Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Clésio Salvaro

42ª Sessão Ordinária - 04/06/2003

O SR. DEPUTADO CLÉSIO SALVARO - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, há outros recém-filiados ao PSDB. Não sei se são Deputados, mas são Vereadores e lideranças comunitárias. Também sei que há outros Deputados querendo assinar uma ficha nesta sigla. E se soubesse que era tão bom estar no PSDB, já teria filiado-me antes neste Partido.

Sr. Presidente, o motivo que nos traz à tribuna desta Casa, ocupando o horário do PSDB, é para relatar a viagem que fizemos, no mês de maio, aos Estados Unidos, onde encontramos com as pessoas do Sul catarinense que lá residem.

Esta foi a nossa segunda viagem e lá encontramos mais de 1.500 pessoas que nos aguardavam na Capital do Estado de Massachusetts, em Boston. Eram pessoas de Criciúma, de Siderópolis, de Içara, de Forquilhinha, de Nova Veneza e de Cocal do Sul, que saíram da nossa região em busca de dias melhores e de um salário mais digno lá nos Estados Unidos.

Foi um encontro belíssimo; as pessoas se emocionaram, choraram e riram de alegria por encontrarem um conterrâneo que foi lá levar-lhes uma palavra amiga e de conforto.

E para nossa surpresa - e isso está no relatório que vamos apresentar a esta Casa -, os mais de 30 mil sul catarinenses que lá trabalham remetem mensalmente para a economia sul catarinense mais de US$12 milhões. Isso são quase R$40 milhões que todos os meses chegam à região Sul, movimentando a nossa economia, principalmente no que diz respeito à construção civil.

A economia da nossa região hoje é mobilizada, roda por conta desses heróis que saíram da nossa região e foram trabalhar nos Estados Unidos da América.

Portanto, depois de três dias visitando os locais onde trabalham os nossos queridos brasileiros, os catarinenses que lá estão, constatamos que eles vivem do subemprego. Aquele emprego que o americano não quer, o catarinense aceita. Ele trabalha lá e manda o dinheiro para cá.

Eles vivem, em média, quatro anos nos Estados Unidos e durante esse tempo de trabalho conseguem comprar cinco, seis ou sete apartamentos aqui em Florianópolis, em São José, na região Sul do Estado, principalmente em Criciúma. E quando voltam para cá, começam a ganhar R$400,00, R$500,00, mas o aluguel dos apartamentos, do investimento que fizeram, garante-lhes o sustento e uma renda um pouco mais digna.

O Deputado José Serafim é de Criciúma e sabe quantas famílias mandaram os seus filhos para lá para mandar dinheiro para a nossa economia. Tenho certeza de que, por uma razão ou por outra, se esses imigrantes brasileiros que lá estão retornassem as suas origens seria o maior caos para a nossa economia.

Portanto, estamos apresentando nesse relatório também uma sugestão: que o Governo do Estado crie, no Estado de Massachusetts, uma casa de apoio ao imigrante catarinense que às vezes faz a travessia do México, que está lá ilegalmente, que passa trabalho e dificuldades; e também aos outros imigrantes que chegam lá pela via direta, que pegam um avião, que têm passaporte e visto. E quando ele chega lá, precisa de alguém para lhe dar apoio.

Também encontrei lá muitos tubaronenses, que estão indo para os Estados Unidos da América em busca de um salário melhor. Eles ganham de US$1.500,00 a US$2.000,00 por mês, e esse dinheiro eles mandam para cá.

Então, a idéia de se criar uma casa de apoio aos imigrantes catarinenses que lá vivem é muito importante, porque eles remetem dinheiro para cá. E essas pessoas vivem lá sem que o Governo invista um só centavo. São mais de 30 mil pessoas que vivem lá e o Governo não investe em educação, não gasta com saúde, não gasta absolutamente nada. E eles mandam o dinheiro para cá, tornando a economia do nosso Estado mais forte.

Ao encerrar, gostaríamos de dizer que entregaremos a cada um dos Srs. Deputados o relatório dessa nossa viagem. E esperamos que na nossa próxima viagem outros Deputados também possam nos acompanhar para ver como vivem os catarinenses e como é difícil a vida lá, com a saudade que eles têm dos filhos que aqui ficam, dos pais e dos irmãos. Em cinco minutos de conversa, já se observa que eles...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)