Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Simone Schramm

44ª Sessão Ordinária - 31/05/2006

A SRA. DEPUTADA SIMONE SCHRAMM - Sr. presidente e srs. deputados, o meu boa-tarde a todos os parlamentares, aos nossos visitantes, aos parlamentares jovens.

Quero dizer que venho à tribuna, na tarde de hoje, porque na última sexta-feira tive a visita de representantes dos grevistas em meu escritório, em Joinville. Tive com eles uma conversa transparente, muito tranqüila, dentro da integridade, do respeito mútuo.

Sou educadora há 29 anos e dediquei-me de forma exclusiva à rede pública estadual de Santa Catarina. Ocupei diversas posições, iniciando em escolas multisseriadas, escolas isoladas, como diretora eleita, como coordenadora regional de educação. E toda essa caminhada deu-me a oportunidade de estar neste Parlamento. Mas não posso aceitar, presidente Julio Garcia, na condução dessa greve, o envolvimento político-partidário nela inserido, levando a questionar o verdadeiro objetivo desse movimento grevista, cerceando o direito de pessoas, de colegas, de cidadãos, como no episódio que ocorreu na secretaria da Educação. Atitudes como aquelas são pouco recomendadas para educadores, pois de forma inescrupulosa agrediram verbalmente a nossa secretária da Educação, Bete Anderle, com adjetivos pejorativos.

Até gostaria de dizer à secretária que quando lá estive passei pela mesma situação, palavras de ordem foram despejadas no prédio da secretaria, em total desrespeito a toda a educação e a todos os educadores de Santa Catarina. Posso acreditar que a própria secretária e seus familiares devem ter ficado realmente muito chateados, chocados, pela forma desrespeitosa com que algumas pessoas se manifestaram, as quais estão infiltradas no movimento dos professores. Creio até que sejam dirigentes políticos, porque na noite de ontem, presidente Julio Garcia, alguns que aqui estavam na ocasião da votação do projeto da Celesc estavam também no movimento da educação. E eu pergunto: eles representam a Celesc ou representam a Educação?

Lamento que partidos políticos se valham de uma questão de busca por melhores condições da categoria, infiltrem-se lá e agridam as pessoas, da mesma forma que foi agressiva a questão do acampamento diante da casa do governador licenciado Luiz Henrique da Silveira, quando palavras de ordem também eram proferidas para sua família.

Acho que temos que manter a integridade, o respeito e a ética. Nós, educadores, somos responsáveis pela formação integral de crianças e jovens do nosso estado. Não posso conceber o mau exemplo de pessoas, diante do prédio da secretaria da Educação, tendo tal atitude de desrespeito para com todos os servidores daquela secretaria.

Então, já vivenciei em inúmeros momentos panelaços em frente da Gerei, quando fui responsável pela coordenadoria regional de Joinville. Já convivi com tudo isso, mas não com uma infiltração político-partidária da forma como estamos vivenciando nessa manifestação, nesse momento de greve em Santa Catarina.

Ontem, surpreendeu-me também quando usou esta tribuna um parlamentar desta Casa fazendo referência à questão salarial de Joinville. Pergunto: será que esse deputado tem a tabela do Magistério público municipal de Joinville? Pois eu tenho. E vou fazer um comparativo para trazer a verdade mais uma vez a esta Casa. Como no episódio da Associação Comercial e Industrial de Joinville, mais uma vez tenho que trazer a verdade a esta Casa.

O professor da rede municipal de Joinville tem o piso de R$ 830,36, professor de nível técnico. E todos esses documentos estarão à disposição dos srs. parlamentares. Aqui nós temos um quadro comparativo. Neste quadro comparativo, o professor da rede estadual na mesma situação, em início de carreira, no ensino médio, ganha R$ 905,24, somando auxílio alimentação, abono e triênio. O professor de Joinville não percebe regência de classe.

Quanto ao professor de licenciatura plena, com formação superior, em início de carreira, em Joinville recebe R$ 1.370,09 e em final de carreira recebe R$ 1.706,18. Aqui está o comparativo: o professor de licenciatura plena, em início de carreira, ganha R$ 1.266,13 e em final de carreira ganha R$ 2.577,79. Aqui nós temos uma diferença de R$ 2.577,79 para R$ 1.266,13. Esse é o quadro salarial do município de Joinville.

Se buscarmos aqui o nível do inicial de carreira, comparando com a tabela salarial de dezembro de 2002 com a de abril de 2006, esse inicial era de R$ 594,67, e houve um incremento, deputado Ronaldo Benedet, nesta gestão, de 52,23% no nível médio, ou seja, para o professor com Magistério. Para o professor com licenciatura plena, o incremento foi de 42,91%, em inicial de carreira, e em final de carreira foi de 32,57%. E de 5ª a 8ª série, final de carreira, tivemos um percentual de 40,32% e para o inicial de carreira tivemos 51,44%.

Esses foram os meus esclarecimentos àquela equipe de professores que esteve na sexta-feira, pela manhã, no meu gabinete, em Joinville.

Muita coisa, deputado Ronaldo Benedet, é falsa, são dados que não levam a verdade, mas toda a comunidade catarinense está atenta a esse movimento grevista. Inclusive, na semana passada, recebemos uma representação de alunos do Instituto Estadual de Educação, que nos questionou a respeito de partidos políticos inseridos com suas bandeiras no movimento da educação. "Esse não é um movimento do Magistério catarinense, professora?"

É um momento em que partidos políticos se valeram da inquietude pela questão da incorporação do abono. Em Joinville, também existe o abono, só que lá, de forma ordenada, os professores estão discutindo a incorporação desse abono.

Eu quero dizer à classe do Magistério, à qual pertenço com muito orgulho, que 11% da categoria - estamos hoje com só essa representação paralisada - não pode representar a Educação catarinense. Tenho o entendimento de que chegaremos ao intento, no dia de hoje, para que novamente se estabilize o calendário escolar para milhares de alunos que estão aguardando o término dessa greve.

O Sr. Deputado Ronaldo Benedet - V.Exa. me concede um aparte?

A SRA. DEPUTADA SIMONE SCHRAMM - Pois não!

O Sr. deputado Ronaldo Benedet - Quero parabenizar v.exa. pelo seu pronunciamento esclarecedor. Mas só quero confirmar, para ver se entendi o que v.exa. colocou. O deputado Joares Ponticelli sempre coloca que os salários em Joinville são maiores. Aliás, eu nunca vi o governador Luiz Henrique prometendo, mas, sim, argumentando. Mas não está no Plano 15, eu até mostrei! O deputado Joares Ponticelli disse aqui ontem que o governador dizia que o salário do estado iria ser maior do que o de Joinville. Quer dizer que v.exa. está dizendo que a remuneração conjunta do professor do estado é maior do que o do professor em Joinville? É isso?

A SRA. DEPUTADA SIMONE SCHRAMM - É! Na verdade está aqui a tabela para todos que quiserem consultar. E quero salientar que passado nós só perdíamos para o Piauí, pelo pior salário. Hoje nós somos o 6º melhor do país, em 27 estados.

O Sr. Deputado Ronaldo Benedet - Então houve uma melhora?!

A SRA. DEPUTADA SIMONE SCHRAMM - Está aí para quem quiser enxergar!

Muito obrigada!

(SEM REVISÃO DA ORADORA)