21ª Sessão Ordinária - 11/04/2006
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. presidente e srs. deputados, ainda sinto saudades da época em que fui vereador, que foi uma coisa que me deu muito orgulho. Tive também o privilégio de ser prefeito da minha cidade Taió. Assim, desejo cumprimentar a todos que aqui estão presentes.
Mas assomo à tribuna, na tarde de hoje, para falar a respeito de uma manchete da primeira página do jornal ANotícia. Eu vou fazer um comentário sobre uma situação que nos preocupa muito e acredito que preocupa a todos nós, homens públicos, e a todos que se preocupam com a nossa bela Santa Catarina.
Temos aqui estampado nesta foto do jornal ANotícia dois fatos que nos preocupam muito. O primeiro fato é a situação de desespero e de angústia do nosso setor produtivo brasileiro, especialmente dos nossos agricultores. E o segundo fato é a manchete desse jornal, a qual está veiculada em todo o Brasil desde ontem: "Brasil cai no ranking de produtividade mundial de 4ª posição para 22ª posição".
Esse dado é estarrecedor para a economia de um país da dimensão e da importância do Brasil, principalmente quando nós escutamos falar tanto de índices positivos da economia. Então, a realidade é outra, estamos vivendo uma fantasia, porque a realidade está presente na vida de cada um de nós.
Mas eu quero falar sobre a minha região, sobre o nosso estado, sobre a nossa Santa Catarina. Eu quero falar a respeito desse segmento que paga uma conta muito alta e muito violenta para sustentar e segurar o peso desta nação. Eu vou falar em nome do nosso produtor rural.
O nosso agricultor está vivendo talvez um dos momentos mais difíceis da sua história. Nós nunca vimos, em nenhuma época, a agricultura perder tanto, perder 50% do seu preço, levando-a, principalmente a pequena propriedade rural, a uma situação de falência, endividamento e inviabilidade.
Essa situação é desesperadora, haja vista que nós catarinenses somos pequenos produtores, mas nós significamos muito para a economia catarinense, especialmente para a sociedade catarinense.
Com essa situação, nós vamos continuar vendo mais do que nunca as famílias de agricultores, deputado Lício Silveira, vindo mais uma vez para as grandes cidades, a fim de buscar alternativas para sustentar os seus filhos. Esta é uma realidade desesperadora!
No meu primeiro mandato nesta Casa, nós criamos a CPI do combustível e naquela oportunidade o litro da gasolina custava R$ 1,08. Ontem, eu fui abastecer o meu automóvel e agora o litro da gasolina está custando R$ 2,77. Os matemáticos, que fazem a conta de que neste país não há inflação, merecem receber o prêmio Nobel da matemática. Eles dizem que o nosso país não tem inflação, mas o custo de produção está cada vez mais elevado, o juro está subindo cada vez mais! Então, essas pessoas mereciam o prêmio Nobel da matemática, porque encontraram uma fórmula que nós, em casa, o pai de família e o produtor não encontraram.
Mas se não bastasse essa situação, temos a situação daquele que mais gera emprego no interior de Santa Catarina, que é aquele cidadão que tem o parque industrial ligado ao segmento da madeira. O segmento da madeira envolve o plantio, envolve a lavoura de longo prazo, que é o pinus. Mas ele é transformado, através da indústria madeireira, em riqueza e em geração de emprego.
Essas duas atividades, também, em Santa Catarina, tanto quanto no Brasil, estão vivendo um momento total de inviabilidade. O desespero está forçando esse segmento e o agricultor, que não têm vocação, a irem às ruas, fecharem rodovias para tentar chamar a atenção para o momento de desespero que eles estão vivendo.
O segmento ceramista de Santa Catarina está vivendo também o pior momento da sua vida. Um outro segmento que é um grande gerador de riqueza, renda e emprego em Santa Catarina são a indústria e o parque têxtil, que estão nessa mesma situação.
Então, custa-me muito encontrar uma explicação, deputado Genésio Goulart, para esses dados positivos mostrados todos os dias pela TV, principalmente pela Rede Globo.
Eu estava aqui escutando o deputado Paulo Eccel falar do seu sentimento com relação à imprensa que muitas vezes não é solidária com eles. Eu só gostaria de dizer que nenhum partido na história do Brasil teve tanto tempo de mídia a seu favor, principalmente da grande mídia, e tanta bondade a seu favor quanto o Partido dos Trabalhadores, do presidente Lula.
Essa que é a grande realidade! A imprensa tem sido a grande parceira do governo federal e não tenho dúvida alguma de que a realidade do Brasil é esta que vivemos a cada dia, deputado Djalma Berger; é esta que convivemos, deputado Gelson Sorgato e deputado Moacir Sopelsa, v.exa. que foi secretário da Agricultura.
Estão tentando penalizar, muitas vezes, o governo pelas mazelas, pelas conseqüências, pelo problema da agricultura, mas o problema de fato é do governo federal, só estão esquecendo de qual governo é responsável por isso.
Nós temos um problema no Brasil que nos está impedindo de exportar a carne para a Rússia. Quem eles estão penalizando? Quem fez o seu dever de casa, que são os catarinenses. Os catarinenses fizeram o seu dever de casa. A qualidade sanitária aqui é indiscutível, mas por omissão, por covardia, por morosidade do governo federal e do ministério da Agricultura, estamos pagando um violento preço com relação àquilo que produzimos no estado de Santa Catarina.
Nós fizemos a nossa parte, mas estamos sendo penalizados de forma covarde, e não é justo isso que está acontecendo conosco; não é justo o que se está fazendo com Santa Catarina.
Nós temos uma economia bem centrada, principalmente a dos agronegócios. Mas estão penalizando, hoje, não só o produtor de gado de corte, como também os suinocultores, o nosso agricultor.
A situação é de fato de extrema necessidade, de extrema urgência. Nós temos que buscar recursos para os trabalhadores, principalmente daqueles que são governo dos trabalhadores, e que eles dêem mais atenção aos trabalhadores, busquem uma solução alternativa para eles, para que possamos ver o nosso produtor rural continuar na sua propriedade. Porque senão veremos as propriedades rurais transformarem-se apenas em sítios, e essa realidade está chegando, essa realidade está preocupando. Então, este é o momento para nós que somos também de uma região muito produtiva, que é o Alto Vale do Itajaí, fazermos alguma coisa.
No Alto Vale do Itajaí, nós vendíamos, deputado Moacir Sopelsa, o arroz, há dois anos, a R$ 36,00 a saca, hoje, estamos vendendo-o a R$ 16,00. Como vamos sobreviver na agricultura dessa maneira?!
Nós vendíamos milho a R$ 24,00, hoje estamos vendendo a R$ 11,00. Como vamos sobreviver na agricultura dessa maneira?
Nós vendíamos o nosso frango a R$ 2,40, hoje, estamos vendendo a R$ 0,99. Como explicar que nós poderemos permanecer na agricultura?
Mas é fácil encontrarmos uma solução para uma cesta básica de inflação zero. É só matarmos o segmento da agricultura, que é muito importante para o Brasil, para a sua economia, que aí, sim, vamos, facilmente, poder continuar mantendo esses números de inflação próximos a zero.
A realidade que bate em nossa porta é totalmente outra. É uma realidade de desespero e uma sensação de abandono. É essa a situação que se passa para cada um de nós: de abandono a um segmento da importância da nossa agricultura catarinense e...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)