Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Jailson Lima da Silva

9ª Sessão Ordinária - 24/02/2010

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Sr. presidente e srs. deputados, após o pronunciamento do deputado Sargento Amauri Soares, como não haverá abalo nos próximos minutos, a menos que o Tribunal de Justiça, deputado Padre Pedro Baldissera, diga que Leonel Pavan não poderá assumir o governo, v.exa. ocupará a tribuna para se manifestar a respeito da intervenção do deputado Derli Rodrigues. Mas adianto que não há nada que justifique essa violência, essa agressão, deputado Ismael dos Santos, porque, como dizia Gandhi, violência gera violência e a Polícia precisa ter uma postura pacificadora como instrumento de segurança e garantia da cidadania.

Sr. presidente e srs. deputados, o que me faz assomar à tribuna neste momento, deputado Padre Pedro Baldissera, é que nós, do Partido dos Trabalhadores, estamos vendo a grande mídia apavorada com os avanços da nossa ministra Dilma Rousseff, estamos vendo uma série de calúnias e difamações nos grandes órgãos de imprensa. Prova disso é que recebi inúmeros e-mails hoje, alguns até de matérias vencidas, que já foram comprovadas inexistentes, falando de Dilma Rousseff na época da ditadura militar. Como ela disse no IV Congresso Nacional do PT, que comemorou os 30 anos de fundação do partido, é preferível, no estado de direito, a difamação e a calúnia da grande mídia, ao silêncio da ditadura. Silêncio que a ela foi imposto durante os três anos em que esteve presa porque lutava pela democracia deste país, pelo estado de direito em que o cidadão brasileiro pudesse manifestar-se, ter vez e voz, e, principalmente, pelo direito à cidadania.

Lula é um presidente que veio dos recantos do nordeste, um presidente que não teve escola, mas que faz escolas e universidades neste Brasil, mostrando ao mundo o que é possível ser feito, que é possível estabilizar uma nação e tirá-la da submissão às grandes potências, trazendo-a para um patamar de igualdade, no qual discute no mesmo nível os seus direitos.

O povo brasileiro pode ter visto ontem, deputado Valmir Comin, na Organização dos Estados Americanos, o nosso presidente questionando a Inglaterra por estar explorando petróleo nas Malvinas, território da Argentina, dominado durante o período de colonização. Todos sabem a quem aquele território pertence e o nosso presidente, como estadista, o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, posicionou-se firmemente a favor dos direitos da Argentina.

Mas tendo em vista que esse é um ano eleitoral e que cada partido vai ter o seu rumo, a exemplo do PMDB, que no mês de março antecipa as prévias do partido, o Partido dos Trabalhadores, deputado Antônio Aguiar, no IV Congresso Nacional, na comemoração dos seus 30 anos, lançou Dilma Rousseff como candidata a presidente da República. O PT está alinhavando aliança com todos os partidos que têm candidatos a vice, mas considerando que o PMDB é o maior partido da nação hoje, está postergando a escolha do companheiro de chapa da nossa ministra Dilma, a quem estão tentando rotular como guerrilheira. Ela foi guerrilheira no combate à ditadura, foi guerrilheira no combate àquilo que existia de mais sórdido no Brasil, que eram os porões de tortura! Ela não esconde na sua biografia esse papel relevante, ao mesmo tempo em que mostra ao Brasil que ao lado do companheiro Lula tem sido a grande gestora deste país.

Em seu discurso no congresso do partido, a ministra Dilma Rousseff disse com ardor algumas palavras, fez uma intervenção que mostrou a responsabilidade, o compromisso que tem com a continuidade do governo que aí está, com a garantia das conquistas econômicas, com um estado forte, não um estado intervencionista como estão dizendo. Porque ao mesmo tempo em que o jornal O Globo ressaltava, nesta semana, o inchaço da máquina do governo federal, poderia ter dito como é esse inchaço, mostrando as contratações de médicos, de professores para as escolas técnicas, para as universidades federais que estão sendo instaladas em Santa Catarina. Teremos mais 14 escolas técnicas, mais duas universidades federais, sem considerar as extensões! Isso não é inchaço, isso é atender a sociedade que requer um serviço público de qualidade.

Agora, inchaço é quando não se tem arrecadação e ampliam-se os quadros públicos com pessoas indicadas politicamente. Isso é diferente do que está acontecendo no Brasil, porque os cargos estão sendo ocupados através de concurso público, a exemplo do que acontece na Previdência Social e em tantos outros órgãos, como a Caixa Econômica Federal, que tem contratado, sim, tendo em vista o contingente de ações que desenvolve hoje no país, a exemplo do Programa de Aceleração do Crescimento.

E vou ler alguns tópicos do discurso da ministra Dilma Rousseff.

(Passa a ler.)

"Queridas companheiras, queridos companheiros, para quem teve a vida sempre marcada pelo sonho e pela esperança de mudar o Brasil, este é para mim um dia extraordinário.

Meu partido - O Partido dos Trabalhadores - confere-me a honrosa tarefa de dar continuidade à magnífica obra de um grande brasileiro, a obra de um líder - meu líder -, de quem muito eu tenho orgulho: o presidente Lula, o Lula.

Jamais pensei que a vida me reservasse tamanho desafio, mas me sinto absolutamente preparada para enfrentá-lo com humildade, com serenidade e com confiança.

Neste momento, ouço a voz da minha Minas Gerais, terra da minha infância e da minha juventude. Dessa Minas que me deu o sentimento de que vale a pena lutar, sim, pela liberdade e lutar contra a injustiça. Ouço os versos de Drummond:

'Teus ombros suportam o mundo

E ele não pesa mais do que a mão de uma criança.'

Até hoje eu sinto o peso suave da mão de minha filha, quando nasceu. Que força naquele momento ela me deu. Quanta vida ela me transmitiu. Quanta fé na humanidade me passou. Eram, naquela época, tempos difíceis.

Ferida no corpo e na alma, fui acolhida e adotada pelos gaúchos - pelos gaúchos generosos, solidários, insubmissos, como são os gaúchos.

Naqueles anos de chumbo, onde a tirania parecia eterna, encontrei nos versos de outro poeta - Mário Quintana - a força necessária para seguir em frente. Mário Quintana disse:

'Todos estes que aí estão

Atravancando o meu caminho

Eles passarão

Eu passarinho.'

Eles passaram e nós hoje voamos livremente.

Voamos porque nascemos para ser livres. Sem ódio, sem revanchismo e plena convicção afirmo que nunca mais viveremos numa gaiola, numa jaula ou numa prisão."[sic]

A ministra Dilma Rousseff combateu, nos anos duros da ditadura, pela democracia, para que o mundo pudesse ver que o Brasil não seria mais um país comandado por generais. E ela, com o presidente Lula, ajudou a consolidar a democracia, ajudou a dar estabilidade econômica ao país e, deputado Valmir Comin, v.exa. que preside a Casa neste momento, tranquilamente saberá dar continuidade aos rumos traçados neste governo, com o apoio do PMDB, do PT, do PP e, principalmente, dos demais partidos aliados que fazem parte da base do governo, a exemplo do PRB e do PR, que no dia de hoje, juntamente com o ministro Nascimento, consolidam a aliança do PR com o PT em Santa Catarina, a favor da nossa senadora Ideli Salvatti como candidata ao governo.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)