48ª Sessão Ordinária - 19/06/2013
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, amigos da TVAL e ouvintes da Rádio Alesc Digital, faço uso da tribuna na tarde de hoje para tecer alguns comentários relacionados ao nosso querido estado de Santa Catarina.
Santa Catarina, como nós sabemos, é um estado que apesar de pequeno em termos territoriais tem números invejáveis no ranking econômico nacional, tanto na produção agrícola-industrial quanto na qualidade de vida. Mesmo assim, o estado também enfrenta muitos problemas e desafios, já que faz parte da conjuntura nacional e do conjunto das nações. E para resolver problemas e enfrentar desafios, é necessária a participação tanto do estado em si, quanto das forças da sociedade. Foi isso que tem levado as lideranças empresariais a se engajar no esforço pelo crescimento e desenvolvimento de Santa Catarina, conscientes de que o governo do estado, sozinho, não vai conseguir encaminhar todas as soluções. Exemplo disso, e que merece o nosso reconhecimento, foi a iniciativa da Federação das Indústrias de Santa Catarina (o sistema Fiesc) de lançar o Programa de Desenvolvimento Industrial Catarinense, reunindo informações e propostas para subsidiar ações futuras e promover, a longo prazo, uma dinâmica de prosperidade industrial.
De acordo com a Fiesc, o programa pretende formular até 2014 um documento com os principais pontos críticos que afetam o desenvolvimento da indústria no estado.
O programa da Fiesc, que na prática começou no ano passado, com a identificação dos 16 segmentos industriais com maior potencial de desenvolvimento, potencial chamado de setores portadores de futuro, explica que esses segmentos são: agroalimentar, bens de capital, máquinas e equipamentos, celulose, papel, cerâmica, construção civil, economia do mar, energia e indústrias emergentes, como a Aeronáutica, a nanotecnologia e a biotecnologia, meio ambiente, metalmecânico e metalurgia, móveis e madeira, produtos químicos e plásticos, saúde, tecnologia de informação, comunicação têxtil, confecção e turismo.
A partir de agora o programa da Fiesc busca intensificar ações estratégicas para cada um desses segmentos, os quais receberam o nome de rotas estratégicas setoriais, que ajudarão na realização de diagnósticos com a identificação da situação atual, objetivo a ser alcançado no futuro, que precisa ser recuperado ou potencializado.
O presidente da Fiesc, Glauco Côrte, disse que a importância do programa e o seu alinhamento com a missão da Fiesc de promover um ambiente favorável ao desenvolvimento das indústrias... Para reforçar esse esforço do empresariado catarinense vamos destacar a afirmação do presidente da Fiesc de que as indústrias de Santa Catarina não se curvam diante das crises.
É preciso ressaltar, sr. presidente, um trabalho capitaneado pela Federação das Indústrias do estado de Santa Catarina, Fiesc, junto com a Fiep, do estado do Paraná, e a Fierg, do estado do Rio Grande do Sul, dentro dessa esteira e dentro desse raciocínio em que se busca o diagnóstico preciso, exato, das potencialidades, das mais variadas regiões desses três estados do sul, dentro de uma ação integrada, respeitando as potencialidades das vocações, as peculiaridades de cada região, as suas autonomias. E nessa linha buscar um projeto dentro de um prisma macro no sistema modal e intermodal, interligando esses três estados com os demais estados da federação, até mesmos os países do Mercosul, onde temos um setor modal e intermodal totalmente equivocado, engessado, por consequência da sua matriz rodoviária modal e intermodal.
O custo Brasil estabelece um parâmetro em média de R$ 110 por tonelada no custo rodoviário. Enquanto que o ferroviário se estabelece num parâmetro de R$ 75, ou seja, de R$ 110 para R$ 75 a tonelada. E o hidroviário e portos vêm para R$ 45 por tonelada.
Infelizmente, tínhamos, em 1960, mais de 30 mil quilômetros de ferrovias neste país. Passadas décadas e décadas, e estamos no ano de 2013, mais de 50 anos, retrocedemos a 22 mil quilômetros de ferrovia, quando deveríamos estar num patamar de 80 mil a 100 mil quilômetros, perfazendo com isso uma condição de dar estrutura, de dar suporte às empresas privadas, à segurança jurídica, para poder investir e prospectar os seus negócios e seus valores.
Vejo com muita tristeza um navio chegar a um porto catarinense precisando esperar até 8 dias para fazer sua descarga, incorrendo em valores significativos, em dólar, e com isso, perdendo muscularidade e condições para competir nesse mercado globalizado, onde visualizamos os asiáticos, norte-americanos, europeus, de maneira especial os chineses, com os grandes navios Panamax, levando três ou quatro vezes mais quantidade de produtos e, com certeza, comprometendo cada vez mais o grau de competitividade das indústrias nacionais e catarinenses.
Um estado eminentemente exportador como é o nosso, que tem 1,1% do seu território nacional, que detém mais de 5,6% das exportações, que agora abre o mercado japonês, que é extremamente agregador de valores no seu produto, e que, no entanto, fica engessado, mesmo tendo vários portos, por essa condição de logística, de mobilidade, de condições de poder escoar o seu produto com facilidade, com custo reduzido para amenizar, baratear a cesta básica, o alimento, o custo Brasil.
Essas manifestações que estão acontecendo e que não têm uma pauta, um líder definido, demonstram, com certeza, o sentimento de repúdio e de indignação que aflora em muitos catarinenses e brasileiros pelo modelo equivocado, superado, saturado existente hoje no país.
O problema é eminentemente estrutural. E tenho certeza de que se os mais bem sucedidos, no fundo, também têm um sentimento de indignação, imaginem a população que tem que pagar os seus impostos com o salário reduzido, achatado ainda para poder suprir as necessidades dos seus.
Por isso é preciso que nós, líderes, possamos fazer uma reflexão mais precisa para diagnosticar essa vertente, porque é um assunto que assusta muitos, pois estamos lutando contra o desconhecido, mas, na verdade, sabemos que o problema é estrutural em todo país.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)