87ª Sessão Ordinária - 08/11/2001
O SR. DEPUTADO ROGÉRIO MENDONÇA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, gostaria, antes de fazer o meu pronunciamento, de fazer referência à presença, nesta Casa, do ex-Prefeito de Ituporanga, meu amigo Luiz Ademir Hessmann, que com certeza fez uma grande administração e com certeza, também, os Munícipes daquela cidade, hoje, já estão com saudade.
Mas o meu pronunciamento desta manhã, Deputado Joares Ponticelli, diz respeito ao Alto Vale do Itajaí, que tem tipo problemas sérios no seu desenvolvimento, sendo que no dia de ontem, quarta-feira, a Associação Comercial e Industrial de Rio do Sul realizou a abertura oficial da terceira edição da Fersul - Feira Multisetorial do Alto Vale do Itajaí.
O evento que está sendo realizado no Pavilhão de Eventos Clóvis Gaertner, no bairro barragem, reúne 130 expositores das indústrias eletrônicas, metal mecânica e elétrica, têxtil, alimentícia, construção civil, informática, mobiliária e de serviços.
A mostra tem a parceria da Prefeitura de Rio do Sul, que cedeu o espaço físico e participou dos investimentos de infra-estrutura da parte externa, de uma área total de 2.300 m².
A Fersul estará aberta à visitação até o próximo sábado e tem como objetivo promover o desenvolvimento econômico das empresas associadas através da divulgação de seus produtos, oportunizando novos negócios.
Vale ressaltar que, pelo perfil econômico, Rio do Sul e o Alto Vale possuem uma vocação diferenciada, mesmo que algumas grandes empresas da região, com mais de 300 empregados, se destaquem, e hoje têm peso no cenário de negócios nacionais e internacionais; as micro, pequenas e médias empresas são a grande maioria que, num somatório, representam um crescimento, nos últimos dez anos, de mais de 200%.
Vale ressaltar que este perfil econômico diferencia o Alto Vale das demais regiões, não só pela vocação do trabalho, mas pela capacidade de resistência aos grandes revezes.
O Alto Vale é um celeiro de resistência, além das condições topográficas, que impedem a implantação das grandes empresas por falta de espaço físico, ainda existe o risco permanente de cheias, e o que é pior, o esquecimento deliberado dos Governos estadual e federal.
Se por um lado, a persistência e quase teimosia, poderíamos dizer, do empresariado do Alto Vale consegue sobreviver sem linhas de financiamento e sem apoio e programas específicos, por lado, dá o exemplo de empreendedorismos surpreendente.
A Associação Comercial e Industrial de Rio do Sul hoje se mobiliza e já está materializando uma Fundação Educacional voltada para a capacitação profissional dos jovens e dos trabalhadores. Fora isto, com o apoio do SENAI já desenvolveu vários projetos de formação profissional nas áreas mais carentes, e o resultado destes investimentos - todos da iniciativa privada - são visíveis com o grande número de empresas de Rio do Sul e da região que se destacam em prêmios e mostras nacionais e internacionais, Deputado Jaime Mantelli.
Podemos citar um exemplo, a Metalciclo, a segunda maior fábrica de pedais de bicicleta do planeta, com sua produção em todos os mercados internacionais, sendo que sua comercialização antecipa em seis meses a sua produção. A H. BREMER, produzindo caldeiras para onze países do Mercosul e da Europa; o Frigorífico Riosulense, responsável por 40% do abastecimento do Sul do País e com significativa exportação hoje para o Oriente Médio e até para a Rússia como nós tivemos a oportunidade de verificar quando viajo em missão oficial para aquele País. A HERGEN, segunda maior fábrica de máquinas e equipamentos para a indústria de papel e celulose; a Metalúrgica Riosulense, que hoje trabalha para abastecer as grandes montadoras nacionais e européias; e o setor têxtil, que a cada ano cresce mais, promovendo trabalho e renda para mais de 5mil famílias.
Muitos outros exemplos poderiam ser citados, e talvez sejamos injustos em deixar alguns nomes de fora. Mas esta competência do Alto Vale transformou em uma das regiões com o melhor índice de qualidade de vida, segundo estudos da USP, e divulgado em trabalhos científicos daquela universidade. E o que o Alto Vale tem recebido em troca?
A BR-470 continua uma rodovia sucateada e ampliando em mais de 40% o custo de transporte da produção regional pelos custos de manutenção. Fora os riscos de acidentes, o atraso nas entregas e outros desfavorecimentos.
As emendas regionais garantiram a duplicação e melhoria somente até Apiúna. E o Alto Vale continua no limbo, apesar de sua contribuição para o desenvolvimento de Santa Catarina.
A região não precisa de uma usina, que ampliará os riscos de acidentes na rodovia, precisa de segurança para seus usuários, precisa de manutenção nas rodovias estaduais, também em situação crítica.
Vale ressaltar nesse ponto que, segundo
levantamento do DER, a BR-470 está comprometida em seu leito por infiltrações e risco de desmoronamentos e deslizamentos, assim como suas pontes não são vistoriadas. Vejam, só, as pontes não são vistoriadas há mais de 4 anos.
Realmente, a Fersul, de Rio do Sul, mostrando a variedade, mostrando a adversidade da produção e qualidade é uma prova da coragem e persistência da classe empresarial que está toda de parabéns por mais esta iniciativa.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)