Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Francisco de Assis

4ª Sessão Ordinária - 26/02/2002

O SR. DEPUTADO FRANCISCO DE ASSIS - Sr. Presidente e Srs. Deputados, funcionários desta Casa, amigos da imprensa, estávamos neste momento reunidos com a imprensa de Santa Catarina, que faz cobertura na Assembléia Legislativa, falando e relatando um pouco da nossa experiência na viagem que fizemos à China.

Mas quero informar que entre outras coisas da nossa viagem à China assinamos um acordo de cooperação entre a Assembléia Legislativa de Santa Catarina e a Assembléia da Província de Henan, que tem 95 milhões de habitantes. A maior Província chinesa e que dentre outras questões estão a cultural, a política, da informática, a empresarial e a econômica, que fazem parte deste acordo assinado por nós nesta ida à China.

Delegação esta composta por 10 pessoas de Santa Catarina, das quais três Deputados. Eu, o Deputado Volnei Morastoni e o Deputado Jaime Duarte.

Mas estou inscrito hoje para falar no horário do meu Partido, porque nas últimas semanas - e tem sido assim nos últimos dias - estão sendo veiculadas muitas conversas em nível nacional, muitas manchetes de jornais, muitas notícias sobre o nosso Partido, principalmente sobre a questão da coligação com PL e

sobre nosso interesse em ampliarmos a coligação do Partido dos Trabalhadores para disputas eleitorais neste ano, principalmente em relação a política de aliança para a Presidência da República.

Alguns até pensam que com esse movimento, com o que vem acontecendo, o Partido dos Trabalhadores esteja dividido, os militantes partidários estejam divididos. Quero informar a sociedade catarinense e a quem está aqui presente hoje, que mais do que nunca o Partido dos Trabalhadores está unido, preparado e disposto a conquistar de vez o poder neste País. Governar este País para os trabalhadores e para quem precisa de Governo. Não governar mais para as elites.

E nesse aspecto nós temos divergências dentro do PT sobre política de aliança. Sempre teve e vai continuar existindo. E não vim aqui para me explicar. Vim para expor a minha idéia, o meu pensamento, sobre o que acho a respeito de tudo o que vem acontecendo no nosso partido.

Primeiro dizer que é importante o debate. Eu acho que as lideranças políticas do nosso Partido em nível nacional estão certas em promoverem o debate. Esse debate, no entanto, não pode ficar restrito ao PT, na minha opinião. A sociedade brasileira precisa e deve também se manifestar e vem se manifestando.

No nosso dia-a-dia observamos pessoas da Igreja Católica se manifestando acerca dessa possibilidade de aliança entre o PT e o PL. Quero deixar a posição que tenho defendido dentro do meu Partido, ou seja, é uma posição contrária de alguns companheiros, mas gostaria de externá-la nesta tarde.

Gostaria de dizer que o PT sempre defendeu e defende um estado maior, com poder de decisão, que interfira na economia, nas ações sociais dos Estados e Municípios onde governamos. E agora não pode se dar ao luxo de abrir seu programa de governo, estender a mão a um Partido que pensa justamente ao contrário.

Sabemos da ideologia e o que defendem os partidos liberais, tanto o PFL, o PL e os demais Partidos constituídos na nossa Nação. Sou totalmente contrário a essa política de aliança.

O PL tem na sua legenda o Deputado Luiz Antônio de Medeiros e que os sindicalistas da Cut têm tido uma dificuldade muito grande com ele, que há muito tempo não defende os trabalhadores, que passou para o outro lado. Esse cidadão hoje é Deputado Federal e é do PL.

O PL nas eleições de 1989 defendeu e apoiou o Governo Collor. O PL na campanha de 1994 apoiou o candidato Fernando Henrique Cardoso, que na nossa avaliação é um governo entreguista, um governo liberal que tem deixado o Estado mínimo, um governo que não se preocupa com as empresas estatais, com os funcionários públicos, com a renda do trabalhador aposentado, que privatizou a maioria das empresas estratégicas para a soberania nacional. Este é o PL, um partido que defende o estado mínimo, que sempre esteve junto com as elites e que não defende a ideologia que defendemos.

Por isso sou contra e tenho a coragem de vir dizer para os dirigentes do meu Partido que em Santa Catarina não haveremos de estar coligados com o PL e desejo que em nível nacional isso também não aconteça.

É inadmissível imaginarmos um partido de esquerda, com uma luta, com um passado histórico, como tem nosso Partido, estar agora coligado com um Partido de direita, liberal, que defende o estado mínimo, que não se preocupa com as questões estratégicas de soberania nacional.

Há outras questões que poderíamos estar falando do PL, mas não vou usar o meu tempo para falar do PL. Vou falar do nosso Partido, do PT. Um Partido que temos amor, que ajudamos a construir, que nasceu na luta de homens e mulheres, de religiosos, de representantes da Igreja Católica, de leigos, de sindicalistas, de intelectuais, de comunistas. Um Partido que nasceu para construir uma sociedade diferente e que sempre apresentou programas diferentes para a sociedade, não pode agora, neste período, fazer uma coligação desse tipo.

Particularmente acho difícil isso se concretizar, mas a partir do momento que estamos vendo a nossa liderança maior, o nosso candidato a Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, sentar e pedir que essa coligação se concretize, nós também temos o dever de dizer que não queremos.

É por isso que neste espaço destinado ao nosso Partido eu não posso ficar calado e tenho que externar publicamente a minha posição contrária à coligação com o PL.

No entanto, reafirmo que estamos prontos para governar o País, que estamos prontos para governar o Estado de Santa Catarina, com nosso companheiro José Fritz, pré-candidato ao Governo do Estado. E tenho certeza de que teremos sucesso se não errarmos na política de aliança, se os trabalhadores continuarem confiando no PT e naquilo que defendemos e acreditamos, porque coligar com o PL é desprezar a luta histórica do PT.

Por isso quero, nesta tarde em que tive a oportunidade de falar em nome do PT nesta tribuna, dizer que em Santa Catarina, se Deus quiser, não teremos coligação com o PL, porque ainda temos forças para dizer não! E, se no âmbito nacional não tivermos forças para impedir, teremos a nossa voz para dizer que somos contrários à política com os Partidos de direita, principalmente com os Partidos que não defendem os interesses da classe trabalhadora deste País!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)