21ª Sessão Ordinária - 27/03/2008
O SR. DEPUTADO FLAVIO RAGAGNIN - Sr. presidente, demais componentes da mesa, srs. deputados, catarinenses, venho hoje levantar um assunto que acho de extrema importância para o nosso Alto Uruguai e para a educação catarinense. Mas antes disso quero reportar-me à reunião da comissão de Agricultura. Ontem, quando lá estive, estavam também o secretário da Agricultura, o presidente da Cidasc e demais autoridades voltadas ao assunto em pauta. Lá foi discutida a questão do estado de Santa Catarina ser considerado livre de febre aftosa sem vacinação.
Fiquei satisfeito com as explanações, com as explicações que lá recebi, mas quero deixar aqui um alerta ao deputado Moacir Sopelsa, inclusive, à comissão de Agricultura, no sentido de que se faça em determinado tempo, como fez o deputado Reno Caramori, a convocação dessa equipe que estava lá ontem para que continue esse monitoramento, porque não é apenas uma explicação, um comentário que às vezes agrada, que é importante, mas, sim, o monitoramento realizado pela Cidasc nas fronteiras, através da secretaria da Agricultura.
Imaginem quantas famílias catarinenses produtoras de carnes estão-nos escutando e atentando para que daqui a pouco não tenhamos mais uma crise na suinocultura, na avicultura. E nem saímos da primeira! O nosso suinocultor está muito preocupado com a falta de renda do seu trabalho.
Então, qualquer deslize, qualquer falta de monitoramento ou de cuidado na questão da sanidade animal pode ocasionar um prejuízo muito grande para o estado de Santa Catarina, principalmente para o Alto Uruguai catarinense, no que tange à suinocultura. Estamos, inclusive, sendo muito visados pelos organismos internacionais na questão de ser um estado livre de febre aftosa sem vacinação, uma vez que estamos preocupando outros países pela nossa qualidade, pelo baixo custo e pela expressão que temos hoje na questão da exportação.
Quero dizer também que sábado, deputado Silvio Dreveck, teremos um encontro de mulheres progressistas em Chapecó. E quero aqui salientar para a Lourdes que nos aguarde, pois estaremos lá dando total apoio ao evento.
Mas o assunto mais importante, em minha opinião, que tenho para abordar hoje se refere à UNC, campus de Concórdia. Encaminhei uma moção ao governador do estado, solicitando que determine um estudo no sentido de viabilizar a estadualização do campus da UNC, através da Udesc, em Concórdia.
Tenho tido muitas informações, solicitações e preocupações neste sentido até de funcionários dizendo que agora que a UNC está tentando recuperar-se dos escândalos que aconteceram, sobre a questão da intervenção até por determinação do Ministério Público, um deputado está solicitando a sua estadualização.
Acontece que a Udesc e a UNC, de Concórdia, em 2005 tinha 3.200 alunos, mas agora, em 2007, tem 2.000 alunos. Quer dizer, mais de 1.200 alunos abandonaram ou não estão mais ingressando nos cursos superiores por causa do alto custo. A recuperação da UNC de Concórdia deve ser feita, sim, mas acontece que quem vai pagar é o aluno. Quem construiu tudo aquilo que está lá em grande parte foi o aluno e nem sócio é. Agora, quando ocorre um problema financeiro na UNC, quem vai pagar é o aluno. E o Ari Adamy, nosso particular amigo, que foi e é o interventor, está fazendo das tripas coração para tentar recuperar a UNC.
Mas a nossa preocupação é para que o filho do pequeno agricultor, do funcionário, do operário tenha a possibilidade de acesso ao curso superior. Hoje não existe a possibilidade de fazer uma turma de 38 vestibulandos para um curso, porque somente quatro alunos vão fazer o curso, pois os outros não têm condições pagar.
Então, eu acho que este assunto tem que ser muito bem analisado. Estou preocupado com os funcionários da UNC de Concórdia? Claro que sim! Mas estou muito mais preocupado com os alunos. Estou muito mais preocupado com o futuro da nossa região, pois a educação tem que estar em primeiro lugar.
Portanto, temos que fazer este estudo. Eu estou levantando o problema aqui, mas ele está lá. O deputado Moacir Sopelsa comentou o assunto: o problema está lá e nós vamos apresentar a solução. E qual é a solução? Que o estado faça a estadualização, através da Udesc. O falta para isso? Faltam recursos, vontade política, talvez determinação do governador do estado para realizar um estudo para que seja uma realidade salvar os cursos superiores do Alto Uruguai catarinense e, também, para que os alunos possam ter acesso à faculdade gratuita, pois no Alto Uruguai catarinense, no Alto Irani e no Vale do Rio do Peixe, não há. Mas há em Chapecó, em Pinhalzinho, em Palmitos e aqui no litoral. Então, de qualquer forma, existe certa discriminação também para com a nossa região.
Agora, no nosso entendimento essa preocupação é necessária. E conversando com o deputado federal Odacir Zonta, s.exa. nos disse que também é parceiro dessa preocupação. É necessária, e não há nenhuma intenção política no assunto, uma intenção em favor da educação e do ensino superior. A solução é justamente a estadualização. E se faltarem recursos - e provavelmente vão faltar -, o deputado Odacir Zonta, da bancada federal catarinense, se dispõe, tenho certeza, a colocar uma emenda no Orçamento da União, para que se destinem recursos federais a fim de que a Udesc tenha plenas condições de fazer essa encampação.
Então, gostaria de ter o apoio de todos os parlamentares com relação a este assunto, porque é extremamente importante para a juventude catarinense, mais especificamente para a juventude lá do nosso Alto Uruguai.
Era isso, sr. presidente, muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)