32ª Sessão Ordinária - 09/05/2006
A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - Sr. presidente, deputado Herneus de Nadal, srs. membros da mesa, deputado padre Pedro Baldissera, sras. deputadas, srs. deputados e amigos que nos assistem, eu não poderia deixar de citar a imprensa falada, escrita e televisionada que dá todas as condições para que os nossos amigos telespectadores estejam inteirados das atividades parlamentares aqui nesta Casa Legislativa.
Senhores, quando temos que enfrentar uma greve, isso nos deixa muito tristes e abatidos. Já havia salientado, na semana passada, que a greve significa um grito de socorro àqueles que estão com a caneta cheia de tinta nas suas mãos. Vemos os médicos entrando em greve, vemos também os professores da rede pública estadual entrando em greve, e isso é lamentável para o nosso estado de Santa Catarina.
Lendo a página 4 do Diário Catarinense, pude constatar que está marcada para as 17h de hoje, no Centro Administrativo do governo, na capital, uma nova rodada de conversações entre governo do estado e sindicato dos trabalhadores da educação. Essa reunião foi agendada para a comissão oficial de negociação tentar pôr fim a esta greve dos professores da rede pública estadual, que já completa seus 13 dias. E volto a salientar que quem está perdendo com isso são as famílias - é a mãe que trabalha fora, o pai assalariado que vive do salário mínimo e é aquela criança que está perdendo aula.
Eu volto a fazer um novo apelo ao nosso governador em exercício, dr. Eduardo Pinho Moreira, que é médico, uma pessoa do povão, um homem de cultura e inteligente, para atender os meus colegas professores. Eu tenho certeza de que haverá um entendimento. Volto a pedir para o dr. Eduardo Pinho Moreira, nosso governador em exercício, que atenda essas pessoas para que haja uma negociação, um entendimento.
O que os professores estão pedindo, em primeiro lugar, é que seja aberto o debate, que haja uma conversação. A incorporação do abono e a equiparação salarial são os pontos essenciais para o início das negociações. Para tudo se dá jeito! Só não há jeito para a morte! Portanto, tem que haver um entendimento, um diálogo entre ambas as partes. O Sinte, o sindicato dos professores, também tem que ser mais brando um pouco.
Eu estou torcendo. Às 17h haverá esta conversação, essa negociação, e ambas as partes devem chegar a um denominador comum, pois as nossas crianças precisam chegar às salas de aula, governador. As mães precisam que essas crianças não percam mais aulas. É tão difícil para uma família que vive com um salário de miséria, com um salário mínimo mísero, ter de comprar material escolar, ter de comprar o lápis para a criança. Eu digo isso porque sei! Para eu fazer o primário, tinha que lavar roupa para fora! Com oito anos de idade, já estava no tanque, ajudando a minha mãe a lavar roupa para fora para pagar o uniforme da escola e os meus livros, porque nós não tínhamos condições de comprá-los!
Não tenho vergonha de dizer que sou filha de lavadeira. A minha mãe, que lavava roupa, não tinha máquina. Ela tinha que esfregar no tanque a roupa que lavava para fora, para poder dar estudo para sete filhos - eu sou a sétima da família.
Eu vejo o lado daquela família que não tem condição financeira, que, às vezes, as crianças vão para a escola para se alimentar com a merenda escolar, porque na sua casa não há condição para isso.
Torço para que haja um entendimento e os nossos professores sejam reconhecidos! Afinal de contas, todas as classes foram prestigiadas, o funcionalismo público foi prestigiado! Por que deixar de lado uma das classes mais importantes, que é o Magistério Público?! Os nossos professores são o carro-chefe e carregam nas costas as nossas crianças, os nossos jovens!
Então, estou torcendo por este momento importante, que será às 17h. Eu tenho certeza de que haverá um entendimento.
Mas, senhores, eu estou com o estatuto do meu partido, o Partido Liberal, que, graças a Deus, está passando por uma grande depuração, graças a Deus! Eu já havia falado sobre isso, em outro momento, na qualidade de presidente do partido. Quando alguns dos nossos estão querendo tomar outro rumo, o que nós temos que fazer? Quando não honram a sigla, quando não levam as coisas a sério, quando querem denegrir a imagem do partido, o que nós fazemos, deputado Sérgio Godinho? Nós os mandamos para o Conselho de Ética de nosso partido, que irá analisar o caso e dar as advertências cabíveis. Nós não vamos mais passar a mão na cabeça! Há momentos em que temos que analisar, e se a pessoa estiver envergonhando a sigla, temos que dizer-lhe: "Tchau e benção, siga o teu caminho!"
O Título IV trata da disciplina partidária. O inciso V, do art. 44, fala da ineficiência flagrante ou indisciplina, e eu já havia falado também que no § 1º diz:
(Passa a ler)
"Art. 44 - [...]
§ 1º - A medida disciplinar poderá ser proposta pelo Presidente, pela maioria do órgão solicitado a decidir, ou até 1/3 (um terço) dos membros do Diretório Municipal ou Regional suspeito de infração ou desobediência."[sic]
Aqui no art. 45, o inciso VI fala da expulsão do partido.
Todas as agremiações partidárias têm o seu estatuto, que é levado a sério. O PMDB tem o seu, o PTB tem o seu, o PL também, assim como as demais siglas. Nós não vamos mais agir pelo coração porque ele tem sentimentos: sente pena, dor e saudade. Nós não podemos mais agir pelo coração, pelo sentimento; nós temos que agir pelo correto, pelo certo! Esta é a doutrina do saudoso Álvaro Vale, que deixou marcas. Nós vamos levá-la a sério, será o partido levado a sério!
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)