99ª Sessão Ordinária - 06/12/2006
O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, utilizando este horário do PSB, eu quero aqui tecer alguns comentários sobre uma entrevista que concedi à TV São José sobre as eleições de 2006. Eu ainda não tinha falado, talvez, sobre esse assunto em nenhuma entrevista de rádio ou de televisão após as eleições.
Eu quero dizer, sr. presidente (o presidente até me fez lembrar deste assunto, pois também teceu comentários sobre ele), que as eleições de 2006 - e que isso fique registrado nos anais desta Casa como contribuição para a democracia do nosso estado, do nosso país -, deputado Paulo Eccel, transcorreram, no meu modesto ponto de vista, de forma desigual, de maneira desigual, porque o dinheiro falou mais alto, não permitindo, assim, a escolha dos candidatos pelos eleitores de forma democrática.
A influência do dinheiro todos nós sabemos que existe, a população toda sabe, mas é uma aberração muito grande o que vimos, o que enxergamos, ao que assistimos em alguns noticiários. Alguns documentos até comprovaram as ilicitudes nessas eleições, mas nada aconteceu.
A reforma política, a meu ver, teria que passar primeiramente pela questão econômica, para que todos os candidatos tivessem o mesmo valor para poderem competir de forma igualitária.
Nós ficamos estarrecidos com as reportagens, com a imprensa anunciando e mostrando que deputados gastaram muitos milhões e que não vão arrecadar esse dinheiro com os seus salários. Muitos deles, para aplicarem nessas eleições, tiveram que tirar dinheiro até do próprio bolso.
Então, a maneira mais correta e mais democrática de evitar esse tipo de benefício para aqueles que têm mais dinheiro é tentar fazer com que a lei, com que a reforma política venha de forma rápida, a fim de que todos possam ter os mesmos direitos.
Eu estou feliz pela quantidade de votos que obtive, pois fui o 34º deputado mais bem votado da Assembléia Legislativa. Apenas não fui reeleito por questão de legenda, mas obtive essa votação expressiva e agradeço a todos os 150 municípios em que obtive votos.
Um dos motivos que fizeram com que eu tivesse dificuldade de receber mais votos foi a maneira como eles foram computados em termos de legenda, que foi a causadora da minha não-reeleição, porque se eu tivesse feito uma coligação com qualquer partido, menos com o PTB, eu teria sido reeleito.
O nosso partido, no momento, foi infeliz, pois ao lançar um candidato ao governo inviabilizou qualquer tipo de coligação. Mas o fator econômico foi o que mais nos dificultou, foi o que mais nos levou a ficar desmotivados para trabalhar, pois vimos um rolo compressor em todas as cidades, com grande quantidade de cabos eleitorais, dinheiro, panfletagem, eu diria até que foi uma violência contra a democracia.
Mas eu perguntaria: cadê a Justiça Eleitoral? Como ela fiscaliza? Será que ela irá mostrar que enxergou isso? Será que ela percebeu que isso ocorreu? Houve denúncias, houve fatos. Será que a Justiça Eleitoral vai fazer alguma coisa? Será que nós vamos entender que existe democracia, que existe Justiça Eleitoral para, pelo menos, mostrar aquilo que foi denunciado, aquilo que foi colocado em muitos veículos da imprensa sobre pessoas comprando votos, pessoas cometendo crime eleitoral?
Então, teremos que mudar a legislação, teremos que fazer, no mínimo, com que a Justiça Eleitoral cobre daqueles que erraram, daqueles que foram denunciados em público. Não seria uma caça às bruxas, seria um exemplo de que a Justiça Eleitoral existe em Santa Catarina, que está sendo pontual, pelo menos, ao respeitar aquelas denúncias. Muitas pessoas que sabiam ou ficaram sabendo de algumas ações diziam: "Para que reclamar? Para que denunciar? Apenas para me queimar, para me incomodar?"
Então, se foram feitas denúncias, que se faça cumprir a lei. Esse é o desejo do PSB, do Partido Socialista Brasileiro. E que haja um socialismo dentro da competição, que haja respeito às leis e permissão para todos aqueles que queiram concorrer, mesmo que não tenham dinheiro, mas que tenham prestado um serviço, que eles possam concorrer a um cargo eletivo e tenham sucesso frente às suas obras, mediante seu trabalho, perante aqueles para os quais trabalharam. Mesmo que existam lobbies, e existem lobbies, mas que não exista o fator econômico...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)