Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Jailson Lima da Silva

30ª Sessão Ordinária - 08/04/2014

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Nós, do PT, estamos altivos com a sua ascensão à Presidência da Casa. Mesmo que seja por poucos dias, representa claramente a responsabilidade que temos aqui. E o mesmo senso de lealdade que temos com o atual presidente tivemos com o presidente anterior, deputado Gelson Merisio.

Quero me pronunciar porque está fazendo 20 anos do maior genocídio da história do mundo contemporâneo: Ruanda, entre o final de abril e o início de julho de 1994, em que 800 mil pessoas foram assassinadas.

Precisamos observar o que representou naquele momento esse massacre realizado por uma maioria hutu, que tinha o apoio da França. E o mundo fez de conta que não enxergava 800 mil almas sendo dizimadas, mulheres violentadas, numa disputa homérica de grupos étnicos entre os hutus tutsis, que eram os minoritários, porém marcou a história desse globo terrestre, mas parece que não nos lembramos disso.

Uma das questões nessas guerras étnicas, principalmente na África que sofre com a violência, além da morte da maioria dos homens, com facões, a maioria das armas eram facões que se utilizava nos cortes dos canaviais...

Um dos grandes atos de violência é que as mulheres eram violentadas e deixadas nuas, muitas delas, e depois a carnificina sendo implementada.

Então, a nossa referência enaltecendo esse momento histórico, porque o mundo precisa se posicionar, no sentido de condenar e atuar sempre numa lógica de apaziguar esses momentos, a exemplo do que acontece na Síria, onde nos últimos três anos já chegaram a 150 mil mortos e, aproximadamente, quase um milhão de sírios que saíram daquele país e estão espremidos nas divisas das nações adjacentes, muitos sem saberem o que fazer, passando por sofrimentos e muitos sacrifícios.

Então, o mesmo processo de colonização que houve em Ruanda, na África, mostra claramente que, naquele momento, o poder econômico e as forças da ONU se posicionaram no sentido de sequer se manifestar sobre esse ato de violência mundial. Por isso, o evento que está havendo na França, neste período, de lembrar os 20 anos de Ruanda, assim como aqui lembramos os 50 anos em que se instalou a ditadura militar, o governo francês foi desconvidado a participar, tendo em vista que até hoje publicamente não assumiram a responsabilidade que tiveram naquele momento, pois davam guarida econômica e, inclusive, bélica para o grupo que tentou dizimar os tutsis. E por até hoje não terem se posicionado a respeito, foram desconvidados a participar.

O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - V.Exa. me permite um aparte?

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Pois não!

O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - Quero parabenizá-lo por ter trazido esse assunto de interesse mundial, internacional. Portanto, Santa Catarina também precisa refletir a respeito disso, até para que fiquemos atentos, pois como v.exa. sempre disse há situações parecidas como a que aconteceu há 20 anos em Ruanda. E registrar isso, especificamente, nesse ponto de que a França foi desconvidada é importante, porque ela merece o desconvite.

Nós todos, aqui, no ocidente, temos a França como referência de civilização, a partir da revolução de 1789, a Revolução Burguesa. E vamos dizer que ela não saiu com as mãos limpas desse trágico episódio de 20 atrás, assim como também na Argélia. A França que colonizava a Argélia tinha, inclusive, como procedimento a tortura, procedimento institucionalizado. A tortura contra aqueles que lutavam pela independência da Argélia.

Então, quero parabenizar v.exa. E quero dizer que precisamos refletir muito. Evidentemente que não é comprar uma briga com os franceses em geral, mas se é o país do ocidente que temos como o mais civilizado, o mais bem educado, o mais iluminado em termos do que seja uma democracia, teve as suas responsabilidades nesse episódio. E é preciso que pensemos mais sobre o futuro da sociedade que pretendemos construir.

Agradeço pelo aparte e parabenizo v.exa. mais uma vez.

O Sr. Deputado Volnei Morastoni - V.Exa. me permite um aparte?

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Pois não! Mas quero antes também parabenizá-lo pela grande atuação em Araranguá, porque está à frente da comissão de Saúde. V.Exa. tem feito história no estado com referência às questões da Saúde, na Assembleia Legislativa.

O Sr. Deputado Volnei Morastoni - Meu caro companheiro, deputado Jailson Lima, foram mais de mil pessoas que participaram da audiência pública, em Araranguá, ontem. E vou me manifestar, na sessão da tarde de hoje, sobre esse importante ato de cidadania e de controle social da população de Araranguá em relação ao hospital regional.

Quero também aproveitar a oportunidade para parabenizar o companheiro deputado Padre Pedro Baldissera que assumiu interinamente a Presidência desta Casa, merecidamente pelo seu trabalho sempre dedicado, abnegado, que faz aqui um relacionamento com todos nós, deputados, mas também com toda a nossa comunidade no estado.

Parabéns! Ficamos todos orgulhosos, nós, da bancada do PT, pela sua ascensão à Presidência interina da Casa.

Em terceiro lugar, deputado Jailson Lima, quero me manifestar a respeito desse seu pronunciamento que traz à nossa lembrança esses episódios de Ruanda.

Eu estava assistindo a um documentário, nesses últimos dias, sobre essa carnificina, sobretudo esse terror, esse genocídio. As 500 mil mulheres que foram violentadas, estupradas e as milhares de crianças que nasceram fruto dessa situação e que também foram brutalmente assassinadas. O horror que foi todo esse drama precisa servir para a nossa reflexão de todas as outras formas escamoteadas de genocídio que acontecem em todo o mundo.

Parabéns pela sua fala!

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Obrigado, deputado.

Deputado Padre Pedro Baldissera, mais uma vez parabenizo v.exa. e também, em nome da bancada do PSD, o deputado Gelson Merisio, por assumir a Presidência desta Casa.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)