Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

47ª Sessão Ordinária - 18/06/2013

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, demais pessoas que nos acompanham.

Quero complementar algumas informações que não tive tempo de abordar no horário anterior a respeito dessa onda de manifestações em todo o Brasil.

Vou falar sobre o preço dos ingressos para os jogos da Copa, que são proibitivos para a imensa maioria do povo. Dez por cento dos ingressos pelo valor de R$ 85,00; 12% são para os chamados vips, os importantes, por R$ 8.500,00; 15% são gratuitos para os convidados da Fifa e 67%, ou seja, a maioria vai de R$ 1.100,00 a R$ 2.800,00. Evidentemente que para o povo sobra aquilo que mostra aquela propaganda: "Vem para a rua que a rua é a maior arquibancada do Brasil." Existe uma propaganda assim, não me lembro de quem, se é de cervejaria ou de alguma instituição pública, por ironia. E o povo foi para a rua, para a maior arquibancada neste momento.

Eu disse também que todos os governos depois de abril de 64 têm responsabilidade. Mas acho que precisa ser reavaliado, porque quando o Juscelino Kubitschek, que todo mundo quer imitar, todo governante quer ser outro JK, trouxe a indústria automobilística para o Brasil, começou essa saga de o transporte individual, a indústria automobilística se sobrepor aos interesses nacionais, inclusive, aos interesses do transporte coletivo, principalmente.

A política de incentivo aos monopólios do transporte, ao monopólio do carro, desde a década de 50, quando a indústria automobilística internacional chegou aqui, somente se amplia e tem que se ampliar. Agora, recentemente, a Dilma Rousseff deu às empresas do transporte coletivo os mesmos direitos que no plano chamado Plano Brasil Maior, que eu acho que é menor, e já havia dado à indústria automobilística no ano passado, para se ter uma ideia do que tem sido prioridade neste país.

É evidente que essas manifestações são legítimas, são importantes, são o desaguadouro de um conjunto maior de insatisfações populares, inclusive, das mais diversas matizes, com os mais diversos objetivos, e a grande maioria de forma espontânea, sem um objetivo racionalmente construído. O que indica também outra reflexão necessária, que é falência das instituições, inclusive, a falência dos partidos políticos, porque essas multidões de pessoas não querem a presença dos partidos, nem daqueles que são de origem popular, considerados de esquerda, que estão mobilizando e chamando essas pautas.

Isso também aconteceu aqui em Florianópolis no Movimento Passe Livre há oito anos.

Partido não!

Então, existe esse aspecto, o que torna difícil a negociação uma vez que o movimento é difuso.

É um sentimento de indignação generalizado que arremete para qualquer alvo que represente o conjunto dos Poderes instituídos. Isso é um fato que precisa de reflexão. O fato da falência das instituições, inclusive, os partidos políticos, os políticos, enfim, todos nós, sem exceção, pelo fato de estarmos exercendo cargos de natureza política eleitoral, também estamos sob essa pressão, repito, legítima da sociedade que quer respostas sobre o que efetivamente é prioridade.

Como policial militar, e aqui represento milhares de policiais militares, vivemos situações de angústia maiores, também porque somos filhos do mesmo povo e vivemos os mesmos dilemas sociais, e mais, porque somos nós a categoria que recebe a ordem peremptória de ir para as ruas conter as manifestações.

Evidentemente, neste momento, em algumas circunstâncias não tem como se livrar de situações bastante difíceis e constrangedoras.

Tenho em mãos e lamento não ter tempo de ler na íntegra a mensagem de um policial militar do estado de São Paulo que atuou no dia de ontem na repressão aos movimentos de lá. Gostaria muito de ter tempo, talvez amanhã consiga ler na íntegra para ver o que pensam, qual é o dilema e a situação dos companheiros que são chamados para esses momentos lamentáveis.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)