3ª Sessão Ordinária - 09/02/2010
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sra. presidente, srs. deputados, funcionários da Assembleia, catarinenses que nos acompanham através da TVAL e da Rádio Alesc Digital, é a primeira manifestação, deputado Reno Caramori, que faço desta tribuna em 2010, em Explicação Pessoal, até porque a anterior eu fiz no horário do partido.
Eu estava, hoje, com a minha assessoria tentando selecionar os assuntos, que são tantos. Estamos saindo do recesso e muita coisa aconteceu nesse período. E tivemos dificuldade de escolher, deputado Décio Goes, um tema, tantos são os fatos que este governo gerou nesse período de recesso. A clipagem, desde o fim das atividades da Assembleia no ano passado até o início dessa nova sessão legislativa, é das piores imagináveis para Santa Catarina.
Eu nunca imaginei um final de governo tão melancólico como esse a que estamos assistindo. É uma confusão só nessa torre de Babel em que está acabando este governo estadual. É uma clipagem negativa e, como diria o presidente Lula, nunca vista na história deste estado. São somente notícias de negociatas deslanchando e de interesses pessoais prevalecendo.
Quando assisto a um pronunciamento como o de agora há pouco, de um deputado honrado, que sabe que tem o meu respeito, que tem uma história no MDB, como o deputado Edison Andrino, temos que fazer uma reflexão. O deputado Edison Andrino sempre foi conhecido como um homem de muita coragem, contundente, muito coerente nas suas posições. Na semana passada já se pronunciou com relação às coisas e aos negócios do PMDB nacional e hoje com relação aos negócios e aos interesses obscuros, como disse ele, do PMDB estadual.
Não é mais o linguarudo do Joares Ponticelli que está falando, nem a Oposição. Não é mais o linguarudo do Joares Ponticelli que está falando. É um homem que tem uma história honrada, como s.exa., que tem o meu respeito e o respeito do meu partido, e s.exa. sabe disso. Eu sempre o respeitei por suas posições coerentes, contundentes, corretas. Isso tudo, deputado Derli Rodrigues, todo esse estado de negociatas, de toma lá dá cá, de interesses obscuros, de fogo amigo, acaba prejudicando o cidadão.
O governador Luiz Henrique, todos sabemos, estava louco para ir embora no dia 5 de janeiro, estava contando as horas. São muitas promessas que ele fez e não cumpriu, deputado Derli Rodrigues. Os professores, por exemplo, esperam há sete anos a equiparação salarial com o professor de Joinville; os policiais do deputado Sargento Amauri Soares, não só os da Polícia Militar, mas da Polícia Civil também, os servidores da Segurança Pública inteira, esperam o pagamento da Lei n. 254, que virou 171, esperam o plano de carreira da Polícia Civil e esperam as melhorias salariais e as condições de trabalho que estão cada vez mais diminutas, dificultando cada vez mais as ações de segurança e fazendo com que o crescimento da violência, dos números que resumem a estatística da violência em Santa Catarina sejam assustadores. A família catarinense está assustada.
Não adianta, deputado Sargento Amauri Soares, a propaganda institucional - aquela paga - dizer que em Santa Catarina está tudo seguro, que é o lugar mais seguro para se viver, que é uma tranqüilidade só, se o cidadão está vendo, ao lado da sua casa, a ação do bandido. A minha querida cidade de Tubarão registrou, no ano de 2000, meu caro Salum, você que tem defendido tanto essas causas o ano inteiro, um homicídio, mas no ano passado tivemos 22 e no mês de janeiro deste ano, deputado Ismael dos Santos, quatro homicídios só em janeiro. Aí a propaganda institucional acha que vai enganar quem, se aquilo que está sendo dito, pago pelo erário, é contestado visivelmente, a olho nu?
E o que é pior, deputado Silvio Dreveck, ninguém sabe mais quem governa! O vice-governador, com essas dificuldades todas, marcou quatro, cinco datas para assumir e parece-me que o governador, para o povo e para o vice-governador, disse que vai entregar na hora que ele quiser, mas não lhe entrega, porque se perdeu pela boca quando disse, esta semana, num discurso na Epagri, que em março voltaria para confirmar os novos números. Voltará como governador, sinal de que não vai entregar para o vice.
É a Torre de Babel instalada neste governo, e o cidadão pagando a conta! Escolas em reforma por três, quatro cinco anos. Presídios explodindo! Deputado Ismael dos Santos, o presídio regional de Tubarão, que o deputado Décio Góes conhece bem, tem capacidade para 60 presos. Os jornais de Tubarão noticiam hoje, deputado Décio Góes, que 298 detidos estão num lugar para 60. A ala feminina, deputada Ada De Luca, tem lugar para oito mulheres, e há 46. O diretor do presídio está dizendo hoje que precisa urgentemente da instalação de ventiladores. Imaginem, com esse calor infernal que vivemos nos últimos dias, um lugar para 60 pessoas, com 300! Um lugar para oito, com 46! E o governo só pensa em lançar candidato hoje, enganar o candidato amanhã, é Dário enganando Eduardo; é Raimundo; é Pavan; é Luiz Henrique cuidando somente dos interesses da sua eleição para o Senado, irresponsavelmente, porque se fosse um homem que realmente amasse Santa Catarina, diria: "Olha, vamos botar ordem neste pardieiro. Vamos botar ordem na casa. O meu compromisso primeiro é com o povo que me deu um mandato até 31 de dezembro, vou cumprir o mandato até o fim e vou renunciar ao projeto pessoal". Mas a vaidade dele não deixa. Imaginem se ele, que sempre usou o PMDB para colocar o seu projeto pessoal na frente, faria isso? E continua usando um partido com a história respeitável que tem o PMDB.
É uma tristeza! Não pensem que digo isso com alegria, não! Não pensem que estou comemorando isso, não, porque a tristeza do governo é a tristeza do cidadão.
Deputado Silvio Dreveck, estou completando 12 anos nesta Casa, assisti à leitura da 12ª mensagem do governador, no último dia 2 de fevereiro. Eu nunca vi uma leitura de mensagem tão melancólica e tão fúnebre como foi a do último dia 2.
Lembro-me dos outros anos, deputado Sargento Amauri Soares, quando s.exa., o imperador, como diz o deputado Silvio Dreveck, chegava aqui com toda a guarda imperial, as cadeiras reservadas às autoridades do governo eram disputadas quase a tapa, quase no soco. Vinha o staff todo do governo do interior, os 36 secretários, mais os 36 adjuntos, mais os vinte e poucos secretários daqui, aquela multidão! Só secretários e adjuntos dão cento e poucos. Era uma disputa de espaço. Neste ano estava vazia, melancólica, triste, e alguns dos secretários nem gemiam com medo da polícia, infelizmente.
(SEM REVISÃO DO ORADOR)