37ª Sessão Ordinária - 17/05/2000
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente, Srs. Deputados, retorno a esta tribuna ocupando o horário do nosso Partido, o PPB, para fazer alguns comentários em relação àquilo que escutamos por muitas vezes e ao que o Deputado Manoel Mota considerava no seu depoimento. Cabe um questionamento.
Nós, brasileiros, que amamos esta nossa terra, que amamos o verde-amarelo deste território brasileiro, estamos de forma assustadora, temerosa e preocupante, vendo o que abandono, que a miséria, que o desgoverno, que a criminalidade, que a corrupção são os assuntos do dia-a-dia da Nação brasileira. Não é só assunto ou comentário, é a realidade desta Nação brasileira.
Nós temos a felicidade de morar num País tão rico, de um solo tão rico, abençoado por Deus e pela natureza, um País que tinha tudo para oferecer de melhor para o seu povo, mas no decorrer dos anos, dos seus 500 anos de história, tivemos a participação de alguns segmentos da sociedade que conseguiram inviabilizar esta Nação brasileira para fazer coro àqueles depoimentos já feitos desta tribuna.
Um País que além de conseguir fazer com que fosse implantada a desgraça financeira nesta Nação, a miséria imposta a milhões e milhões de brasileiros, conseguiu também ser insensível e ser impotente aos clamores da sociedade brasileira.
Nós ficamos estarrecidos quando ligamos a televisão e acompanhamos a pobreza, a miséria e o abandono que toma conta do cidadão brasileiro nesses grandes perímetros urbanos das nossas grandes cidades brasileiras; ficamos tristes e preocupados quando vemos os Parlamentares que representam na esfera federal o povo brasileiro, quando vemos Senadores que representam a sociedade brasileira impor uma discussão durante os últimos seis meses.
A discussão do Parlamento nos últimos seis meses foi se o salário-mínimo para o cidadão deveria ser R$151,00, R$161,00, R$171,00 ou R$177,00. Parece até que a diferença dos R$151,00 para R$177,00 é de R$1,00.
A verdade é que os vergonhosos R$151,00 ou aqueles vergonhosos R$177,00, que poderiam ser aprovados (qualquer um poderia ser aprovado), correspondem a um salário de miséria, a um salário que continuava mantendo na desgraça o cidadão que depende do salário-mínimo.
Enganam e confundem a Nação quando querem fazer nós acreditarmos que não suportaremos um salário maior ou igual a US$100,00.
A Previdência e o Governo não suportariam pagar um piso salarial de US$100,00, mas na mesma semana que os vergonhosos R$151,00 foram aprovados a sociedade, que é ordeira, na sua bondade, que não perdeu a capacidade de reagir, via, estarrecidamente, emplacar, em todos os jornais nacionais, escritos, falados ou televisionados, que se aprovava no Congresso Nacional a validade dos 14 bilhões de títulos irregulares emitidos nesta Nação brasileira por homens públicos irresponsáveis!
O prêmio para eles tinha que ser a cadeia, no mínimo! Tinha que ser a penalidade de uma penitenciária, porque eles conseguiram a premiação da legalização daquilo que foi a maior CPI já criada na Nação brasileira, que foi a CPI das Letras, que o Senado Nacional passou meses enganando, mentindo, fantasiando, iludindo o cidadão brasileiro, e ali mostraram que aqueles títulos eram um ato criminoso contra o País, mas que aqueles mesmos enganadores, passados poucos meses, estão fazendo o quê? Reúnem-se, desdizem, de forma vergonhosa, e aprovam buscar a legalidade dos R$14.000.000.000,00.
Esse nosso bondoso e ordeiro povo brasileiro não teve a coragem e a condição de reagir e aceitou os R$151,00, porque mais do que esse valor quebraria a Nação brasileira! Agora, não quebraria os R$14.000.000.000,00 que tinham que ser defendidos, que tinham que ser legalizados para serem devolvidos àqueles que exploram, que enganam, que usam do poder financeiro para especular o cidadão brasileiro, que é o sistema financeiro.
A esses é que me parece que o Governo se ajoelha e dá benção e também a benevolência da lei. A esses que mostraram para a Nação brasileira que só no ano de l999 faturaram uma média de R$1.000.000.000,00 de lucro cada um, através do sofrimento e do empobrecimento do povo brasileiro, da miséria implantada no povo brasileiro, da fome do povo brasileiro.
Esses mesmos aprovam, então, mais um pouco de renda para o sistema financeiro achando ou entendendo que R$1.000.000.000,00 de lucro significava pouco, anualmente, para este sistema financeiro.
É este País que nós amamos! É este nosso verde e amarelo que está perdendo a cor! Estão manchando a nossa bandeira, mas pela corrupção, pela vergonha, pela omissão, pelo conchavo, pela falta de vergonha na cara de alguns políticos que denigrem os Parlamentos deste País.
Se estamos encurralados, se estamos indefesos, se estamos sem solução para a miséria neste País é porque os Parlamentos desta Nação esqueceram-se de impor, de colocar e de priorizar recursos para o desenvolvimento econômico da sociedade; para o social, para a saúde, para o idoso, para a geração de emprego, para a casa própria, para vivermos mais dignamente.
É isto que revolta: vivermos num País de um solo tão rico, de um povo tão ordeiro, de um povo tão trabalhador, conseguindo a bravata, a bravura através de ações irresponsáveis do Poder Público Nacional no decorrer destes 500 anos, inviabilizando esta nossa querida Nação brasileira. E junto foram levando para o buraco, foram enterrando os Estados, os Municípios e foram fazendo com que a sociedade não acreditasse mais nem naqueles órgãos que foram constituídos com o objetivo de servi-la.
Perdemos e estamos perdendo o que é mais sagrado para cada um de nós, que é a esperança e a fé. Em quem acreditar? Qual o caminho? O que fazer? Um pai, que tem dois, três filhos, desempregado há um ano, com aluguel, água e luz, comida para pagar, está sujeito a qualquer ato de irresponsabilidade, está exposto a qualquer ato criminoso.
Então, quantos estão aos milhares, às centenas, aos milhões sendo jogados no vale da miséria, na sargeta, no abandono, no lixo?! Muitos, porque são milhares de brasileiros que dependem de catar lixo no dia-a-dia, de estar no lixo buscando o alimento para a sua família!
Não era esta a Nação que sonhávamos! Não é esta a Nação que merecemos! Não é esta a Nação que queremos! Não é este o País que trabalhamos para construir!
Precisamos resgatar o amor por esta terra! Resgatar a confiança no homem público! Resgatar a confiança nos poderes que estão impotentes! Basta ver esta onda de insatisfação que toma conta da Nação.
Enquanto alguns milhões choram a miséria de não ter sequer a casa para morar; sequer o emprego; sequer o alimento para dar ao seu filho, outros tantos milhões saem na rua porque não estão satisfeitos, porque têm emprego, porque têm a casa para morar, porque têm de onde alimentar a família.
Este País em que a insatisfação está tomando conta em proporções preocupantes, nos causa, sim, apreensão, nos deixa preocupado, nos faz perguntar o que está acontecendo com o cidadão brasileiro, com os Poderes constituídos na Nação! O que fazemos? Qual o caminho a não ser aquele de resgatarmos a seriedade, a responsabilidade, além de trabalharmos muito?!
Nós, homens públicos, somos hoje, mais do que nunca, o único caminho, a única esperança, a única salvação para esta Nação. Por isso dependemos de ações sérias, responsáveis, da contribuição de cada um. O sacrifício tem que ser demonstrado por nós, homens públicos, para que a sociedade volte a resgatar a confiança nos poderes constituídos.
É necessário que cada um de nós reflita muito sobre o que a sociedade espera e quer de nós; sobre como a sociedade gostaria que agíssemos; qual o caminho, qual a direção e para onde queremos conduzir a sociedade. Porque somos nós, homens públicos, que estamos conduzindo a sociedade à vala da miséria, do abandono, da tristeza.
Estamos fazendo parte daqueles que concordam, que se acovardam em ver uma Nação como a Nação brasileira....
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)