8ª Sessão Ordinária - 26/02/2008
O SR. DEPUTADO CLÉSIO SALVARO - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, público que nos acompanha através da TVAL e ouvintes da Rádio Alesc Digital, venho à tribuna, nesta tarde de terça-feira, para lamentar o episódio ocorrido na noite de domingo, em Criciúma.
A partida entre o Criciúma e o Avaí era para ter sido uma festa no Heriberto Hülse, estádio onde famílias, idosos, mulheres, crianças e jovens vão na expectativa e esperança de ver o seu time vencer. E se não vencer, também valeu a pena terem ido lá torcer pelo seu time do coração. Mas nesse último domingo ocorreu algo muito triste, talvez a cena mais lamentável da história do futebol do sul catarinense: o sr. Ivo Costa, de 62 anos, que já teve um AVC - sofreu um derrame no lado esquerdo do corpo, -, foi vítima de uma brutalidade jamais vista, como disse, naquele estádio, quando um artefato bélico, uma bomba, foi lançado sobre a torcida do Criciúma.
Infelizmente, foi lançado - e não importa por quem foi lançado - pela torcida do Avaí que lá estava composta por pessoas de bem, por pessoas sérias que foram a Criciúma, uma cidade hospitaleira, torcer pelo seu time. Mas, infelizmente, no meio desses quase mil torcedores do Avaí havia dois indivíduos, se é que dá para qualificá-los assim, dois animais, dois assassinos que, assim como levaram ao campo uma bomba de fabricação caseira, também poderiam ter levado uma arma de fogo.
Digo isso, deputado José Natal, porque se a pessoa leva uma garrafa de água é porque vai tomar água; se leva uma bomba é porque vai lançá-la sobre alguém. E foi isso que esse animal fez: lançou essa bomba, de uma forma irresponsável, sobre centenas de torcedores do Criciúma. E o que é mais grave: no dia seguinte foram encontradas outras duas bombas também de fabricação caseira. Ou seja, três bombas poderiam ter sido detonadas, explodidas, em cima da torcida do Criciúma. E nem quero falar do despreparo da nossa polícia que, ao invés de oferecer segurança, porque lá havia torcidas brigando de todos os lados, acabou agredindo também brutalmente a torcida do Criciúma.
O Sr. Deputado José Natal - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO CLÉSIO SALVARO - Concedo um aparte ao meu nobre correligionário, deputado José Natal.
O Sr. Deputado José Natal - Deputado Clésio Salvaro, da mesma forma, quero repudiar o ato praticado por alguns torcedores do Avaí.
O Avaí tem uma boa torcida, assim como também o Figueirense e o Criciúma, mas, lamentavelmente, no meio dela estavam alguns selvagens irresponsáveis. E assisti a uma reportagem na televisão, na qual o jovem disse que recebeu a bomba do atirador, colocou-a dentro da cueca e enganou a Polícia Militar na revista porque, como ele estava com um bumbo, a polícia se descuidou e não conseguiu perceber o que estava escondido. Mas eles saíram de casa mal-intencionados, realmente, para provocar um dano a uma pessoa ou a qualquer outro lugar.
A segunda pessoa envolvida que foi presa hoje à tarde - a imprensa divulgou isso há pouco - é um soldado do Exército!
Então, só para concluir, quero dizer que eles devem permanecer presos até o dia do julgamento. Eles devem, depois de julgados, cumprir a pena em regime fechado.
Em nome da maioria da torcida do Avaí, já que sou avaiano, quero pedir desculpas à cidade de Criciúma e, principalmente, à família desse cidadão que foi vítima realmente dessa tragédia causada por um irresponsável que não sabe o que é futebol. Ele não foi lá para curtir um bom futebol, e sim predestinado a fazer o que fez, lamentavelmente. Mas peço desculpas e tenho certeza de que esse é o sentimento da maioria dos catarinenses e, principalmente, da torcida do Avaí.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO CLÉSIO SALVARO - Até porque, deputado José Natal, esse é um crime premeditado. Ele saiu de casa preparado e mal-intencionado. Preparou esse artefato bélico, procurou de todos os jeitos camuflá-lo para entrar no Estádio Heriberto Hülse e acabou conseguindo o seu intento. Esse assassino e os comparsas que o ajudaram a entrar no Estádio Heriberto Hülse promovendo essa verdadeira guerra lá região central da cidade de Criciúma, devem cumprir as penas em regime fechado.
E o sr. Ivo disse o seguinte: "No campo eu não vou mais, mas eu perdôo esse cidadão."
Naturalmente que a cidade de Criciúma e todo o povo do sul catarinense perdoaram também toda a torcida do Avaí, até porque, como eu disse, 99% dos que estavam lá são pessoas de bem. Agora, esse animal, claro, é bom que não coloque nunca mais os pés na nossa cidade. Ele tem de ficar na cadeia.
(Passa a ler.)
"Torcedor que teve a mão decepada diz que não tem ódio e que só quer se recuperar. Aos 62 anos, o aposentado Ivo Costa sempre manteve uma rotina que para ele era prazerosa. Apaixonado pelo Criciúma, ele sempre fez questão de ir aos jogos do Tigre."
Na verdade, o sr. Ivo é uma pessoa conhecida por todos. Quando chegava ao estádio vestindo uma bermuda, uma camisa do Tigre e carregando na mão um radinho, sentava lá no seu cantinho e acompanhava a partida. Assim que terminava o jogo, ele ia para casa numa boa. Essa era a rotina do sr. Ivo que, infelizmente, foi interrompida pela ação desse marginal.
Mas a cidade de Criciúma, a região sul e o Criciúma Esporte Clube, com certeza, ainda vão promover muitas alegrias ao sr. Ivo, levando, com certeza, um troféu para casa.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)