Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Serafim Venzon

69ª Sessão Ordinária - 05/09/2007

O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, na sessão de hoje quero apresentar uma proposição à secretaria estadual da Educação e pedir, naturalmente, o apoio dos deputados.

Hoje, o estado de Santa Catarina tem 1.324 colégios, e o número de alunos ultrapassa a 850 mil, que se somados aos mais de 150 mil alunos que estão matriculados na escola de jovens e adultos, Ceja, esse número ultrapassa a um milhão de alunos nas escolas estaduais. E considerando que o estado não possui seis milhões de pessoas, vejam, então, srs. deputados, qual é o alto índice de crianças, jovens e adultos que estão nas escolas estaduais.

Até o ano passado, fazíamos segurança nas escolas através de empresa terceirizada, com a segurança presencial. Era um guarda que ficava lá, na frente da escola. Isso vinha custando para os cofres da Educação aproximadamente R$ 2 milhões por mês, que multiplicados pelos 12 meses, mais o 13º e mais uma série de outras coisas chegava perto dos R$ 30 milhões.

O governo não só a título de economia, mas, principalmente, para usar melhor esses R$ 30 milhões... O governo do estado gasta aproximadamente 25% na Educação, até porque é obrigado por lei a gastar. Bom, se economizar com segurança, poderá gastar esse mesmo valor em outras atividades mais produtivas para o aluno.

Então, considerando esse número de alunos; considerando que o governo está instalando em todas as escolas um sistema de segurança eletrônico; considerando ainda que esse sistema de segurança eletrônico dê para fazer uma proteção boa na questão patrimonial, vai significar naturalmente uma grande economia nessa parte. Mas, por outro lado, é importante a participação da família na escola.

Se formos comparar a escola pública com a escola particular, parece que os alunos aprendem melhor na escola particular. Por que será que os alunos aprendem melhor na escola particular, se muitas vezes o professor é o mesmo que dá aula aqui e lá? Mas mesmo que não seja o mesmo, a qualificação dos professores estaduais muitas vezes é melhor do que a qualificação dos professores da rede privada. Por que será, então, esse prejuízo? Já foi feito um estudo sobre isso e foi apurado que o principal fator, deputado Dagomar Carneiro, é a participação do pai, da mãe, a participação da família no processo educacional.

Muitas vezes alguns pais dizem: "Quem tem que ensinar é a escola. A professora que dê jeito"! Mas se o aluno chega a casa reclamandoque a professora deu-lhe um castigo, os pais reclamam da professora, reclamam do colégio. Enquanto deveriam pensar que se o professor deu castigo para o filho, a princípio, ele está com a razão, porque na escola particular geralmente é assim. Se o aluno ganhou um castigo, o pai ajuda a multiplicá-lo um pouquinho mais para garantir que ele cumpra o castigo que o professor deu. Os pais também ajudam na execução das tarefas, o que é importante.

Então, achamos que a participação do pai e da mãe no processo educacional é muito importante. Mas a grande maioria dos pais sabe onde é a escola, mas nunca entrou nela, nunca teve um contato maior com o professor, com os colegas do seu filho. E muito raramente os colegas do filho viram o pai ou a mãe do amigo na escola.

Portanto, já que o estado vai implantar esse sistema de segurança eletrônico que dispensa pessoas humanas e que vai significar, sim, uma grande economia, estou propondo que a secretaria da Educação faça uma parceria com as APPs. E, aliás, essas APPs funcionam muito bem. Em muitas regiões, nas mais diversas cidades, vemos a sua organização. As festas das APPs nas escolas públicas na grande maioria das vezes são maiores do que as festas de igreja, de padroeiros. Por quê? Porque o pai, a mãe e a família querem ver o resultado. E temos essa docilidade das pessoas; as nossas famílias querem se envolver, mas precisam ser chamadas. Se não as chamarmos, elas vão-se sentir intrusas em ir à escola.

Diante disso, se fizermos uma parceria, deputado Professor Grando - v.exa., que foi professor, certamente poderá nos ajudar a reforçar essa nossa proposição -, da secretaria da Educação com as APPs, vamos usar esse dinheiro que estaremos economizando para contribuir com a APP de outra maneira. E o pai, a mãe e as pessoas voluntárias da comunidade poderiam fazer uma escala de plantão uma vez por ano. Assim, uma vez por ano o pai ficaria na frente da porta do colégio escoltando-a. Dando segurança? Não! A presença já seria o suficiente. Isso seria feito somente durante as aulas. E assim impediremos que o aluno se evada no momento da aula, pois existe aquele que pede para ir ao banheiro e desaparece da escola. Por outro lado, naquela confusão do recreio, entram intrusos no colégio levando drogas e outras coisas. Isso acaba entrando nas escolas, mesmo com toda a segurança que normalmente é feita. Então, o pai ou a mãe que estivesse na porta conheceria melhor o colégio, estaria sendo identificado pelos coleguinhas do filho e teria um envolvimento maior com toda a educação.

Naturalmente acredito que isso seria um fator que ajudaria a melhorar a educação. Seria uma oportunidade que as famílias teriam de participar da sua escola, de serem mais úteis. Imaginem v.exas. que num colégio de porte médio, com 600 alunos, 700 alunos, 800 alunos, no mínimo teríamos ali a metade das famílias. Dificilmente uma família tem mais de dois ou três filhos. Ou seja, teríamos mais de 300 pais ou 400 pais, 300 mães ou 400 mães, que poderiam fazer, junto com a APP, uma escala para, durante o ano, dar um dia de plantão na porta do colégio. Esse pai ou essa mãe seria guarda por um dia, professor por um dia, para ajudar a educar o seu filho e o filho dos outros, porque, afinal, os nossos filhos aprendem na escola, aprendem conosco e também aprendem um pouco com todo mundo. E essa seria uma grande oportunidade!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)