18ª Sessão Solene - 17/09/2007
O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Sr. presidente, deputado Julio Garcia;
Sr. presidente da Federação Catarinense de Futebol de Salão, João Carlos de Souza;
Sr. dr. Fernando Luiz Soares de Carvalho, primeiro presidente da Federação Catarinense de Futebol de Salão;
Sr. Ennio Selva Gentil, que, quebrando o protocolo, foi aqui nominado como eterno dirigente da Federação Catarinense de Futebol de Salão;
Sr. Édio Nunes de Souza, ex-atleta e ex-dirigente de futebol de salão;
Prezado colega, deputado Cesar Souza Júnior.
(Passa a ler.)
"Sou de um tempo em que o futsal chamava-se futebol de salão e os salões desse futebol em nossa capital (FAC e Colégio Catarinense, sobretudo) vivam repletos de público que reverenciava e torcia apaixonadamente por seus clubes, em especial Cupido, Doze e Colegial. Cupido de Julio, Acioli, Ritta, Tamino e Sílvio ou Franz; Doze de Fausto, Gueda, Biasoto, Lauri e Mellin; e Colegial de Alu, Sérgio Abraham, Gravata, Guesser e Cavallazzi.
Sou de um tempo em que a bola de futsal era pesada, como pesada era a tarefa dos abnegados que o conduziam, dentre os quais reponta, emblematicamente, a simbolizar todos os seus baluartes, o nome de Rozendo Vasconcelos Lima, o 'Caro', que sonhou com a construção do Palácio do Futebol de Salão, não o viu materializar-se em vida, por seu precoce passamento, mas sua têmpera legou-nos o melhor ginásio da cidade que, justamente, imortaliza o seu nome. Ao lado dele, Rozendo, ombreando-o como ícone do salonismo catarinense, há um outro, igualmente guerreiro, denodado, apaixonado pela causa, que, dias atrás, completou 35 anos de atuação, o nosso queridíssimo Moreira, responsável maior pela trajetória ininterrupta do mais longevo e vitorioso clube em atividade, o Colegial, permitam-me dizer, o 'meu' Colegial.
Sou de um tempo em que essa mesma bola, de que há pouco eu falei, se lançada pelo goleiro, não podia transpor, atravessar a linha intermediária sem antes tocar a quadra, como não podíamos imaginar transpor, nem em pensamento, daquela situação para a atual, em que o nosso estado pontifica no cenário internacional, sediando uma equipe laureada internacionalmente, como a Malwee, e hospedando hoje o melhor atleta de futsal do mundo, em todos os tempos, o craque Falcão.
Sou de um tempo em que os atletas literalmente pagavam para jogar, no sentido de que, além de nada receberem como retribuição pecuniária, ainda, em muitos casos, bancavam despesas de suas agremiações. E, em que, até mesmo os massagistas da melhor estirpe, hoje fisioterapeutas, dedicavam-se, também, quase que graciosamente, à ingente tarefa de velar pela higidez física dos atletas e a neles infiltrar o estímulo e o bálsamo da competitividade. Aí estão, vivos e respeitados, alguns deles aqui presentes: Arnildo Pires, Abílio e Vilson Pires - este último o Sou + Eu, nome, aliás, adotado, por empréstimo, e nunca mais devolvido, pelo melhor bloco carnavalesco da nossa ilha.
Sou de um tempo em que os árbitros, amadores, viviam e conviviam com clubes e atletas, com os quais se encontravam para uma 'gelada' após o jogo, independentemente do resultado, sem que aquele relacionamento, jamais, em tempo algum, tivesse afetado a imprescindível isenção. Menegotto (o hoje conceituado advogado Waltoir Menegotto) e José Acácio Santana, o Pepe, entre tantos outros, são exemplos desta postura, como o são muitos outros árbitros ainda em atividade.
Cabe aqui um parêntese para relatar uma história (com 'h'), portanto, verdadeira, que se relaciona com juiz, hoje árbitro de futsal. Um ex-jogador de futebol de salão fora aprovado em concurso para juiz de direito e, nos primeiros dias em que se encontrava na nova comarca, deparou com antigos companheiros de equipe, que, surpresos, indagaram o que ele fazia por lá. Respondeu: 'Sou juiz agora'. Ao que seu interlocutor emendou: 'Que bom, então vais apitar o nosso jogo hoje'.
Sou de um tempo em que a Federação era conduzida por um pugilo de abnegados que, misturando dever com prazer (o que dizem ser fórmula do sucesso), envolvendo amigos e familiares, desde há muito sediada no edifício Aplub, garantia a regularidade das competições e endossava todas as iniciativas, como o faz até hoje, agora por intermédio do presidente João Carlos de Souza, antecedido por Fernando Luiz Soares de Carvalho, Hamilton Berreta, Milton Lemos do Prado, Ody Varella, Ênio Selva Gentil, Waldemiro Carlsson, Fausto Silva, Hans Werner Hackradt e Wilson José de Souza Coelho (Cabrera), homens que a ela se devotaram singularmente, ao longo de toda uma vida, do que é exemplo a figura bonômica de Ênio Selva Gentil.
Enfim, sou daquele tempo romântico que não mais volta, todavia, como diz o poeta, 'nosso tempo não é o que foi, mas o que está sendo vivido', por isso decidimos, o deputado Julio Garcia e eu, ele, sem favor, um dos melhores goleiros do salonismo catarinense, e eu, um aguerrido central da equipe do Colegial, hoje integrantes deste Parlamento, decidimos, como dizia, pelo muito que vivemos naquele meio, pelo tanto que aprendemos naquele seio, pela pletora de amigos que fizemos nesse permeio, prestar esta singela, mas sincera, homenagem à Federação Catarinense de Futebol de Salão e a todos quantos ajudaram a escrever sua história nesses primeiros 50 anos."
Muito obrigado!
(Palmas)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)