Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Professora Odete de Jesus

81ª Sessão Ordinária - 01/09/2010

A SRA. DEPUTADA PROFESSORA ODETE DE JESUS - Muito obrigada, sr. presidente, deputado Dagomar Carneiro.

Quero dizer também que compartilho dessa solidariedade com o nosso colega, o parlamentar Antônio Aguiar, que sofreu um acidente. Ficamos todos muito comovidos porque ele é uma pessoa maravilhosa, um colega muito ético que tem respeitado os nossos direitos. Apesar de sermos de bancadas diferentes, o deputado Antônio Aguiar é um grande parlamentar, uma pessoa por quem temos um grande apreço e um grande carinho, tanto por ele quanto por sua esposa. Inclusive prometi ao deputado Antônio Aguiar que iria ao seu gabinete visitá-lo e também a sua esposa. Daqui a pouco iremos até lá fazer uma visitinha.

Srs. deputados e srs. telespectadores, quero dizer que viajamos muito por essas estradas perigosas. Eu também já sofri um acidente, deputado Antônio Aguiar, o carro azulão que tínhamos capotou várias vezes e achei que aquele seria o meu dia de partir. Isso aconteceu na campanha passada, e o carro não prestou mais, foi para o ferro velho. No veículo estava eu, meu motorista, mais um casal, e no local onde aconteceu o acidente nem celular funcionava. Estava fora de área.

Mas vejam v.exas. que não sofremos nem um arranhão. Eu estava sem cinto de segurança, no banco de trás, mas graças a Deus, graças à providência divina, não sofremos nada, mas serviu para nos apegarmos mais a Deus.

Estamos nas estradas em prol dos catarinenses, em prol das mulheres, das crianças, dos adolescentes e dos trabalhadores, assim como o deputado Antônio Aguiar, que estava a trabalho, a serviço deste Parlamento quando sofreu esse acidente e ficou na cadeira de rodas. Ele está lá, com o pé esticado, mas Deus está tomando providências.

Deputado Antônio Aguiar, tenho certeza de que logo v.exa. estará aqui conosco, não tenho duvidas.

Mas, srs. deputados e sr. presidente, estava falando da violência contra a mulher, e falo com muita propriedade, porque também fui vítima de agressão dentro do meu lar cerca de 30 anos. Fui altamente violada nos meus direitos de mãe e de mulher quando residia no município de Matos Costa, onde trabalhava de manhã, de tarde e de noite como secretária em uma escola de ensino médio. Também fui vítima do meu ex-marido e sofri uma agressão violenta, fui pega pelos cabelos, foram arrancadas mechas de cabelo; à época, meu pai me socorreu e tomou as devidas providências.

É por isso que luto muito pela mulher. A mulher tem que ser respeitada, porque é ela quem cuida dos filhos, quem vê a roupa que precisa ser lavada, enfim, ela é uma administradora dentro de casa, onde deve haver harmonia e diálogo. Temos que educar os filhos de uma maneira pacífica, dócil e sem agressão. Muitas crianças veem a violência dentro do lar, veem o pai batendo na mãe e ficam perdidas, elas crescem dentro daquele ambiente de violência. E o que acontece depois? Cria-se um adulto violento, que agride, que xinga, que briga, por quê? Porque na infância assistiu a alguma agressão, a brigas entre os pais, a panelas sendo jogadas. Então, isso não pode acontecer! Nossas crianças precisam crescer num ambiente de paz, num ambiente de boa orientação, porque muitas vezes isso representa muito na formação do caráter.

Meu neto, Marcos Vinicius, tem nove anos, e procuramos transmitir para ele muita paz, porque a criança forma seu caráter dentro de sua casa e na escola ele vai completar o seu caráter. A criança não pode ser violada nos seus direitos, de maneira alguma. Temos o estatuto da criança e do adolescente que as ampara. Claro que há momentos que temos que ser rígidos e dar algumas palmadinhas, porque temos que educá-los e não podemos ser omissos, não podemos largar o compromisso apenas aos professores. Temos que educar essa criança. Uma criança já começa a ser educada no ventre da mãe, trinta meses antes do seu nascimento.

Quero dizer a v.exas. que de acordo com o Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude e do Ministério Público de Santa Catarina, que apresentaram dados constrangedores em 2009, a cada mês 500 crianças e adolescentes são vítimas de abusos e exploração sexual em Santa Catarina.

Segundo a psicóloga Claudia Aguiar, coordenadora do PPV do Rio Grande do Sul e do Programa Rede Família, 70% dos casos de violência contra crianças são cometidos dentro do lar, entre os familiares, 90% são usuários de álcool ou drogas. E desde janeiro de 2009, até hoje, 1º de setembro, ocorreram 584 denúncias de violência contra jovens em Santa Catarina, sendo 322 envolvendo crianças e 248 envolvendo adolescentes.

Hoje existe uma lei de minha autoria que obriga todas as escolas da rede pública a exibir uma placa: "Disque denuncia contra os maus tratos às crianças e aos adolescentes e contra a pedofilia", para que os professores, as crianças e as famílias denunciem.

As nossas crianças não podem ter seus direitos violados. As nossas crianças precisam ser protegidas. Elas precisam ter uma infância tranqüila, uma infância boa, com amor e com muito carinho. Por isso apresento para v.exas. esses dados estatísticos.

Vamos em frente lutando pela criança, pelo adolescente e pela família, porque quando a família vai bem tudo vai bem.

A família tem que viver em harmonia, porque assim as crianças crescem bem.

Muito obrigada!

(SEM REVISÃO DA ORADORA)