Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

15ª Sessão Ordinária - 13/03/2012

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, público que nos acompanha pela TVAL, pela Rádio Alesc Digital e que está aqui presente nesta tarde de terça-feira, neste tempo escasso que tenho preciso falar de um assunto complexo, e ao qual o deputado Padre Pedro Baldissera já muito bem se referiu nesta tribuna na tarde de hoje, que é a mobilização nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens, que tem toda uma pauta permanente e que luta pelo direito dos atingidos, pela não-construção de barragens, pela não-privatização da energia e da água, e contra o preço abusivo da energia elétrica que se cobra do cidadão comum brasileiro, chamando o seguinte: o preço da luz é um roubo.

Também, nesse setor, alguns poucos poderosos monopólios, muito bem situados, e empreiteiras estão enriquecendo bastante, sugando o suor do trabalhador brasileiro, seja pelos processos de privatização, seja pelo preço que se cobra da energia elétrica no nosso país, especialmente para as pessoas do povo, especialmente na casa de cada um e de cada uma dos trabalhadores e trabalhadoras deste país. E empreiteiras que têm enriquecido ainda mais diretamente pela superexploração, a exploração escandalosa, a que submetem milhares de trabalhadores neste país.

Todos sabemos, ouvimos e lemos sobre as revoltas bastante explosivas de trabalhadores nas obras do PAC, no norte e nordeste do país. Talvez nós, no sul, que pretendemos, e às vezes somente pretendemos mesmo, ter uma realidade social política distinta, achávamos que aquele tipo de manifestação somente ocorreria no nordeste e no norte brasileiro. Eis que acontece em território catarinense trabalhadores se rebelarem contra a exploração atroz; trabalhadores que, diga-se de passagem, e nesse aspecto vai um elemento de autocrítica, inclusive, deste parlamentar, não estão organizados em nenhuma entidade de massa, em nenhuma entidade sindical. E, aliás, há sindicato que recolhe imposto sindical.

Eu não vou citar aqui nem a central e nenhum sindicato, mas há sindicato que recolhe imposto sindical do trabalho desses trabalhadores que devem ganhar mais ou menos um salário mínimo para morar em barracões imundos e viver em situação sub-humana. Pessoas transladam-se de outras regiões, de outras cidades, e ficam lá alojadas vivendo em situação precária, com diversas culturas, diversas formas de vida e diversas experiências de vida.

Há sindicado que recolhe imposto sindical, um dia de trabalho anual, de cada um desses trabalhadores. Mas justamente porque recolhe o imposto sindical não precisa ir lá falar com eles.

A quem diga que eram alguns arruaceiros na cidade, e que esses foram demitidos porque estavam fazendo arruaça e, como pernoitaram no alojamento, colocaram fogo. Essa é uma versão, e que não considero a mais correta, porque centenas e milhares de outros não iriam se rebelar juntamente se tivessem vivendo uma situação pelo menos razoável.

A decisão da empresa é de demitir 900, porque agora não há mais alojamento. Então, se não há mais alojamento, demite-se o trabalhador? Se pegar fogo na Assembleia Legislativa, todos nós seremos demitidos?

Vamos supor que seja verdadeira a tese de que 20 foram demitidos, e que esses 20, revoltados - por justa causa, foram demitidos -, incendiaram os barracões. Demitir 900 porque não há mais alojamento? Se a Assembleia Legislativa pegar fogo, todos os funcionários e todos nós, deputados, estaremos demitidos também? É esta a baliza civilizatória dessas empreiteiras que estão enchendo o bolso de dinheiro público para fazer porcaria no nosso país? Esta é a pergunta que precisa ficar!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)