Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

57ª Sessão Ordinária - 08/08/2007

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Muito obrigado, sr. presidente, deputado Peninha, srs. deputados, sras. deputadas, servidores e servidoras deste Poder Legislativo, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, demais pessoas, autoridades que nos acompanham nesta sessão.

Ao iniciar a minha fala gostaria de registrar um acontecimento ocorrido na cidade de Imbuia, minha terra natal. Daqui a alguns minutos será o sepultamento, o enterro de uma senhora ainda jovem, com 33 anos de idade, que deixou uma filha adolescente e um filho de nove anos de idade. Patrícia Bernardo morreu ontem no hospital do Cepon, no centro da nossa Capital, portadora de câncer no pulmão. Patrícia daria início à radioterapia amanhã, dia 9 de agosto.

O que me espantou, conversando com os familiares ontem, no final da tarde, na porta do hospital do Cepon, foi essa notícia de que iniciaria o tratamento de radioterapia amanhã, dia 9 de agosto, quando, na verdade, há mais de três meses teve a notícia do câncer aqui, na Capital, nos hospitais, no Cepon, dos médicos, fora o tempo em que ela esteve com os médicos em Itajaí, que alegavam ser um problema muscular. Ela poderia ter terminado as sessões de radioterapia, se tivesse começado quando identificou o problema, se houvesse o encaminhamento médico nesse sentido. E por que não o fez? Não o fez porque há fila no Cepon de Florianópolis e de Santa Catarina. E ela começaria amanhã. Se ela tivesse começado há dois meses, teria terminado - são 60 sessões -, estaria viva, certamente, e talvez fosse curada.

Por que há fila? Assim como há fila em vários outros lugares, embora isso não se torne notícia com muita freqüência, há fila porque os recursos para a saúde pública são poucos, porque a saúde também virou comércio, porque a lógica reinante continua a ser o estado arrecadar e pagar juros para os serviços da dívida para banqueiros, porque a lógica continua a ser o estado, em todas as suas instâncias, inclusive esta aqui, o Poder Legislativo, considerar que os empresários estão padecendo e inventar forma de incentivar os grandes empresários, como foi aprovado aqui, na semana passada, um incentivo. Ou os empresários deixarem de pagar 75% do ICMS não é uma forma de o estado deixar de arrecadar? E continua a mesma lógica, srs. deputados, até já temos falado nisso. Inclusive, todo mundo parece que diz que o neoliberalismo não funcionou, não aprovou, que não deve ser assim, que tem que mudar, mas continua a mesma lógica. E as parceiras público-privadas estão aí, e vamos aprovar outra medida provisória hoje que remete mais dinheiro nesse sentido.

Assim como queremos expor que continuamos, sim, contra todo e qualquer pedágio no estado de Santa Catarina, por que as empresas tão eficientes para administrar as rodovias já duplicadas não assumiram há dez anos a duplicação da BR-101 no trecho sul? Por que a iniciativa privada não duplica o trecho sul da BR-101? Mas o estado vai duplicar e depois todo mundo vai achar normal entregar para a iniciativa privada administrar. Depois de pronta, é lucro para a iniciativa privada, é lucro para os grandes empresários, é o estado abrindo mão, é o estado entregando e deixando de investir em saúde, educação, deixando de salvar a vida das pessoas.

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)