Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

42ª Sessão Ordinária - 13/05/2010

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Muito obrigado, sr. presidente, srs. deputados, servidores da Assembleia Legislativa, demais servidores aqui presentes e os que nos acompanham pela TVAL.

No dia 13 de maio comemora-se o Dia da Abolição da Escravatura, são 122 anos. Hoje, haverá manifestações populares em Florianópolis. Trata-se do repúdio da população, dos estudantes, das forças populares em geral, contra mais um aumento da tarifa do transporte coletivo urbano da capital. Em Florianópolis os preços da passagem aumentaram mais de 7% agora no último final de semana. E estão discutindo o aumento da tarifa em 9% também para as demais cidades da grande Florianópolis, São José, Biguaçu, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz e Florianópolis.

Temos falado aqui, e não custa repetir, que esta cidade tem o transporte coletivo mais caro do Brasil, e isso, evidentemente, não está dissociado a qualidade de vida, as condições de tráfego, ao direito de ir e vir da nossa população.

Vai haver manifestação hoje, no centro da Capital, e muitos podem perguntar por que um deputado que é policial militar vem à tribuna para falar sobre esse assunto. Sobra para nós, policiais militares, conter as insatisfações sociais diante da iniquidade produzida historicamente pelos governantes.

Eu acho triste, inclusive, lamentável mesmo, que nós sejamos usados como força física, inclusive, para conter as manifestações legítimas, quaisquer que sejam. E a luta contra o aumento da tarifa, em Florianópolis, é uma luta justíssima, necessária mesmo.

Nós acompanhamos aqui nesta tribuna diversos deputados falando sobre a situação caótica, insuportável, agonizante, do trânsito na Grande Florianópolis. Existem projetos de 20 anos para fazer contorno viário. Faz tanto tempo, que é da época em que o deputado Edison Andrino era prefeito da capital. Desde aquele tempo já se falava na construção de uma via de contorno na Grande Florianópolis, para evitar trânsito pesado na área urbana de São José, Palhoça e Biguaçu, principalmente. Faz mais de 20 anos, e até agora só projetos. Aliás, o próprio projeto de uma obra que não acontece às vezes custa muito caro. E há outros projetos para diminuir a intensidade do tráfego de veículo particular aqui na capital e na região da Grande Florianópolis.

Quanto já se falou a respeito disso nesta região?! Quantos compromissos de governantes foram feitos?! Há quantos anos nós ouvimos falar no tal metrô de superfície, que seria um projeto inovador, que iria resolver boa parte da agonia do trânsito em Florianópolis e na região? E, como já citei ontem, Florianópolis é considerada a segunda pior cidade em mobilidade urbana para uma cidade desse tamanho. Ou seja, Florianópolis é uma cidade relativamente pequena em relação às grandes metrópoles nacionais e mundiais, mas vive problemas de trânsito parecidos e proporcionalmente piores do que os dramas de trânsito de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte. E as soluções ficam sempre nas promessas, aliás, promessas mirabolantes.

Falou-se muito em metrô de superfície, mas não se sabe ainda de nada, nem há uma maquete para mostrar para a população. Falou-se em revitalizar a ponte Hercílio Luz, deputado Dieter Janssen, já faz tempo. Isso foi há anos. Aliás, sempre se falou em revitalizar a ponte Hercílio Luz, e até agora nada foi feito de concreto.

Há quatro anos e dois meses, em março de 2006, houve um ato do governo do estado, ali, na cabeceira da ponte Hercílio Luz, e disseram que iriam colocar aquela ponte para funcionar. E as pessoas mais conhecedoras, aquelas que moram na Capital há mais tempo ou que são daqui, disseram ao governador que é difícil pensar na ponte Hercílio Luz para transporte de automóvel, porque ela é muito frágil, muito precária e sugeriram a utilização da ponte Hercílio Luz para transporte de bicicleta e de motocicleta, porque isso também já diminuiria o tráfego de automóveis pelas outras pontes, pois as pessoas que moram no Estreito poderiam se deslocar para a Capital pela ponte Hercílio Luz, de bicicleta, em menos tempo, gastando menos, não ficando na fila e não poluindo o mundo também.

Ele disse, então, que iria pensar num sistema em que, inclusive, voltaria a circular automóvel na ponte Hercílio Luz. Houve até foguetório. E a impressão foi de que eles queriam derrubar a ponte de tanto foguete que soltaram na promessa de que, logo, logo, ela estaria aberta à circulação não só de bicicletas e motocicletas, mas também de automóveis. O governador garantiu.

Ficou mais quatro anos no governo, depois foi embora e cadê? Não param de empurrar dinheiro na ponte Hercílio Luz. Só com o dinheiro que gastaram com foguetes em março de 2006 daria para recuperar 10% da ponte. E o que acontece? Não fazem nada. Para alargar uma estrada demora uma eternidade, uma via. Falam em metrô de superfície, em revitalização da ponte Hercílio Luz, num novo túnel para passar por baixo do mar e sair lá no Estreito. É o que estão falando agora, nos últimos meses. Falam em outra ponte. Quem sabe, haja mais um monte de condições, de negociatas tipo aquela do Orofino! Mas para alargar uma estrada em dois metros, demora! Para sair um viaduto, demora! E continuam espalhando promessas para a população.

Então, existe um problema grave na Grande Florianópolis de trafegabilidade, um problema gravíssimo de engarrafamento, pois se demora mais de uma hora para andar 10km nesta capital, dependendo do horário. E as promessas continuam.

É evidente que a população vai se manifestar, que isso vai estourar em algum lugar. A passagem do transporte coletivo, que deveria servir para tirar os carros das ruas, é a mais cara do Brasil. Meia dúzia de empresas controla há décadas e décadas os lucros do transporte coletivo. Mas quanto a essas empresas, os governos e os governantes em geral não têm tido a capacidade de dar um basta, apesar dos discursos pré-eleitorais que fazem, até porque muitas pessoas que participam dos órgãos de poder também têm empresa de transporte coletivo, e aí a manifestação vai acontecer, cada vez, com mais gravidade, com uma intensidade maior. Lamentavelmente, aí dizem que é bagunça, baderna e chamam a Polícia Militar para reprimir.

Nós ficamos tristes com isso! Nós queremos políticas públicas de transporte coletivo para a Grande Florianópolis. Chega de promessas! É preciso ação, porque a manifestação é legítima e precisa acontecer.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)