89ª Sessão Ordinária - 22/09/2011
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Muito obrigado, sr. presidente.
Caro deputado Kennedy Nunes, prezados prefeito e vice-prefeito do município de Maravilha, demais pessoas que nos acompanham pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital, estive ausente no início da sessão porque estava representando a comissão de Saúde desta Assembleia Legislativa, da qual faço parte, na abertura e na primeira palestra do 1° Simpósio Internacional e do 5° Encontro Catarinense da Síndrome do X-Frágil, que é uma doença muito pouco conhecida pela população em geral, inclusive por profissionais da área da saúde e creio que também pelos gestores públicos.
Aprovamos em 2009, de iniciativa do deputado Edison Andrino, a Lei n. 14.786, estabelecendo o Dia Estadual de Conscientização do X-Frágil e a Semana Estadual de Estudos sobre a Síndrome do X-Frágil.
Do que se trata? Trata-se de uma deficiência da produção de proteínas no cérebro, o que impede o desenvolvimento normal do ser humano. Afeta um entre dois mil meninos e uma entre quatro mil meninas. Essa é a estatística média mundial a respeito dessa doença que é transmitida geneticamente, de pai para filho, para neto e assim por diante. A única manifestação é o autismo, como é mais popularmente conhecida.
Então, o simpósio e o encontro estão sendo realizados nesta Casa, no Auditório Antonieta de Barros, promovidos pela Associação Catarinense da Síndrome do X-Frágil, pela comissão de Saúde e pela própria Mesa Diretora. Inclusive, o presidente, deputado Gelson Merisio, estava presente na abertura.
Queremos parabenizar todos os envolvidos nesse importante trabalho, porque é um assunto tratado muitas vezes com preconceito e em muitas famílias torna-se tabu. A própria família às vezes procura esconder a pessoa que tem essa síndrome, quando, na verdade, é preciso conhecer o assunto, conhecer as causas e acompanhar o tratamento.
Não há cura, por enquanto, embora haja muita pesquisa em vários países do mundo, especialmente nos Estados Unidos e na França, buscando a possibilidade de cura. Mas existe tratamento, existe terapia feita por profissionais da Saúde e da Pedagogia, justamente no trato dessas pessoas, cujo número não é tão insignificante assim. Com certeza, todas as pessoas que nos estão ouvindo conhecem alguém na sua rua, no seu bairro, na sua cidade, quando não na sua própria família, que tem essa síndrome e que precisa ser tratada da forma adequada, sem preconceito, como o caso requer.
Parabenizo todos os envolvidos e todos que têm trabalhado para a realização desse evento que está com mais de 500 inscritos e está acontecendo neste Poder Legislativo, no segundo piso, no Auditório Antonieta de Barros.
Como já falei, não acompanhei a parte inicial da sessão. Mas quero registrar que apoiamos os Bombeiros Militares do estado de Santa Catarina. Não temos absolutamente nada contra os Bombeiros Voluntários, mas defendemos que algumas atividades precisam ser feitas por servidores públicos, que têm fé pública, que têm autoridade e autorização do poder público para realizá-las. E dentro desses termos, é preciso que as instituições públicas, particulares ou voluntárias trabalhem em harmonia, para bem atender à sociedade catarinense.
Hoje é o Dia Mundial Sem Carros, e isso já foi noticiado desde o começo da semana. E devo começar por mais uma autocrítica, porque vim de carro para a Assembleia Legislativa, como, aliás, creio que a maioria das pessoas que nos está ouvindo fez. No entanto, não vim sozinho. Dei carona para uma família do meu bairro, que vinha para o Hospital Universitário: a avó, a mãe e duas crianças. Vim do bairro Serraria até o Hospital Universitário, onde deixei a família à qual dei carona e depois vim até a Assembleia Legislativa. Percorri 30km, gastando aproximadamente três litros e alguns quebrados de gasolina, porque peguei fila, embora tenha saído de casa antes das 7h. Até acho que vou ter que vir morar na ilha, porque os 15km daqui até minha casa me tomam mais de uma hora muitas vezes, porque mesmo saindo antes das 7h ainda peguei engarrafamento.
Então, gastei mais ou menos de R$ 9,00 a R$ 10,00 de gasolina para vir de carro particular. E estou considerando a minha passagem, a passagem da avó e da mãe, das duas meninas não, até acho que uma menina tem mais de cinco anos, portanto, pagaria passagem, mas estou deixando a menina com menos de cinco anos como se não pagasse passagem de ônibus. Logo, de carro gastei R$ 10,0, mas se viesse de ônibus, deputado Reno Caramori, teria gasto R$ 19,90, ou seja, o dobro fazendo esse trajeto de ônibus e conduzindo a mesma quantidade de pessoas.
Então, o Dia Mundial Sem Carro é um dia para reflexão e para conscientização a respeito da importância de mudar os modais de transporte, a fim de engarrafar menos o mundo, para destruir menos o meio ambiente. No entanto, no Brasil e na Grande Florianópolis quem não tem carro tem que ter um bom dinheiro para andar de ônibus, porque sai mais caro andar de ônibus do que de carro, sendo que o ônibus é mais demorado. Além disso, nos horários de pique os ônibus trafegam superlotados, o que é um desrespeito à dignidade humana. Não precisamos nem chegar aos absurdos do metrô em São Paulo, onde vimos um capataz dando chicotadas nas pessoas para empurrá-las para dentro do trem. Não precisamos chegar a esse absurdo, mas um ônibus superlotado é um atentado à dignidade humana. Homens, mulheres, idosos, jovens e crianças que ficam se empurrando e, com o perdão da palavra, esfregando-se dentro dos ônibus. E essa é a realidade da maioria dos ônibus urbanos na Grande Florianópolis.
Então, como o ônibus está sempre lotado e isso afeta a dignidade humana, como o ônibus é mais demorado, é mais caro do que andar de carro e fica-se na fila do mesmo jeito, prefere-se o carro. E para um terço da população nem carro nem ônibus. Os pobres da nossa sociedade não saem mais dos bairros, porque se é mais caro andar de ônibus do que de carro, eles não podem comprar carro nem moto, também não podem financiar, então, ficam no bairro, no máximo saem de um bairro para outro, andam de cinco a dez quilômetros. E essa distância para caminhar a pé em um dia é muito boa. E o cidadão tem que ser bom para caminhar dez quilômetros de ida e dez quilômetros de volta para trabalhar, mesmo que seja de bicicleta e ainda correndo risco no trânsito.
Essa é uma realidade de 5% da população da Grande Florianópolis. E vem daí muitas vezes os problemas da segurança pública nos bairros, o uso de drogas, dos jovens sem ter o que fazer nos bairros, indo para o tráfico e o consumo de drogas.
A mobilidade urbana, portanto, é também um problema de segurança pública, além de ser qualidade de vida, além de ser um problema humano, pelos riscos, pela quantidade de mortes e de pessoas com sequelas devido aos acidentes de trânsito. Como o deputado Joares Ponticelli falava há pouco, é um problema social e também econômico.
É preciso que o poder público, nas esferas federal, estadual e municipal, discuta esse assunto, porque nada é mais grave, mais caro e mais pernicioso para a qualidade de vida da sociedade e para a segurança pública da população, para a saúde física, mental e psicológica da sociedade que o atual sistema de mobilidade urbana existente em nosso país. É preciso mudar isso criando empresas públicas de transporte coletivo.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)