109ª Sessão Ordinária - 26/11/2014
O SR. DEPUTADO MANOE MOTA - Sr. presidente, srs. deputados.
Sr. presidente, quero fazer alguns registros, nesta tarde, que reputo importantes.
O PIB Brasil é carregado nos tapetões pretos de sul a norte, de leste a oeste pelo transporte de cargas.
O Brasil está com uma dívida muito grande com relação à recuperação das rodovias. E a nossa rodovia está demorando mais de dez anos para fazer 348km. Lá para o norte/nordeste as estradas que foram feitas, hoje, tem mais buraco do que asfalto, ocasionando muitos pneus furados, cortados, estourados, e é o caminhoneiro que paga a conta. Caminhoneiro é o homem que mais trabalha neste país. Podem fazer pesquisa.
O caminhoneiro quando não trabalha nada, quando é meio dorminhoco, viaja 12h por dia, quando ele é médio, faz 16h por dia de trabalho. E quando o caminhoneiro não é muito trabalhador, fazendo a conta, ele dorme apenas 4h, 5h ou 6h por dia, são 18h de trabalho por dia, é assim a vida do caminhoneiro. Ele carrega a riqueza do país! Hoje só essa categoria pode parar o país sem fazer greve, porque se o caminhoneiro encostar o caminhão na frente de casa e parar dez dias, com certeza, o Brasil vai parar, pois ele é que transporta todos os produtos, a matéria-prima do país. E por que o país para? Porque não temos transporte ferroviário. Hoje tudo está em cima dos tapetões pretos, tudo que é carregado pelos caminhões é transportado em rodovias.
E sabemos disse perfeitamente, porque antes o caminhão era truck; depois, carreta três eixos; após, caminhão bitrem; e agora temos o caminhão que carrega até 60 toneladas. Isso tudo porque o caminhoneiro não consegue sobreviver se não transportar uma carga maior. As empresas vão aumentando a capacidade de transporte do caminhão para faturar mais e conseguir sobreviver. A dificuldade é muito grande, mas este é o país em que vivemos, que precisa ter equilíbrio nessa questão, precisa ter parâmetro de trabalho.
Fizeram um decreto dizendo que o caminhoneiro só pode trabalhar 8h por dia, só que esqueceram, não se deram conta onde o caminhão teria que parar, não fizeram paradas para os caminhões, e os caminhoneiros são obrigados a encostar os caminhões nos postos que, às vezes, dizem não. E esses caminhões vão abastecer onde não conseguem estacionar. Eu quero dizer que é feito tudo sem planejamento.
Foi isso que aconteceu com a BR-101 quando foi licitada. Será que nasceu a Lagoa Santo Antônio, em Laguna, após planejarem a construção da BR-101? Depois de começar a obra da BR-101, após nove anos, quando foram fazer a licitação da ponte em Laguna, tiveram que fazer mais uma licitação. Será que não deveriam ter sido planejada e licitada a obra inteira? Será que não sabiam que no Morro dos Cavalos havia um túnel? Sequer o projeto de engenharia está concluído. E graças ao trabalho de um gigante desta Casa, do deputado Reno Caramori, que também participou muito dessa luta, nós ganhamos na Justiça e, com a ajuda do governador Raimundo Colombo, conseguimos fazer a obra da quarta pista no Morro dos Cavalos para que não tivesse mais 30km, 40km, 50km de fila, de congestionamento todos os dias. Os motoristas ficam irritados, estressados e aí acontece o veneno dos acidentes que ocorrem cada vez mais.
E temos também o Morro do Formigão que licitaram para fazer o túnel. Mas agora os motoristas vão passar por onde? Não tem a segunda ponte no Morro do Formigão, pois agora dinamitaram a ponte velha para começar a ponte nova. E um negócio que não se consegue digerir, é difícil, é a falta de planejamento. Ou será que é feito tudo de propósito para poderem licitar mais vezes, para haver mais divisões, enfim, alguma coisa acontece.
Eu não acredito que um país como o nosso não tenha uma equipe de planejamento para diminuir os custos de cada obra, porque cada obra no mínimo custa o dobro do valor depois de pronta. Essas rodovias estão uma loucura, é preciso planejar. Tudo tem um começo, mas também tem um fim. Não há gordura que resista a uma ação que não tenha planejamento.
E agora estamos vivendo esses momentos de incerteza, mas vivi no tempo que de Araranguá a Curitiba não havia um quilômetro sequer de asfalto, era tudo chão. Viajei muito e tenho orgulho de dizer que fui caminhoneiro, tive transportadora com vários caminhões. E por que quando fui prefeito municipal de Araranguá criei o evento Arrancadão de Caminhões? Porque conhecia a capacidade, a habilidade, a visão de um caminhoneiro.
Então, pensei em criar alguma coisa para valorizar o motorista profissional, para que ele pudesse mostrar a sua capacidade, habilidade, sua destreza nas areias do quilômetro de arrancada. Faz 30 anos que criamos essa festa. Há quatro anos ela não acontece mais, e foi realizada por 26 anos.
Logo que iniciou se transformou no maior evento de Santa Catarina; depois passou a ser o maior evento na categoria no Brasil, pois há vários encontros como esse pelo Brasil afora, como em Aparecida do Norte; em Caxias do Sul, a Festa do Caminhoneiro etc. Todos os encontros são grandes, mas nenhum parecido e nem com a emoção do nosso Quilômetro de Arrancada. Na época foi realizada em Arroio do Silva, que distrito de Araranguá, e hoje é Balneário Arroio do Silva.
Foram 26 anos de festa, mostrando o profissional do caminhão. Os motoristas ficavam o ano inteiro na estrada lembrando que chegaria o mês de março e poderiam participar da festa durante três dias, para mostrar o que representa um caminhoneiro e o transporte.
No início as pessoas vinham me dizer que a festa era um sucesso, era grande porque era no verão, que por causa dos turistas participavam de 100 mil a 150 mil, pois era realizada no mês de fevereiro. Depois passamos para o mês de março e continuou a ser o mesmo sucesso, ou melhor, ao invés de diminuir o público aumentou. Isso mostra que o motorista profissional, o caminhoneiro, as empresas de transportes também gostam de investir, de ser valorizados, de buscar alternativas e fazer uma festa como essa que promovemos.
De repente, depois de 26 anos houve o episódio da morte do maior piloto campeão profissional de Fórmula Truck, um dos melhores pilotos da arrancada de caminhão, com vários títulos de campeão. Ele deve ter levado para Curitiba uns quatro carros, porque na nossa época o prêmio era um automóvel. Ele morava em Ilhota, perto de Blumenau e dizia que aquela pista era a vida dele, que quando estava correndo se sentia o maior e o melhor homem do mundo, porque a pista era dele. E ele morreu como campeão. Morreu depois de passar a chegada, os sinais fecharam e ele tombou o carro dali para frente. Não se sabe exatamente o que aconteceu. Mas foi um episódio, um acontecimento muito triste. E foi o único acidente que ocorreu nesses 26 anos dessa corrida.
E ontem o prefeito de Balneário Arroio do Silva, Evandro Scaini, realizou uma audiência pública para saber se a população, se todos queriam continuar fazer a corrida de caminhão em razão daquela situação que ocorreu semana passada. E para alegria do próprio Edson Beber, que morreu, o que ele mais gostava foi aprovado praticamente por unanimidade em uma audiência pública, ou seja, a continuidade ao maior evento hoje do mundo, que é esse encontro em março dos caminhoneiros em Araranguá nesse quilômetro de arrancada.
Então, vamos organizar cada vez mais esse evento, o que o prefeito já está fazendo, vamos proteger cada vez mais o motorista, colocar mais segurança, mas a população optou para continuar valorizando os homens da estrada que carregam as riquezas deste país, que carregam o PIB deste país nos tapetões pretos. Eles vão continuar sendo valorizados podendo se apresentar naquele dia especial, que é o Quilômetro de Arrancada de Caminhão.
Mas essas grandes festas, de repente, esses grandes eventos podem desaparecer de uma hora para outra, porque se numa audiência pública a maioria dissesse que não queria mais isso, teriam terminado o maior evento do Brasil hoje, que é a festa dos caminhoneiros do país.
Quero parabenizar o prefeito de Balneário Arroio do Silva, Evandro Scaini, os vereadores, toda a organização da audiência pública, o Ministério Público, toda a sociedade, todos os caminhoneiros de transporte de carga que num consenso, numa visão deram continuidade a uma das maiores festas da história deste país que vai continuar tendo...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)