidadãos de todos os cantos e recantos daquele país, dos cidadãos comuns e dos incomuns, daqueles que sequer tiveram voz durante todo o processo de desenvolvimento americano. Barack Obama arrecadou ao todo, em sua campanha, deputado Antônio Aguiar, US$ 600 milhões, ou seja, a maior arrecadação que um presidente já obteve numa campanha, mostrando que fez o que parecia impossível: após um pleito democrático, conseguiu uma vitória histórica do Partido Democrata, tendo feito maioria folgada no Senado e na Câmara.

Portanto, cabe aqui, neste momento, mais uma vez ressaltar que a luta de Martin Luther King valeu a pena e que a paciência histórica permitiu que uma senhora de 106 anos também realizasse o seu sonho, não só de votar, mas de eleger um cidadão que, não só por negro, mostra que os Estados Unidos estão dando a volta no seu processo cultural de segregação racial.

E isso é fundamental e importante para o mundo inteiro, principalmente pelas virtudes que levaram Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos. Essa eleição não foi apenas conseqüência da crise econômica que assola o mundo inteiro em virtude da falta de responsabilidade do governo Bush, que está envolvido e atolado em duas guerras, no Afeganistão e no Iraque, nas quais muitos americanos já morreram sem saber por que; mas também pela postura de estadista que teve Barack Obama, propondo aos Estados Unidos e ao mundo um trabalho diferenciado, pacífico, solidário, de inclusão social e de integração com o resto do planeta.

Parabéns! O mundo, a partir do ano que vem, terá um novo norte, com certeza, com um novo presidente norte-americano e com todas as parcerias que fará com os demais países e com o Brasil, com o nosso presidente Lula.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)