23ª Sessão Extraordinária - 08/08/2007
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - A nossa saudação a sra. presidente, deputada Ana Paula Lima, e ao deputado Sargento Amauri Soares.
Eu não poderia deixar de recordar, no dia de hoje, o que representa para a humanidade o triste episódio da questão das bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki.
A humanidade tem que se manifestar sempre que é possível, até porque na própria poesia de Vinícius não podemos esquecer da rosa de Hiroshima, da bomba atômica que esfacelou, que matou crianças e famílias. Só para se ter uma idéia, mais de 140 mil pessoas morreram em Hiroshima - 70 mil no ato, depois mais 70 mil, como conseqüência da irradiação, e mais 70 mil em Nagasaki. Isso tudo a humanidade tem que aprender.
Deputada Ana Paula Lima, eu, quando estive em Hiroshima, visitei um museu que há sobre o local central onde a bomba caiu. E sobre a maquete antiga, anterior à bomba ser lançada, há sempre uma bola vermelha numa determinada altura. Por quê? Porque a bomba de Hiroshima, assim como a de Nagasaki, não foi feita, como alguns queriam crer, como um artefato, como uma experiência. Não! Ela foi feita com o máximo da maldade possível, pois explodiu numa altura de 580m para poder matar um maior número de seres humanos.
Esta é a verdade que tem que ser dita. Quantas pessoas sabem desse detalhe? Ela não explodiu numa altura superior a 580m nem no solo; fizeram-na explodir justamente numa altura em que pudesse dizimar mais seres humanos.
Isso é uma lição para todos nós. Por quê? Porque em 1958 começou um movimento, com a ajuda das Nações Unidas, através do prefeito de Hiroshima, para o primeiro encontro para o desarmamento mundial, pela não proliferação das armas nucleares. E foi nessa corrida, nessa tensão que a nossa geração cresceu, sempre com esse estresse, com essa preocupação, com a tensão da III guerra mundial, de que a qualquer momento poderia ocorrer. E todos nós saberíamos o quanto isso seria grave, se ocorresse a explosão de mais alguma bomba atômica.
Graças a Deus, houve um acordo do desarmamento nuclear. Ainda não está ocorrendo como se imagina, como é o ideal, e por isso que é importante relembrar. Mas, enfim, tirou-se essa tensão com a qual toda uma geração cresceu de que poderia haver uma III guerra mundial. Os atuais jovens não pensam nisso; pensam em outras coisas melhores. Não poderiam estar herdando essa preocupação.
Então, eu gostaria de lembrar essa data para um futuro melhor, para que a humanidade entenda que não é esse tipo de utilização: como arma e também como energia, a força nuclear sendo usada dessas duas maneiras. Muito me preocupa porque a luta pela paz mundial é tão importante que todos os partidos têm que procurar atingir.
Hoje, qualquer partido que não tiver a luta da paz mundial e a luta pelo meio ambiente, não vai-se constituir como partido. É a questão do futuro mesmo!
Então, temos que pensar muito bem nessa questão aqui no Brasil, que tem todo um potencial de energia, que vai desde a energia solar, eólica, biomassa, hidrelétrica. Mais de 80% da nossa matriz são provenientes das águas, através da hidrelétrica. Há todo um processo de aperfeiçoamento. Estamos querendo fazer a Angra III com um investimento de bilhões de dólares, sem ter a necessidade, que não se sabe até hoje e não se tem conhecimento científico específico dessa questão do que fazer com o lixo atômico, com o lixo radioativo. E estamos brincando com um grande perigo.
Assim, que o exemplo para a humanidade de Hiroshima e Nagasaki seja o sino da paz, que é estendido por todos os lugares onde encontramos descendentes, os companheiros e amigos japoneses, e bata realmente com a preocupação de que nunca mais isso ocorra. E que nunca mais ocorram as guerras, como vêm acontecendo no Iraque, pois não há necessidade disso.
A humanidade tem que aprender cada vez mais a valorizar uma entidade chamada Nações Unidas. Além disso, as Nações Unidas também devem se modernizar e procurar criar um órgão junto aos municípios, junto ao poder local para democratizar-se, porque a OMS - Organização Mundial de Saúde - precisa dos municípios para combater as doenças, as epidemias. Assim como há a Unicef, o fundo para a cultura, há que haver também um órgão, a exemplo da OMS e da Unicef, que cuide dos poderes municipais, porque hoje, com a globalização, os poderes municipais se organizam de forma mais rápida e respondem.
Deputado Sargento Amauri Soares, vimos a manifestação contra o aquecimento global, quando estávamos em Montreal. Hoje, pela Internet, podemos ver as principais cidades do mundo se manifestando em passeatas com 500 mil, 300 mil pessoas, em vários lugares ao mesmo tempo. Na questão contra a guerra do Iraque, várias cidades do mundo se manifestaram, pela sua forma ágil de organização, que é a descentralização.
Então, as cidades, hoje, ocupam o lugar das discussões dos principais temas, das pesquisas e das tomadas de decisões que ocorrem no mundo, em função das suas conferências, dos seus encontros, das soluções imediatas na geração de emprego, de uma boa qualidade de vida, de cuidar do meio ambiente. Com cada um fazendo o seu dever, cada cidadão, cada célula, cada município, nós iremos solucionar.
Dessa maneira, com tristeza podemos lembrar dos tempos em que ocorreu essa barbárie, que foi o lançamento das bombas atômicas. E que isso nunca mais ocorra; o ideal seria que não houvesse mais guerra.
Eu não poderia deixar de falar sobre isso nesta semana, em nome de meu partido. E como deputado, mesmo sendo estadual, tenho que alertar para as conseqüências da função nuclear, do perigo e do que já ocorreu como armamento.
Muito obrigado, sra. presidente!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)