105ª Sessão Ordinária - 20/12/2006
O SR. DEPUTADO JOSÉ SERAFIM - Sr. presidente, srs. deputados, deputado Francisco de Assis, v.exa. colocou que não foi candidato a deputado estadual até pela decepção como parlamentar, e eu gostaria de falar que nesses seis anos de convivência aqui aprendi a respeitar muitos deputados, a coerência, o companheirismo. É lógico que há algumas coisas, deputado Joares Ponticelli, que temos que questionar, e eu sempre questionei. A amizade, o companheirismo foi importante aqui, principalmente conhecer as pessoas em momentos importantes de debates. Mas me decepcionou também essa questão da subserviência do Poder. Um Poder Legislativo, deputado Joares Ponticelli, só tem justificativa de existir se ele cumprir o seu papel, que é o de fiscalizar. Se for um papel de subserviência, de dizer sim senhor, para o governador, para o Executivo, na verdade, sua existência não se justifica. E isso tem acontecido no período todo que estou aqui. E aí isso faz com que a população perca a credibilidade.
Estou colocando isso, deputado Francisco de Assis, até porque nesses seis anos, nos dois primeiros anos houve articulação de projetos de minha autoria, período em que fiz realmente muitos projetos. Os projetos aprovados nesta Casa vão para o governo, são vetados, vêm para cá e aqui é referendado o veto. Isso prova que o desrespeito ao próprio Parlamento.
Agora, vi deputados questionarem por que o governo tem maioria e não coloca em votação. É lógico, deputado Herneus de Nadal, que sabemos da coerência da maioria dos deputados, até do PMDB. Mas é difícil para quem tem coerência votar uma incoerência dessas.
O governo Lula, no primeiro mandato, disse que garantia a não-privatização do Besc e garantiu. E no segundo mandato, deputado Dionei Walter da Silva, uma das reivindicações do governador do estado de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, era de que não inviabilizasse o Besc. Então, é uma incoerência, foi um governo que mentiu, porque com essa ação o Lula cumpriu, e disse: "não vou inviabilizar o Besc, vou manter o Besc federalizado". Não adianta deixar o Besc federalizado, porque o governo Luiz Henrique da Silveira vem e o inviabiliza. Essa ação é de inviabilização!
Agora, deputado Afrânio Boppré, eu que vim de um movimento sindical, sou sindicalista, participei de muitas mobilizações, deputado Pedro Baldissera, de muitas lutas e sei o que é, de fato, uma mobilização, ou seja, o que justifica uma mobilização - tem o momento salarial, tem o momento da luta, das reivindicações e tem o momento em que chegamos ao limite, como este momento agora do Besc, como foi o momento quando fecharam a CSN lá em Criciúma.
Eu gostaria de dizer uma coisa, deputado João Henrique Blasi. Com certeza, se o governo Lula voltasse atrás nas posições com relação ao Besc, toda a bancada do PT estaria contra o governo Lula. Até porque seria incoerência.
Então, eu não tenho dúvidas de que os deputados do PMDB, neste momento, para ser coerentes, teriam que ser contra a posição do governador, porque, na verdade, estariam defendendo, além de uma incoerência dos próprios parlamentares, uma incoerência do governador, estariam colocando este governo em risco.
Do meu ponto de vista, não acaba aqui. Tomara que nós rodemos esta medida. Mas vamos supor que aprove, que tente inviabilizar o Besc. Eu conheço o movimento e ele não acaba aqui.
Presidente Jacir Zimmer, que estava aqui presente, eu não vou mais ser deputado. Pode ser, como disse o deputado Francisco de Assis, a última vez que estaremos participando. Agora, vou continuar no movimento, na luta dos mineiros, com o movimento dos Sem Terra e vou estar junto nessa luta com o pessoal do Besc.
Eu sei que justifica, e demais, que não vai ser fácil para o governo se livrar da mobilização do povo do Besc de Santa Catarina inteira, independente da decisão daqui!
(Manifestações das galerias)
Eu tenho sempre colocado para alguns deputados e eles dizem: "Mas será que é?" E eu digo: o governo tem 80% para voltar atrás depois de um grande desgaste, porque a luta não vai ser uma luta só da capital, vai ser uma luta do estado inteiro, nós vamos mobilizar todo o movimento sindical, todos os besquianos, porque não vai ficar de graça.
É uma luta do povo catarinense e não há dúvida de que a minha luta aqui dentro, deputado Francisco de Assis, é enquanto deputado. Na hora que eu cheguei o deputado disse que eu era um guerrilheiro. A minha luta lá fora é uma luta de sindicalista, de mobilização, porque eu sou um deputado daquele que defendo sempre: não há lei sem luta. A luta faz a lei e eu tenho certeza de que os besquianos vão fazer a lei!
(Manifestações das galerias)
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)