76ª Sessão Ordinária - 02/10/2003
A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - Sr. Presidente e Srs. Deputados, o que me traz à tribuna hoje é um assunto de suma importância para a população feminina do nosso Estado.
Quero convocar todos os Parlamentares, bem como as suas esposas, enfim, toda a sociedade catarinense para que apóiem a nova campanha de prevenção ao câncer de mama, que também será tema de debate aqui nesta Casa, no Encontro Catarinense da Mastologia.
Os números do câncer ainda são alarmantes. Dados estatísticos comprovam que, apesar de todas as campanhas e iniciativas, o câncer ainda mata muitas mulheres, jovens, mães de família, e essa tragédia pode ser evitada.
Nos últimos 25 anos, dobrou o número de casos da doença que surge anualmente, aparecendo no mundo todo 500 mil casos da doença. Em 2001, um milhão de mulheres receberam o diagnóstico de câncer de mama.
Houve mudanças na incidência em função da mudança nos hábitos, mas mesmo a mudança no estilo de vida não poupou a mulher brasileira, sendo registrados por ano 41 mil casos de câncer de mama no País, com 10 mil mortes.
A causa é o diagnóstico tardio. As mulheres morrem porque 65% têm diagnóstico feito em fase tardia, quando normalmente o tratamento é paliativo e a expectativa de cura é muito pequena.
O câncer diagnosticado cedo tem cura. E é aí que entram dois grandes aliados nessa batalha: o auto-exame e a mamografia. Os médicos recomendam que a partir dos 40 anos a mamografia deve ser feita rigorosamente uma vez por ano.
Então, eu questiono: como uma mulher pobre, uma doméstica, uma assalariada, uma mulher carente e de periferia vai ter acesso à mamografia?
Muitas dessas mulheres madrugam nas filas, não têm nenhum convênio de saúde e não conseguem acesso pelo INSS.
Srs. Deputados, é uma vergonha! É um descaso! Muitas mulheres às vezes precisam de uma consulta e têm que enfrentar aquelas filas horrorosas. Isto nós não podemos admitir de maneira alguma!
Faz-se necessário que todos os hospitais públicos no Estado disponibilizem a população carente de aparelhos de mamógrafo para o exame.
Os postos e hospitais que são atendidos pelo SUS também devem ser equipados para que o diagnóstico precoce e preciso seja possível, para que possa assim acontecer a prevenção do câncer.
Quero abrir um parênteses aqui para cumprimentar a Rede Feminina de Combate ao Câncer pelo serviço maravilhoso que está realizando neste Estado. E nós queremos nos empenhar mais, Srs. Deputados, para que a Rede Feminina de Combate ao Câncer tenha toda a assistência para continuar fazendo este trabalho, bem como a Ammuc - Associação das Mulheres Portadoras de Câncer -, que é um grupo de auto-ajuda que também faz um trabalho voluntário.
Será realizado, nesta Casa, nos dias 03 e 04, amanhã e sábado, um importante congresso sobre o Câncer de Mama na Mulher Jovem, o impacto da doença e as dificuldades que traz na vida social e profissional dessas mulheres.
Quero parabenizar o grupo pela brilhante iniciativa. Visto esta camisa e apóio não apenas por ser mulher, mas porque acredito no trabalho deste grupo de mulheres que agem em benefício da recuperação de outras companheiras vitimadas pelo câncer.
Aproveito a oportunidade para fazer um apelo ao Governador Luiz Henrique da Silveira, uma pessoa altamente comprometida com os interesses de toda a população catarinense, que está priorizando o atendimento às pessoas carentes, e ao Secretário da Saúde Fernando Coruja Agustini, que também vem fazendo um trabalho belíssimo, para que invistam mais em programas de prevenção que possibilitem o acesso da população carente a informações e, principalmente, na realização de exames para prevenir esta doença maldita que tem matado muitas mulheres.
Reitero o convite às mulheres, às jovens, enfim, a toda a população catarinense para que compareçam e participem deste maravilhoso congresso realizado por essas mulheres tão valorosas que vêm desempenhando esse papel de prevenção ao câncer de mama.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)