44ª Sessão Ordinária - 11/06/2013
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, quero iniciar a nossa semana legislativa lamentando a morte, por homicídio, que aconteceu na tarde do último domingo, aqui na capital, no bairro Costeira, de um companheiro policial militar, sargento Cláudio.
O sargento Cláudio estava visitando seus parentes na Costeira, e um sobrinho se envolveu numa discussão com o vizinho. Ele foi intervir e acabou sendo atacado, provavelmente pelas costas, por um sujeito com uma arma branca, uma faca de tamanho grande.
O sargento Cláudio morreu dentro da própria casa, inclusive o agente não permitiu o ingresso de ninguém, sequer para prestar socorro, e ali mesmo o sargento Cláudio agonizou e morreu. Um filho seu também foi esfaqueado pelo filho do marginal. Sim, marginal!
Não tem que dizer que foi uma briga de família e que o sargento foi lá intervir, não. Esse sujeito que matou o sargento Cláudio tem diversas passagens pela Polícia e saiu da penitenciária de Florianópolis, na Trindade, há alguns dias. Com certeza ganhou os benefícios da lei a partir de uma avaliação de que ele estava no caminho da ressocialização, sadia, e matou esse companheiro nosso.
Para nós é uma tristeza maior, porque convivemos com o Cláudio por um largo período, realizamos juntos o curso de cabo, na década de 80, 1987, no 4º Batalhão, que durou de março de 87 a setembro do mesmo ano.
Companheiro sempre alegre, disposto, trabalhador, comprometido com o serviço, sempre à disposição do serviço, de prestar o bom serviço, sempre voluntarioso, alegre e disposto a recepcionar bem os companheiros, os amigos e a tratar todo mundo de forma cordial e elegante.
Então, o nosso lamento, a nossa homenagem ao companheiro que, infelizmente, um marginal tirou a vida. Ele estava chegando aos 30 anos de serviço, esperando a última promoção da carreira de praça, subtenente, uma pessoa excepcional que por uma razão besta ou por uma razão de bandido que não gosta de polícia, evidentemente, razão de marginal, de vagabundo, perdeu a vida.
Ele, por certo, foi morto, inclusive, na boa-fé de que ia lá conversar e que jamais o oponente lhe desferiria uma facada, porque se ele imaginasse, se passasse pela cabeça dele essa possibilidade, ele não faria da forma como fez, inclusive porque estava armado, com arma de fogo. E o indivíduo matou com uma faca e fugiu com a arma de fogo do sargento Cláudio.
Era um ser humano que foi lá na perspectiva de intervir de forma a pacificar aquela situação, porque senão não seria morto estando armado. E acabou sendo morto justamente pela boa-fé, pela pessoa excepcional que era.
A nossa homenagem a esse companheiro, a nossa solidariedade a todos os familiares, que por certo não estão nos ouvindo, neste momento. E aqui o desejo de que o filho do sargento Cláudio, que estava ainda na UTI, também atingido por golpes de faca, possa se recuperar.
A nossa solidariedade a todos os policiais do 4º Batalhão, onde ele trabalhou por muito tempo, e da Polícia Rodoviária Estadual, naquele Posto 1 de Ratones, onde ele estava nos últimos anos trabalhando, com um excelente relacionamento com todos os companheiros policiais militares daquele posto e do conjunto da Polícia Militar Rodoviária.
Outro ponto que quero me referir é que esses episódios nos abalam e ficamos com dificuldade para tratar de outros assuntos, porque esses são os auspícios da profissão de policial. A profissão de policial civil ou militar tem esses pesos que às vezes não é visto de forma correta pelo estado, pelo conjunto das autoridades e mesmo pela sociedade. Noticiam-se muito quando o policial comete um erro, às vezes até nem foi, mas é aquilo que alguém considera uma falha, então isso dá notícia. Não dá notícia a vida cotidiana do policial que num dia de passeio é acionado para uma situação que o leva à morte, pelo fato de ser policial e, por isso, as pessoas de bem esperam uma atitude dele, e as pessoas do mal, infelizmente, esperam e preparam-se para pegá-lo de surpresa, pelas costas.
Estou falando aqui de um policial militar, no caso, do sargento Cláudio, nosso amigo de longa data, mas essa é uma situação a que estão submetidos o conjunto dos bons servidores de segurança pública, seja da Polícia Militar, da Polícia Civil, do sistema prisional, do instituto de perícia ou do próprio Corpo de Bombeiros, sempre sujeitos a uma situação como essa e à dificuldade permanente de um convívio social, como se fosse uma pessoa normal da sociedade.
Isso acontece com os bons policiais, que inclusive são bons seres humanos, que não levam a maldade como elemento principal ou que têm desconfiança, porque às vezes como policial aprendemos a viver sempre numa atitude de suspeitar de qualquer situação, de qualquer pessoa. E o sargento Cláudio foi morto porque era policial e uma pessoa que, com certeza, tentou intervir de forma a amenizar a situação. Mais uma vez o nosso profundo lamento por mais essa morte de companheiro policial militar no nosso estado.
Outro assunto que também é importante falar hoje é com relação à greve dos motoristas e cobradores do transporte coletivo da Grande Florianópolis. E precisa que a greve ecloda, aconteça, para que fiquemos sabendo, apesar do filtro de muitos meios de comunicação, os motivos da greve. E o motivo dessa greve é porque os patrões não querem fazer a reposição do salário, ou seja, não querem reajustar o salário este ano, conforme o INPC, com o argumento que teriam prejuízo em virtude da redução da jornada de trabalho.
A última greve desses trabalhadores pela redução da jornada de trabalho foi intensa. Tiveram conquistas, uma redução parcial e a escalonada foi estabelecida como acordo para o final daquela greve. Agora estamos com outra greve, porque dessa vez os patrões que tiveram que aceitar a redução gradual da jornada de trabalho não querem repor as perdas da inflação, alegando que se fizerem isso terão que pagar mais pela hora de trabalho.
Então, fica óbvia a má-fé do patronato do transporte coletivo, não obstante tudo que se diga dos trabalhadores, mas reduziram a jornada de trabalho, o que levará em alguns anos à redução do salário. Esse é o fato que provocou a greve.
Torcemos para que haja entendimento na reunião de negociação que deve ter começado agora, depois das 14h, e que ainda hoje possa haver um acordo entre as partes, especialmente que os patrões do transporte coletivo cedam a essa reposição, e o serviço volte ao normal nas próximas horas.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)